Notas breves de um terramoto político


... neste caso, o termo «terramoto» não significa, necessariamente algo de negativo.

O quinto lugar do Likud constitui uma revolução no mapa político de Israel. A derrocada do inenarrável Netanyahu é, obviamente, uma boa notícia. (baixar o Likud, partido de poder desde 1948, para 11 lugares no Knesset é a melhor prova de que a posição de 'duro' está ultrapassada na forma de encarar o conflito)

O Kadima venceu, como se esperava, ainda que por uma margem mais curta do que se previa. Olmert era a única solução viável para dar seguimento à linha traçada desde 2002. Peretz é, ainda, uma incógnita, mas colocou-se, com um bom resultado do Labour, como o aliado natural do Kadima.

Um governo de aliança de centro-esquerda, falta saber com a presença de que pequeno partido, surge como o máximo denominador comum de uma enorme vontade expressa pelo eleitorado israelita em prosseguir a via da cedência gradual (no seguimento da saída de Gaza), do diálogo (possível) perante uma liderança palestiniana bicéfala (e, neste caso, só se poderá dialogar com Abbas e alguma Fatah, obviamente que está fora de causa encarar um Hamas que continua, mesmo no Governo, a falar na 'extinção de Israel').

Pode ser pouco claro mas, dentro do mapa complexo que o presente afigura para o conflito israelo-árabe, era o melhor que se podia arranjar. Tente-se, então, o impossível.

Publicado por André 01:55:00  

1 Comment:

  1. sniper said...
    Meu caro José, são estes os passos que lhe falava na "Sombras de Apóstatas", que vale a pena apoiar e defender apesar do fogo de barragem de uma certa inteligência portuguesa e europeia, egoísta e preversa. Lembram-se do célebre passeio do Sharom pela "esplanada" das Mesquitas, a violência e ódios que geraram? Pois meus caros, se hoje existe Kadima, um "road map", e pressão para que haja mudança, para por o Likud onde está, devem em parte a uma administração republicana nos EUA. Com os democratas no poder, isto era impossível. Apesar de eu pessoalmente ser contra a existência do Estado de Israel, o problema não pode ser resolvido como o Hamas, e a inteligência europeia quer...É hoje imposível acabar com Israel. Temos que encontrar uma saída compatível com os mais altos valores da nossa civilização, deixar-nos de merdas.

    P.S.- Minha cara Formiga Bargante,
    Não lhe respondi na "Sombra dos Apóstatas", porque mais uma vez estava fora....,mas em serviço relacionado com a minha actividade profissional,para complementar a minha formação e conhecimentos...Para semana também em serviço, vou a um país muito interessante... Formiga Bargante e José, vou dar a minha muito humilde contribuição para esta discussão sobre o Vietname e McNamara, que é o livro, "Our Vietname: The War 1954-1975, escrito por A.J. Langguth". Espero que gostem, e percebam quando falo da total inutilidade de extrapolar do Vietname para o Iraque, NeoCons, etc. O Mundo muda a velocidade vertiginosa. Os europeus não.

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