revelação

O Dr. Sampaio, ex-PR, fez hoje um revelador e comovente apelo ao eleitorado alfacinha - Ao pedir o voto em António Costa, pediu para o Governo não ser julgado. Revelador, porque se há razões para julgar mal o Governo, estas também se devem a António Costa, até à dias apenas número dois e 'super-ministro' do mesmo. Logo, em bom rigor não se percebe como podem os lisboetas dissociar o seu voto da análise que fizerem da acção governativa. Afinal, a força e o peso de Costa, enquanto candidato, vem, ou vinha, precisamente do facto de ser previamente o número dois deste governo, ponto.

Eu percebo que Costa se tenha querido pirar, a sério que percebo. À boa maneira portuguesa, conhece os indicadores, viu o caso da Independentíssima licenciatura faxeada, e resolveu tratar da vidinha e, Sócrates, esse que se lixe. Só que Sócrates por muito arrogante e autista que seja não dorme completamente. Costa será não só a candidatura do PS mas também a candidatura deste Governo, o de Sócrates. Ao contrário do que infere aqui uma alminha do Expresso que percebe tanto de política como eu de culinária (saberá comer e servir-se) Costa tem infinitamente mais a perder, que Sócrates. Se o resultado não for brilhante (e há milhentas razões para isso ser uma possibilidade real, desde o desencanto com o Governo até ao facto de Costa deslumbrado e cego pela vaidade ter transformado a sua campanha numa montra do pior e mais pérfido do 'regime' (de Júdice a Salgado...)) Sócrates poderá sempre alegar que o acto eleitoral ocorreu a meio da legislatura, que é normal os governos saírem penalizados (e é) e, em tese, recuperar nas legislativas. Mais, conhecida que a sua 'compaixão' (vide a atitude do PS nacional com Jacinto Serrão do PS/Madeira) Sócrates em caso de um mau resultado de Costa pode sempre alegar que foi António Costa - ministro - que fez questão de ser candidato, logo reforçando exponencialmente a associação da candidatura do PS ao governo, e não ele, Sócrates, lavando assim as mãos.

Já Costa, alegadamente o melhor da sua geração, com a sua entrada na campanha 'à matador' até agora a única coisa que provou é que não é tão inteligente quanto se pinta, e o pintam, ao não ter demonstrado qualquer réstia de humildade e arrogantemente se ter auto-proclamado como vencedor absoluto antecipado.

Publicado por Manuel 15:42:00  

12 Comments:

  1. escória-porco said...
    Estes apoios têm tanto valor como quando as direcções dos clubes de futebol dão apoio a um treinador.
    E, ainda por cima, nós sabemos que é assim. Por isso acho que este tipo de almoços de circunstância, sobretudo no caso do João Soares, só podem ser negativos na opinião pública mais esclarecida.
    escória-porco said...
    A outra foi à apresentação da lista do Costa como "cidadã". Quando se ouve uma coisa destas só pode ter como consequência o riso. E assim vão dando tiros no pé.

    www.maescoria.blogspot.com
    Apatricio said...
    http://portugal-verdades-e-consequencias.blogspot.com/
    Carlos Medina Ribeiro said...
    www.tsf.pt

    «O PS não autoriza que a ministra da Educação seja questionada, no parlamento, sobre o caso do professor suspenso e alvo de um processo disciplinar por ter dito uma piada sobre a licenciatura de José Sócrates. Toda a oposição exige a presença de Maria de Lurdes Rodrigues no parlamento».
    -
    Isto não podia vir em "melhor altura", pois poucas situações - como esta - mostram no que podem dar as "maiorias absolutas" que agora, e mais uma vez, são pedidas.
    ; -) said...
    Este comentário foi removido pelo autor.
    Carlos Medina Ribeiro said...
    ;-)

    Eu também comecei por pensar que seria «há», mas estava errado.
    Neste caso, o «À» está correcto (é a contracção da preposição «A» com o artigo definido «A».

    Exemplos diversos:

    «HÁ uns dias melhores do que outros» - está correcto.

    «Até HÁ dias em que chove» - está correcto.

    «Era assim até À dias...» - está também correcto.
    Pedro said...
    Ou seja, verifica-se que andam a tentar levar a montanha a maomé. Já não basta controlar o que controlam, querem controlar tudo o resto.

    E já agora, uma pequenina achega à discussão. Caiu o carmo e a trindade quando o governo anterior queria fazer uma central de comunicação. Aqui d'el rei que se limita a liberdade de imprensa, e que o governo se tenta imiscuir na vida dos jornais e dos jornalistas.

    Pois bem, este que se governam a eles próprios, fazem-na às escondidas...
    ; -) said...
    Este comentário foi removido pelo autor.
    Carlos Medina Ribeiro said...
    ;-)

    Como atrás digo, pareceu-me, de início, que devia ser «HÁ». No entanto, para não estar a fazer reparos desses em "Comentário", escrevi para grande.loja@gmail.com a sugerir que corrigissem.

    Mas pouco depois, ao comentar isso com pessoa amiga (supostamente, mais sabedora do que eu), ela disse-me que eu fizera mal, pois a frase estava certa. A dar-lhe "razão", parecia estar o facto de ninguém, lá no blogue, corrigir o (que me parecia ser) o erro...

    Assim, embora contrariado, "emendei a mão": voltei a escrever para lá, pedindo que esquecessem o que dissera. Mas fiquei a resmungar como o Galileu...

    Entretanto, lancei a confusão entre algumas pessoas.
    Mas, no fundo... no fundo... também acho que devia ser «HÁ».
    ; -) said...
    Este comentário foi removido pelo autor.
    josé said...
    Caro Medina Ribeiro:

    A sua constância no reparo de pormenor, no que a mim me respeita, é sempre bem vinda.

    A atenção ao detalhe pode muitas vezes ser um sinal de perfeccionismo que revela atenção ao rigor, seja na linguagem, seja na vida corrente, o que também se revela na sua indicação do site sobre os erros nas historietas do Tintin, aliás, muito bem feito e prova de que há pessoas atentas aos pormenores. Costumo dizer que essas pessoas são de ciências, por contraposição às de letras. Digo-o porque quem tem formação matemática de base, tem um espírito mais rigorista e de entendimento dos passos necessários para uma tarefa, sem saltar nenhum. Um letrista não é tanto assim e facilita.
    Para dizer a verdade, nos blogs deixei de dar importância aos erros ortográficos, mesmo os gatos mais felpudos que aparecem.
    Ontem ou hoje já corrigi um errito que passava sem me dar conta: escrevi edulcurado quando deveria ter escrito edulcorado. Mas para atinar fui ver ao dicionário porque fiquei na dúvida. O dicionário que tinha á mão, nada dizia. No ciberdúvidas fiquei sem dúvida.
    No entanto, tive a percepção do erro potencial. O pior é quando não se tem essa percepção.
    Carlos Medina Ribeiro said...
    Caro José,

    De facto, a atenção aos pormenores já é tique (deformação) profissional, na medida em que a maior parte dos problemas com que me defrontei nas obras (Centrais e subestações eléctricas) eram motivados por coisa mínimas:
    Um fio mal apertado, um parafuso caído, um relé mal encaixado ou uma anilha esquecida podiam impedir o funcionamento da instalação toda, e até fazer morrer gente.

    Embora na blogosfera as coisas não sejam assim (felizmente!), há que distinguir "gralhas" de "erros".
    E eu julgo que uma troca de um "HÁ" com um "À" não pode ser aceite como uma gralha. Mas, mesmo que o seja, é daquelas que devem ser corrigidas.

    Também no caso dos erros do Tintim, há-os sem importância (quase todos) mas há também outros graves. O pior de todos (pelas consequências que imagina no ensino da Física, nomeadamente da Óptica) é, talvez, o famigerado arco-íris desenhado ao contrário (com o vermelho em baixo!).

    Não se percebe como é que Hergé o cometeu, mas o certo é que o tenho visto repetido em livros "educativos" (!).

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