Os directores de redacção

No debate na SIC-Notícias que decorre, vários jornalistas-directores de jornais. José Manuel Fernandes, do Público; João Marcelino, do Diário de Notícias; Sarsfield Cabral, da Renascença; João Garcia, do Expresso. Moderador, Ricardo Costa.

De todos, é João Garcia quem coloca a questão correcta: há dúvidas sobre o modo e correcção de obtenção da licenciatura, por José Sócrates e é preciso saber se José Sócrates foi privilegiado na obtenção da licenciatura na Universidade Independente.

João Marcelino, parece não entender. Acha que amanhã, José Sócrates vai esclarecer tudo e fica tudo esclarecido. Curioso..

Sarsfield Cabral queixa-se do comportamento do gabinete do PM, revelando que foi alvo de pressão para não noticiar.

José Manuel Fernandes, tem perguntas para colocar a José Sócrates que relevam das dúvidas que permanecem. Uma delas é a propósito dos professores das cadeiras para conclusão da licenciatura. E cita o aspecto curioso de Sócrates ter afinal dois professores apenas e um deles o próprio reitor, sendo o outro ( António José Morais) um elemento destacado do PS. José Sócrates disse ao Público que não se recordava de quem tinha sido seu professor...
José Manuel Fernandes acha que este comportamente suscita dúvidas e que "o jogo não foi aberto" e as questões adiadas, suscitavam respostas que não pareciam sinceras que determinaram a publicação da reportagem.
Também para José Manuel Fernandes a questão crucial é a do eventual favor a José Sócrates, já então governante e cita o fax emitido no ministério solicitando ao reitor da Universidade, algo que se afigura como um "jeito".

José Manuel Fernandes revela que teve uma proposta de publicação de um artigo sobre esta matéria, "há quase dois anos". Interessante revelação sobre os "timings"...e lá citou a existência de um blog como fonte. Não chegou a dizer o nome do blog que todos eles sabem perfeitamente que é o Do Portugal Profundo, de António Balbino Caldeira, nem algum dos outros achou por bem citar. Ética exemplar...

João Marcelino interpelado por Ricardo Costa sobre " as dúvidas", citando factos algo atabalhoados, diz que sim que também concorda com as "dúvidas", mas nada mais se ouve do actual director do DN, para além da dúvida principal sobre o eventual favorecimento. João Marcelino acha que até agora, nada apareceu para dar consistência a essas dúvidas.
Está à espera do trabalho dos outros, pelos vistos...
Na opinião de Sarfsfield Cabral e de Ricardo Costa, a questão é a do favorecimento e as "trapalhadas" com as notas e os curricula, são secundárias. Pouco lhes interessam...
Os detalhes poucos lhes dizem, querendo saber se houve favorecimento.

Mas para saber se houve favorecimento, talvez seja necessário atender aos detalhes e ás trapalhadas...ou não?
Quem ouve os directores dos jornais presentes fica com a impressão que o jornalista do Expresso é o único que coloca os pontos nos ii.
As prestações de João Marcelino, Ricardo Costa e principalmente Sarsfield Cabral, são francamente deploráveis, enquanto jornalistas.
Com eles à frente do Washington Post, nunca teria havido Watergate. Enfim...é o que temos.

Ricardo Costa acaba por dizer que receberam telefonemas do gabinete do PM e que "tal é perfeitamente normal", dizendo ainda que tinham preparado uma "peça" sobre o assunto das habilitações e em função desses telefonemas, suspenderam a publicação. Depois de dizer isto, acrescentou que não sabia se isso foi por causa dos telefonemas governamentais...
Um retrato perfeito deste inoxidável da informação.

Publicado por josé 22:58:00  

2 Comments:

  1. ricardo batista said...
    E as declarações do PGR, de que não há nenhum elemento que fundamente uma investigação sobre o diploma do PM?
    Gabriel said...
    obrigado pelo relato, não tive oportunidade de ver.
    Gosto sobretudo do último paragrafo. Muito bom.

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