Gol(o) na própria baliza

O jornal Sol ( www.sol.pt) lançou uma suspeita que queima a reputação de uma figura elegível para cargos de responsabilidade no Estado que se querem de algum modo independentes. Escreveu que o Conselheiro do STJ, Pinto Monteiro, teria sido apontado como potencial PGR e a sua putativa filiação no GOL, da Maçonaria (ir)regular portuguesa, o afastaria desse cargo, ipso facto. Para além de nem ser líquida a ilação, fica uma mancha de suspeita sobre a importância negativa de uma filiação em clube secreto e ainda uma verificação de facto: a Maçonaria regular portuguesa não tem boa imagem publicada. Sendo eventualmente constituída por pessoas de bem, que juram praticar boas acções em prol dos irmãos e da sociedade, numa noção alargada de solidariedade, são apontadas frequentemente como mafiosos de vão de escada e suspeitos de vilanias e manigâncias no uso do poder.
No outro dia, um jornal de escândalos que se publica de 24 em 24 horas, anunciava ao mundo que passa nos quiosques e bancas que António Vitorino e Vitalino Canas, tinham sido irradiados do convívio fraterno das pranchas circulares, por não terem pago as quotas societárias. A notícia implicava um juízo negativo sobre aquelas figuras, a que associava muitas outras, mas toldado pela revelação confirmada da respectiva pertença a uma associação secreta.
A Maçonaria portuguesa, na sequência do escândalo da Universidade Moderna ficou exposta ao vilipêndio da opinião publicada por uma evidência explicada:
A Maçonaria não é apenas uma associação de aperfeiçoamento moral através do estudo e respeito do Antigos Deveres.
Infelizmente, a ideia generalizada e corrente, é a de que a pertença ao clube gera vantagens pessoais imediatas e tangíveis, materiais acima de tudo, porque a utilidade se sobrepõe ao que é agradável e respeitável. A experiência e os exemplos concretos, comprovam-no e é aplicável à Maçonaria o aforismo ancestral do mal de Frei Tomás: olhem para o que ele diz; não façam o que ele faz. Cinismo, por isso, é a palavra que define melhor o sentimento de pertença a clubes secretos.
Desta asserção decorre todo o vilipêndio e toda a perseguição movida ao longo dos séculos aos lojistas iniciados. Em abono da verdade revelada, muitos deles reconhecem a justeza e verdade desta evidência.
Um dos requisitos para a inclusão maçónica é precisamente um dos mais importantes e esquecidos na hora:
Declarar, sob palavra de honra, que não se é movido por quaisquer interesses de ordem pessoal ou indignos. Quem se inicia para se valer da fraternidade para a vidinha, desvirtua mesmo ali o valor de qualquer dever. E as evidências de tal procedimento, são, a meu ver esmagadoras. O cinismo deve ser, por isso, o valor mais respeitado na ordem maçónica. Em segredo, como convém.
Em tempos, o antigo grão mestre da Maçonaria do GOL, António Arnaut de sua graça e com respeito, disse numa entrevista uma coisa extraordinária que todos devem conhecer:
Disse que alguns assuntos que nos afectam a todos e que são objecto de apreciação e decisão em forma de projecto ou proposta de lei, pelos governantes, são, ANTES DISSO, discutidos nas lojas que o honorável frequentava.Esta afirmação publicada, é de uma gravidade maior que só por si justifica todas as suspeitas e receios que o actual poder tenha mesmo a intenção firme de colocar no antigo palácio do Duque de Palmela, um nome graduado e habituado às pranchas circulares. Como foram colocados outros, noutros lugares de poder administrativo e organizativo, incluindo variadíssimas empresas de capitais públicos, em lugares de boa administração. Alguns dos colocados até se gabam de serem pessoas de firmes convicções…
Assim, o que parece impor-se cada vez mais, é uma coisa simples e de sanidade elementar:
A viragem do GOL para a luz e a saída da clandestinidade! Impõe-se a divulgação pública dos nomes que compõe o GOL e lojas adjacentes!Basta de clandestinidade! Quem vive na sombra e vive de sombras, e daí manobra mesmo com a melhor das intenções, sendo estas respeitáveis e dignas, apouca-se socialmente, sempre que utiliza esse esquema de secretismo para se infiltrar em círculos de poder temporal, político e social.
E esse fenómeno é indesmentível na sociedade portuguesa, sendo fonte de iniquidades e concentração de poderes fácticos que se revelam ao fim de algum tempo nocivos para os próprios princípios que regem os antigos deveres.
Não deveria ser admissível que a escolha de nomes de pessoas para lugares chave do Estado e da Administração passe por uma filtragem secreta e insindicável baseada em pertença a clubes de segredo e cujos objectivos estão longe dos poderes temporais e afastados dos interesses da vidinha de quem se iniciou.
Aproveite-se o exemplo inglês e frutifique-se nas lojas a observância dos deveres antigos- e modernos. Estes, principalmente, que aconselham a transparência nas escolhas públicas para cargos de responsabilidade pública.

Publicado por josé 12:45:00  

9 Comments:

  1. Antonio Balbino Caldeira said...
    Um post de meta-coragem e que situa a questão do regime no controlo do sistema político pelas organizações secretas.

    Na era da liberdade e da transparência, o controlo quase-ubíquo do Estado pela Maçonaria é absurdo. Mas, para além de absurdo, é também pernicioso se atendermos aos resultados desastrosos que o poder político dependente tem tido na condução do Estado.
    Suspirador said...
    A transparência total é apanágio das sociedades totalitárias, não é?
    GS said...
    para além do que, com a nomeação de Pinto Monteiro para PGR, a eleição do STJ ficaria com candidato único, Noronha do Nascimento, no que resultaria numa efectiva tentativa do governo de bulir com a eleição no Supremo,antecipando-se desde já ao famoso "Pacto".
    lusitânea said...
    Os irmãos(dos vários partidos) despacham nas mesas redondas "antes" das decisões governamentais.Ouros têm as células meidas em tudo o que é poder, por vezes clandestinamente.Pode perceber-se porque atingimos o elevado grau de desenvolvimento enquanto sociedade apesar dos milhões de Bruxelas e das tonelas de ouro e do património "vendido" para tapar buracos finançeiros.
    Tudo com a maior das transparências, no respeito pela ética republicana e sobretudo pelo amor da pátria.
    Infelizmente os Portugueses velhos não lhes reconhecem o mérito esses paspalhos ingratos...
    PlanetaTerra said...
    ///
    MENSAGEM IMPORTANTE:
    - Então, já perceberam?????

    --- Tal como eu já expliquei 'montes' de vezes, o Verdadeiro Objectivo da repressão dos Direitos das Mulheres é obter uma Vantagem Competitiva Demográfica. Os Muçulmanos - perfeitamente conscientes deste facto - continuam a reprimir os Direitos das Mulheres [são tratadas como uns 'Úteros Ambulantes'].

    --- Actualmente está a existir um novo clima de tensão entre o Oriente e o Ocidente.
    --- Se não existissem Armas de Alta Tecnologia [isto é, se as Guerras fossem 'Lutas Corpo-a-Corpo']... então... SE QUISESSE SOBREVIVER, o Ocidente só tinha um caminho a seguir: dotar-se de capacidade de resposta demográfica, ou seja, tal como no passado, o Ocidente tinha de reprimir os Direitos das Mulheres...



    ANEXO:
    ---Para quem ainda não leu, eis o texto que eu já divulguei 'montes' de vezes na Internet:

    A Origem do Tabú-Sexo

    --- Nos tempos mais antigos... as mulheres teriam possuído toda a Liberdade e Independência.

    --- Depois, mais tarde, pela necessidade de luta pela sobrevivência... ou ... pela ambição de ocupar e dominar novos territórios... alguém fez uma descoberta extraordinária: --> A REPRESSÃO DOS DIREITOS DAS MULHERES!
    --- A Repressão dos Direitos das Mulheres tinha como objectivo tratar as mulheres como uns meros 'úteros ambulantes'... para que... as sociedades ficassem dotadas duma VANTAGEM COMPETITIVA DEMOGRÁFICA!!!!!!
    --- De facto, quando as guerras eram lutas 'corpo-a-corpo' o factor numérico ( número de combatentes disponíveis ) era de uma importância decisiva... visto que...esse factor era ( frequentemente ) determinante na decisão das Batalhas e das Guerras...

    --- Depois, pela necessidade de luta pela sobrevivência... ou ... pela ambição de ocupar e dominar novos territórios... alguém fez uma nova descoberta extraordinária: --> O TABÚ-SEXO!
    --- O Tabú-Sexo tinha como objectivo proporcionar uma melhor Rentabilização dos Recursos Humanos da Sociedade!?!?!?!...
    --- De facto, o Ser Humano não é nenhum Extraterrestre: tal como acontece com muitos outros animais mamíferos, duma maneira geral, as fêmeas humanas são 'particularmente sensíveis' para com os machos mais fortes...
    --- Analisando o Tabú-Sexo:
    - a sociedade dificultava o acesso das mulheres à independência económica;
    - as mulheres que não casassem eram alvo de crítica social...
    [ portanto... como é óbvio... as mulheres eram 'pressionadas' no sentido do Casamento ]
    - não devia haver sexo antes do Casamento;
    - as mulheres não deviam procurar obter prazer no sexo;
    - as mulheres que se sentissem sexualmente insatisfeitas, não podiam falar nesse assunto a ninguém, pois o desempenho sexual dos machos não podia ser questionado;
    - era proibido o divórcio;...
    ...........torna-se óbvio que o Verdadeiro Objectivo do Tabú-Sexo eram montar uma autêntica armadilha às fêmeas... de forma a que... estas fossem conduzidas a aceitar os machos sexualmente mais fracos!!!
    --- Dito de outra forma, o VERDADEIRO OBJECTIVO do Tabú-Sexo era proceder à integração social dos machos mais fracos!!!

    --- Nota: Quando as guerras eram lutas ' corpo-a-corpo', para além do factor numérico ser de de muita importância... frequentemente... o que decidia as guerras era a MOTIVAÇÃO com que os combatentes ( os homens ) lutavam...
    --- Concluindo, ao permitir que fosse realizada uma Boa Gestão dos Recursos Humanos da Sociedade... o Tabú-Sexo fez com que... as sociedades ficassem dotadas duma VANTAGEM COMPETITIVA!!!...

    MAIS:
    --- Quando as batalhas eram lutas corpo-a-corpo... essas batalhas seriam autênticas carnificinas... portanto... era necessário uma grande disciplina... para não existirem homens cada um a fugir para o seu lado...
    --- Ora, os responsáveis militares, da altura, não andavam a dormir... e sabiam que para se construir um exército disciplinado era necessário realizar previamente um Largo Trabalho Sociológico de Longo Prazo... no sentido de formar 'Homens Rudes'...; portanto, não é de admirar que tenham surgido na sociedade ' frases-feitas ' do tipo:
    - " um homem nunca chora ";
    - " não és homem não és nada se... ";
    - " a tropa foi feita para os homens ";
    - etc...

    Que eu me lembre... eis três casos curiosos:
    -1- as mulheres tinham de ficar em casa a cuidar dos filhos ( ou seja, era necessário assegurar a Capacidade de Renovação Demográfica...) , caso contrário, o inimigo impunha uma Guerra de Desgaste Demográfico... e ao fim de uma geração ( sem Renovação Demográfica do ‘outro lado’... )... ganhava a guerra 'com uma perna às costas'.
    -2- as viúvas não podiam voltar a casar... pois... não era nada benéfico para a moral dos combatentes... eles pensarem que... se eles viessem a morrer no campo de batalha... depois a mulher ia 'curtir' com outro...
    -3- existia uma forte repressão sobre os homossexuais... visto que ... a Sociedade necessitava de 'Homens Rudes' para combater nas batalhas ( autênticas carnificinas de lutas corpo-a-corpo... ).
    [ Uma Obs. : Uma ineficiente capacidade de formação de 'Homens Rudes'... fez com que... muitas Sociedades não tivessem conseguido sobreviver até ao SÉC. XX ... ]

    P.S.
    --- A 'moderna' Sociedade Europeia é, sem dúvida alguma, a Sociedade mais HIPÓCRITA da História da Humanidade: pretende que sejam classificados como 'PRECONCEITOS'... determinados comportamentos... que foram ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIOS para a sua SOBREVIVÊNCIA!!!......

    ///
    Luís Bonifácio said...
    Uma achega a este Postal

    http://novafloresta.blogspot.com/2006/09/o-estado-maon.html
    rb said...
    Caro José,

    Ouve-se para aí dizer que o próximo PGR será Henriques Gaspar, salvo erro, vice-presidente do STJ. Este é tido como um conservador. Parece-lhe uma boa escolha?
    josé said...
    Esse arrisca-se a ser o eterno candidato...pois já da outra vez o foi.

    Se me parece boa escolha?

    Tanto, como me pareceu a de SOuto Moura. No entanto, nestas coisas só depois se saberá se foi ou não.

    Uma coisa é certa: para alguns será sempre uma boa escolha; para outros, um desastre.

    Parece-me que o problema neste assunto da escolha do PGR é a existência de um equívoco grave.

    Hoje ouvi no Rádio Clube um comentário de Nuno Rogeiro sobre a escolha do PGR. Pareceu-me equilibrado e sensato e ouvi-o dizer que achou o mandato de SOuto Moura, um bom mandato.

    Também acho isso. Mas há por aí muitos ( se calhar o seu caso...) que acham o contrário.

    O equívoco quanto à escolha do PGR parte de premissas que podem não estar correctas. Uma delas é pensar que o MP é uma espécie de tropa...
    Outra será pensar que o PGR é responsável por todo o MP, no que se refere aos Inquéritos e aos falhanços e sucessos processuais.

    Penso que estes equívocos vão continuar e o próximo PGR ( que julgo poderá ser outro e que por palpite soprado e incerto se adianta que o primeiro nome começa pela letra C) vai ter muitas dificuldades em resolver os problemas que agora estão à vista.
    rb said...
    Tem razão, para mim, este PGR não deixa saudades.

    Achava interessante escolher-se alguém fora da magistratura de forma a afastar as críticas, muitas vezes justas, de corportaivismo da instituição.

    Embora não entre nesse perfil, mas porque também me parecia interessante dar-se a vez a uma mulher, Maria José Morgado, seria uma escolha tb interessante.

    Duvido é que tal atrevimento femenino caísse bem nas pranchas circulares ...

Post a Comment