Retratos do trabalho nos blogs

José Pacheco Pereira ataca mais uma vez quem participa em blogs e produz comentários que não lhe agradam. O maior comentador encartado dos media que temos, parece não suportar de todo quem o afronta e não lhe apara o que escreve, diz ou mostra. E por isso, de vez em quando ajusta contas, por escrito. Esta foi uma delas.
Vamos então às contas, a ver se estão certas e verificar afinal quem deve o quê e a quem.

JPP parece não perceber, no escrito que produziu hoje no Público e reproduziu no seu blog, algumas ideias que se podem resumir assim:

1. Os blogs ( ainda) não têm a importância que alguns lhes costumam dar. A prova? A iniciativa pífia acerca da exigência do estudo sobre a OTA e o TGV. Embandeirou em arco, lançou foguetes e foi apanhar as canas, para pouco tempo depois, meter a viola no saco. Outra prova? Secundou uma iniciativa de um outro blog que começa com a letra B, no sentido de perseguir as bruxas feitas familiares e amigos dos que estão no poder, para denunciar publicamente nepotismos duvidosos. Debalde, igualmente. E sem vergonha alguma, também. Só esses dois factos deveriam fazer recolher o ego, fosse a quem fosse, para um recato consentâneo com o estatuto de anódino.
2. Há inúmeros blogs pessoais e intransmissíveis e outros colectivos, muito para além do elenco previsível da meia dúzia, onde pesca informação e opinião e onde vai espreitar. Sim, espreitar, porque só quem espreita para as caixas de comentários pode saber os nomes dos comentadores…citando-os expressamente para os englobar a todos na ignomínia que produziu, insultando-os por junto.
3. Os comentadores anónimos apenas quanto à identidade completa e referenciáveis no uso do pseudónimo que escolhem, são a corrente comum dos blogs e dos sites onde se admitem comentários, em todo o lado, na Net. Por exemplo, nos sites dos jornais, o grau de intervenção de comentadores “anónimos” não difere muito daquele que se observa em alguns blogs.
Pelo contrário, nalguns casos, a violência escrita será ainda maior e denotativa de uma indignação popular que muitos tendem a confundir com populismo, que funciona agora na sempiterna novilíngua, no lugar de “fassismo”.
Quanto a esse populismo e a essa indignação verbalizada e escrita, não vejo grande diferença entre o que se escreve em comentários de blogs e o que se diz no Fórum da TSF…
Assim, a actividade centrada em “dizer mal de tudo e de todos” nem sendo apanágio exclusivo dos comentadores de blogs, ou até mesmo de certos autores de blogs que se encarniçam particularmente, expondo ódios de estimação contra crenças religiosas, clubes, partidos e correntes políticas, também encontra grande e clamoroso eco nos lugares de encontro social, como se reconhece no escrito. Além disso, essa putativa maledicência, nem é assim tão contundente quanto poderia ser. Somos mesmo de brandos costumes, apesar de tudo.
Para comprovar, basta uma busca com guia a certos sites na net, de índole política...e estrangeiros.
No entanto, por cá, Irá JPP sugerir que se policiem os lugares públicos à cata dos subversivos maledicentes? Não anda muito longe disso e já houve um tempo em que isso assim acontecia.

Finalmente, há maledicência e maledicência. E exemplos de maledicência bem mais grave.
Atente-se neste, recente ( de ontem):
Alguém, num programa de tv de grande audiência, dizer publicamente que os deputados que temos no Parlamento, na sua maior parte, “são pessoas que nunca, num país civilizado, deveriam ser deputados”!
Isto é que é a real thing!
Ao pé disto que podem valer umas atoardas acéfalas ou burgessas, proferidas por indivíduos que nem se sabe quem são, numa qualquer caixa de comentários, num blog qualquer?!
Com aquela sentença e duma penada, põe-se em causa todo o sistema de escolha democrática e de organização interna dos partidos! Duma penada, quem proferiu tal tirada, coloca-se naturalmente a si próprio, no patamar superior da inspecção democrática e da sindicância política de todo um sistema!
E se por acaso, for alguém que ao longo da vida aproveitou como poucos o fizeram, as virtualidades de tal sistema, como é que o poderíamos definir?!
Um Sem-vergonha, digo eu que sou anónimo e não quero ofender muito.

Publicado por josé 23:09:00  

18 Comments:

  1. maloud said...
    José,
    Eu não comento o post, porque sou parte duplamente interessada.

    Queria era que me explicasse como é que surgiram aqueles nicks numa espécie de clube de amiguinhos. Eu "conheço-os" quase todos e francamente nunca me passaria pela cabeça juntá-los num jantar. De certeza que haveria mortos e feridos.
    josé said...
    Maloud:

    Eu não conheço esmagadora maioria das pessoas que escrevem nas caixas de comentários. Aceito o que escrevem pelo que escrevem.

    Conheço e tenho apreço pessoal pela Zazie que me parece uma excelente pessoa- até na vida real.

    Quanto ao bunch of nicks, suponho que foram arrebanhados nas caixas de comentários de dois ou três blogs: Blasfémias; Espectro e Aspirina b.
    Ao Blasfémias já lá não ia desde que cortei a confiança que cheguei a dar a alguns postadores. Fui hoje lá comentar e não volto mais. Porque deixou de ter interesse, para mim, embore aprecie a prosa de jcd( que não sei quem é, nem me interessa), por exemplo e que se aproxima de alguma modo do que aqui já se escreveu.

    De acordo com a crónica de JPP é notório que frequenta estas janelas, à socapa, feito voyeur, com propósitos de ler. Se assim não fosse, como é que iria escrever como escreveu, citando os nomes dos comentadores?!!

    Enfim, uma tristeza.

    Mas, como exemplo, quer ver o que acontece noutras caixas de comentários, em blogs estrangeiros?

    Repare nesta, onde coloquei um comentário, um dia destes...

    Aqui.
    António Viriato said...
    Entenda-se certo azedume de JPP pela sua internética relevãncia perdida, bem evidente com a passagem do cometa «Espectro».

    Nunca os blogues de JPP conseguiram atrair nada de semelhante, em matéria de comentários.E nem todos eram produzidos pela «fauna», como ele deverá reconhecer.

    Ninguém reina, em coisa nenhuma, eternamente, como já deixei escrito na «minha exígua trincheira lusíada».

    Outra vez humano, demasiado humano, como costumava exclamar um distante confrade de JPP...
    Antonio Balbino Caldeira said...
    Meu Amigo

    Escrevi sobre o assunto pela tarde. Publiquei à noite, para cumprir o nojo sanitário para não interferir nas vendas do Público...

    Leio-o agora e louvo-a, uma vez mais, na coragem e na franqueza. Louvo-o pelo que é e pelo que sofrerá. O sistema não perdoa.

    Em verdade, a integridade moral dos outros rói os cúmplices do sistema. Pacheco do alto da tribuna ou na bancada do Parlamento, mesmo a coberto da imunidade política, jamais ousou entrar na crítica concreta à corrupção instalada.

    O que fez, contradizendo, como soe, a crítica que atira aos anónimos comentadores, quando espoletou o caso dos sinais exteriores de riqueza de Duarte Lima com o filtro para os jornais da quinta de Janas e do apartamento na João XXI de Duarte Lima. Ou o que fazia que levou Constança Cunha e Sá a referir publicamente que tinha pedido a uma "fonte próxima" do ex-trotskista que dissesse ao Dr. Pacheco Pereira para falar mais baixo que não o estava a conseguir ouvir... E que este agora, aproveita para destacar a vantagem no número de comentários sobre o Espectro da Semiramis (de quem desconfia post-mortem...), como quem assinala que o Espectro não teve a importância quantitativa e taxa de crescimento que... teve!

    Sobre o blogar nas horas de expediente, estará ele do lado de quem pediu despedimento de Orlando Cardoso de Pombal?

    Pacheco não suporta a crítica e incomoda-se com a degenerescência do regime. Combata-a em vez de ser cúmplice dela, pelo silêncio!
    e-konoklasta said...
    Informo-vos que vou copiar/colar o post e os comentários para a caixa de comentários do meu blog, como para o da Origém das Espécies. Onde o texto do JPP também foi citado.
    maloud said...
    José
    Obrigada pelo link. Já li.
    Enviei um e-mail ao JPP lamentando que insulte quem não conhece e dispensando-o de fazer psicologia sobre mim. Informei-o que se necessitar pago do meu bolso especialista, porque nunca vivi, nem conto viver à custa do Estado. Também o informei que comento, porque sou uma cidadã livre, num país livre, que tem PC e o supremo luxo de não ter de prestar contas do uso do seu tempo. Isso, algures, valeu ser chamada de snob e elitista e agora ele classificava-me como invejosa do poder.
    Só não lhe disse que envio sempre o meu e-mail, para os blogs, onde comento com alguma frequência, {a GLQL já o tem} porque acho que ele não perceberia a subtileza do gesto.
    lusitânea said...
    maloud
    Eu tenho que confessar ser estranho que só comente.Nada no seu blog
    Ao menos podia lá meter todos os comentários...
    Isto sem sentido critico uma vez que não estou a par das suas intervenções
    Bom sono
    Cavaleiros do Apocalipse said...
    Mau caro José: "quem não deve não teme" reza a crónica.
    Nao reconheço ao PP o direito de criticar os meus comentários, precisamente pq ele é incapaz de aceitar comentários no seu blogue. Não reconheço a um ex-trostkista o direito de mandar calar quem opina (bem ou mal)....e quem conhece Trostky sabe bem onde as coisas podem chegar.. Não reconheço ao PP o direito de nos chamar criminosos pelo direito de opinião...e sobretudo quando nos solicitam esforços de toda ordem e espécie. Finalmente, raras foram as vezes em que li o blogue de PP simplesmente porque não o conheço de lado nenhum para se augurar em autoridade moral.
    E por falar em baixo-nivel, estupidez, insultos e outras coisas mais veja-se o programa onde participa na televisão....em casa de ferreiro espeto de pau....é assim....mas tb é para o lado que devemos dormir melhor...cuculus non fascit monachum....a abelha nunca chegará a elefante....simples.
    O segundo comandante de Lisboa
    www.filhosdanacao.blogspot.com
    Gomez said...
    Mais uma vez, JPP fez generalizações abusivas e difamatórias para alguns dos citados.
    A sua arrogância e incapacidade de conviver com a crítica, por demais conhecidas, não parecem sequer alheias à selecção de alguns dos comentadores visados.
    Já não há pachorra para estas manifestações do "lado lunar" do comentador-mor da República...
    Gomez
    causidicus@mail.pt
    maloud said...
    O Abrupto, com minha autorização publica o 1º e-mail que ontem enviei ao dr. Pacheco Pereira. Tomo a liberdade de deixar aqui o texto do 2º
    Dr. Pacheco Pereira
    O e-mail que lhe enviei há horas, foi como lhe disse, antea de ler o seu artigo no Público. Escrevi-o com a mesma boa fé com que vivo. Agora, que já li o artigo, porque o meu filho já o tinha comprado, sabendo que a mãe era citada, não o faria com a mesma candura. Apesar do parágrafo, o senhor insulta-me não me conhecendo. Não sou populista, nem proleta da Rede, nem represento o povo, nem invejo mesquinhamente o poder. Sou muito simplesmente uma cidadã livre, num país livre, que tem um PC e que tem o supremo luxo de não dar contas a ninguém do uso do seu tempo. Este luxo levou alguns a considerarem-me snob e elitista e leva-o a si a catalogar-me psicologicamente. Não vale a pena dar-se ao trabalho, porque eu, se precisar da ajuda de psiquiatra ou de psicólogo, procuro-os e pago. Não vivo à custa do Estado, nem à sombra das suas benesses.
    Cumprimentos
    Assinatura devidamente identificativa

    Ao José quero agradecer a oportunidade de permitir os comentários de quem não tem blog, porque não quer ou porque sabe que não tem competência.
    Paulo Ramos de Faria said...
    Bravo, JPP. De uma penada, traçou o perfil da maioria (totalidade?) dos portugueses que passeiam pela blogosfera. Com efeito, não serão muitos os que nunca comentaram anonimamente ou com um nick.
    Quando comentava no online do Expresso, eu usava um nick. Pertenço, pois, aquela “gente” que vive num “mundo perverso, ácido, infeliz, ressentido”.
    Deus nos livre das jactantes análises (sentenças) sociológicas de bolso como aquela que se encontra condensada no último parágrafo do texto de JPP.

    Ps: A insólita inclusão do José naquele elenco de comentadores anónimos deve ter dado imenso gozo a JPP.
    Ou talvez não seja insólita. Talvez a msior parte restantes é que tenha sido incluída apenas para compor o ramalhete.
    josé said...
    Maloud:

    Permite que coloque o seu último comentário em postal?!
    maloud said...
    José
    Claro que sim. Queria adverti-lo que ontem o Luís do Tugir me ofereceu espaço, para responder ao Dr. Pacheco Pereira. Acabo de lhe mandar um e-mail com o 2º que escrevi e depois acrescentei que os meus nicks deviam ter sido "pescados" no Espectro. Ora eu tive o cuidado, desde que comecei a comentar, de enviar o meu e-mail à Drª Constança Cunha e Sá, para o usar, se se sentisse incomodada pelos meus comentários. Aliás procuro ter sempre este procedimento em todos os blogs.
    Acrescentei também a minha perplexidade em relação à frase "A sua chegada significa quase sempre uma profusão de comentários insultuosos e ofensivos que afastam da discussão todos os que ingenuamente pensam que a podem ter numa caixa de comentários aberta e sem moderação". Se bem percebi não se condena quem usa o insulto, mas quem "provoca" o insulto. Não gostaria que o Dr. Pacheco Pereira fosse juíz caso tivesse sido violado e dispenso-me de explicar as razões.
    Grata pela sua atenção e paciência. Como calcula estou estupefacta e nervosa, porque nunca imaginei que umas baboseiras, no meu caso, provocassem tamanha celeuma.
    e-konoklasta said...
    Para muitos o meu pseudónimo, e não nick como é apelidado por JPP, é quase desconhecido, só que fica, facilmente na memória, soa como um perfume: iconoclasta, como egoista, ou, ópio...

    Apresento-me, sumariamente, então:

    e-konoklasta, já que este "nick" não lhes diz nada, não o podem associar a um rosto conhecido, pudera, o meio é tão pequenino e asfixiante, que depois de muitos anos fora daqui, não era agora que tinha que passar pelos apertos de mão, beijinhos e palmadinhas, que o pequenino meio exige, para se existir.

    Passei-me com o artigo do JPP, fiquei pior que uma barata, sobretudo que tento preservar o que faço, que tem apenas a importância que lhe dou do que sinto ou do que me choca, e, enviei-lhe um e-mail com um pequeno texto de introdução e a página, inteira, não um link, do http://e-konoklasta.blogspot.com. pois ele não sabia do que estava a falar. A surpresa deve ter sido grande, "parce que je ne fais pas les choses à moitié" e, como era de prever, o meu e-mail não foi publicado com os outros no abrupto... só podia... não lhe convinha. Não tenho nada a mendigar de tal personagem ! No Imago lanço as imagens e os ritmos: http://e-mago.blogspot.com. Longa vida ao pequeno comércio da Grande Loja...
    AM said...
    Apenas um grande abraço a todos os que comentam em blogs.
    Excepcionalmente desta vez sem distinguir entre aqueles com os quais concordo e os de que discordo, aqueles que me insultam e os que retribuo.

    Um muito especial para a Maloud que tem mais competência que qualquer Pacheco e, mesmo assim, continua a não querer ter blog :(

    AM
    piscoiso said...
    Pacheco tenta uma vaga de fundo para restabelecer o share do Abrupto.
    O que é preciso é que se fale dele. Mal ou bem.
    O pior é o cheiro.
    Ruvasa said...
    JPP, o tipo que vive à custa das ideias e do esforço dos que afanosamente lhe fazem o blog, que ele não sabe fazer, e bem assim do que colhe em outros blogs que percorre, tentando passar despercebido, é, todos bem o sabemos, inefável, pelo que nem vale a pena perder tempo com tal criatura.

    É preciso não esquecer que se mantém filiado no PSD, para ganhar maior credibilidade e audiência, quando o ataca e, com isso, ganhar uns "tustes" em rádios, tvs e jornais.

    Só esta circunstância o define.

    É isso: JPP é, entre outras coisas, talvez menos respeitáveis, definitiva e irremediavelmente inefável.

    Em país menos lorpa, há muito que JPP estaria a cuidar do batatal, se quisesse comer regularmente. Em Portugal, está candidato ao Nobel da sabedoria do viver à custa do trabalho de outros e muito escrever e perorar, sem nada de essencial, sequer relevante, dizer, o que é uma vida de completa inutilidade.
    日月神教-向左使 said...

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