um comentário e um desafio

A histeria anti-judicial que refere, mais do que contribuir para o aperfeiçoamento do sistema, tem contribuído para enfraquecer o Estado de Direito. Um destes dias, vamos sentir a falta uma Justiça serena, cujo tempo não seja o dos telejornais e cujo código não seja a previsível cartilha dos comentadores vinculados a interesses vários. Por isso é que quando o José aqui faz de Advogado do Diabo, tem o mérito de nos obrigar a pensar em aspectos que os media tradicionais e seus comentadores encartados ignoram ou ocultam - tenha ou não tenha razão. Só tenho pena - muita até! - que os "watchdogs" do José que por aqui aparecem raramente contribuam para um contraditório digno desse nome. Em geral, são prolixos em provocações sobre questões laterais, sobre processos de intenção, mas quanto a argumentos sobre as questões de fundo tratadas nos posts: zero.

Publicado por Manuel 20:32:00  

9 Comments:

  1. Anónimo said...
    Lindo!

    O Gomez, irmão desta loja, escreve a elogiar o josé, irmão desta loja, numa caixa de comentários e o manuel, membro da mesma fraternidade, eleva o comentário a post.

    Serão gémeos? Ou serão tão unidos que são só um?

    um leitor eternecido ...
    zazie said...
    viva Gomez!

    bora postar que já temos saudades
    Anónimo said...
    Onde estão os relatórios da investigação aos milhões de chamadas telefónicas que se encontram no processo da Casa Pia? É que o van Kriken não tem falado de outra coisa, mas não vejo ninguém a responder a isso. Porque será? terá mesmo havido ocultação de provas - como ele afirma? Terá mesmo Souto Moura mentido no Parlamento quando disse que tinha recebido os relatórios e não os recebeu? responda-nos a isto, José. É que a notícia do 24 Horas é da autoria do van Kriken pelo que urge perguntar porque cascam no 24 Horas e não no van Kriken? Será para enganar o pagode?
    Gomez said...
    O primeiro anónimo demonstra à saciedade o teor do comentário.
    O outro (?), das 10:40, que um gato pode estar escondido com o rabo de fora...
    Continue(m)!
    P.S. - Nesta Loja não há alter egos.
    É curioso said...
    Pior que uma justiça que erra é uma justiça com medo de errar.
    rb said...
    Era mesmo muito bom que tivessemos uma justiça mais serena e, já agora, também mais sentata, com sentido de legalidade e proporcionalidade. Seguramente não será a fazer "rusgas" a jornais e jornalistas, à boa maneira pidesca, para tentar saber como descobriram eles que, no processo casa pia, estava algo que NUNCA, em tais circusnstâncias, devia lá estar. Pobre justiça esta, sem pejo em exibir autoridade gratuita.
    josé said...
    Caro atento:

    Mesmo que possa ter razão na sua opinião, deve concordar que a opção pela busca foi legal e admissível.
    Logo, só se pode questionar a sua proporcionalidade e adequação no caso concreto.
    Esperemos explicações de quem dirige o Inquérito, mas não façamos juizos sumários e apressados só porque foi buscada a redacção de um jornal.
    E daí? São mais ou melhores do que a casa particular do António Balbino Caldeira, por exemplo?!
    Anónimo said...
    Pois é isso mesmo é José! Esse António Balbino Caldeira apresentou-se em tribunal defendido pelo José Maria Martins, o advogado (?) do Bibi, e as testemunhas foram o Pedro Namora, a Catalina Pestana, a Ana Paula (filha da cozinheira, amiga de Bibi) e a Felícia Cabrita. Só faltaram lá o nosso amigo José e o Manuel.
    rb said...
    O meu Caro José diz que "a opção pela busca foi legal e admissível". No campo meramente teórico sim. Não há qualquer proibição de buscas nas redações de jornais. Mas atentemos no caso concreto. Como sabe, o mandado de busca tem de ser fundamentado e segundo afirmou o director o fundamento era encontrar os ficheiros do envelope 9. Ora, se como sabemos tá toda gente se "cagando", incluindo o MP, para o segredo de justiça - o maior embuste do nosso processo penal - como posso aceitar adequada a busca a um jornal para saber como obteve uma notícia do processo que sabemos ser VERDADEIRA. A mim isto parece-me totalmente desproporcional. Acresce que a busca é feita passados 30 dias e depois de grande alarido sobre o assunto, com o PR à mistura. Se havia algo a esconder ou destruir, huve mais do que tempo de o fazer. Neste contexto, a diligência mais pareceu um acto de demonstração de autoridade e intimidação. A obtenção de prova por meios tão violentos como as buscas ou as escutas telefónicas, que constitui uma agressão brutal à esfera pessoal e intima dos visados, deve pautar-se por critérios exigentes e rígidos de excepcionalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Ora, tudo indica que neste caso isso não foi devidamente ponderado. Mas aguardemos os próximos episódios.

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