'o caminho mais fácil', segundo João Pedro Henriques

Ontem, o João Pedro Henriques assinou um curioso ensaio, entitulado "O 'duplo' erro do 24 Horas". Um ensaio que merece ser lido, quanto mais não seja para se perceber melhor como 'pensa' de facto alguma inteligentzia deste país. A tese do JPH é simples - "o duplo "erro" do 24 Horas é ser tablóide e não estar do lado da polícia." (sic) "Em vez de fazer o jogo populista e justicialista das catalinas pestanas e dos pedros namoras deste mundo, o jornal escolheu apostar no escrutínio não dos arguidos mas sim da investigação - ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com o Correio da Manhã ou com a TVI." (sic)

É uma tese simples, popularucha, e absolutamente demagógica, ao nível do melhor do 24 Horas, porque absolutamente contraditada pelos factos. E os factos são simples, dolorosamente simples. O 24 Horas não está num patamar muito diferente do Correio da Manhã ou sequer do da TVI (se bem que neste último caso seja mais uma questão de estilo que de substância), está - quanto muito - ao mesmo nível. A única diferença é que o 'sinal' é contrário. Calhou. Onde uns farão 'copy & paste' de um lado, o 24 faz do outro, sem contraditório. É pois da mais atroz ingenuidade escrever coisas como ...

é complicado - e arriscado - para um tablóide alinhar no escrutínio da investigação judicial em vez de fazer o jogo popularucho das "crianças" e da condenação dos "poderosos", mil vezes mais rentável, em termos de audiência. E não só mil vezes mais rentável como também mil vezes mais fácil, porque, como é óbvio, dá mil vezes menos chatices ter ao nosso dispôr o aparelho de Estado policial e os respectivos meios.

... porque é falso. O que o 24 Horas faz é o mais fácil, o infinitamente mais fácil - malhar num Estado e numa justiça que ninguém respeita e leva a sério, lançar a confusão, porque sim. É mais fácil colocar o Bibi na capa uma e outra vez e dizer que ele é um 'monstro' - porque sim, porque é limitado e até não terá os parafusos todos. Como o Bibi não frequentou nunca os nossos círculos sociais, até porque tem um advogado, no mínimo, 'extravagante' já não é merecedor, por parte do 24, de um 'escrutínio' à investigação - esse já pode ser pedófilo, e ponto final. Isso é que é infinitamente mais fácil!

Mas, num ponto o João Pedro Henriques tem carradas de razão. Os jornalistas portugueses não fazem, nem sabem fazer, investigação (há obviamente honrosas excepções) e compram quase sempre tudo feito. Limitam-se a ser caixas de ressonância de tudo quanto é corporação e interesse instalado. Não tem memória, não sabem contextualizar e adoram raciocínios simplistas, e depois, claro, coitadinhos, não tem culpa nenhuma do actual estado de coisas. Um estado que ajudaram a construir e que dia a dia também legitimam por acção e por omissão.

Escolhem sempre o caminho mais fácil. Pedir-lhes outro, estou consciente, é claramente pedir o céu. As coisas são como são.

Publicado por Manuel 16:32:00  

7 Comments:

  1. Anónimo said...
    E o senhor bibi nao confessou que era pedófilo? ponto final. Nao é monstro porque nao frequenta os circulos!?

    Quanto dinheiro é que o país já gastou com esse processo, quanto dinheiro já ganharam à custa disso, com o confessa nao confessa, o show-off dos advogados, quanto protagonismo! E as vitimas?

    Uma palhaçada
    Anónimo said...
    É exactamente nessa parte de os jornalistas se limitarem "a ser caixa de ressonância de tudo quanto é corporação" que a GLQL aposta...
    Mais Notas Soltas said...
    Jornalistas portugueses? Quais? Onde???
    Anónimo said...
    Subscreveria por baixo o que escreveu João Pedro Henriques.
    Manuel, como José e outros anónimos da «venerável Loja», está enfurecido, porque sabe que tudo vai acabar mal, seja com Sampaio seja com Cavaco! Não percebem. Julgam que falam para fora, embora se babem!
    Nuno said...
    Como cidadão que procura estar atento ao que passa à sua volta pergunto : onde está o "magnífico trabalho jornalístico" do 24 horas ???
    Pelo que vi relatado, a notícia por eles dada baseia-se num facto real : havia disquetes com registos de chamadas de mais números de telefone do Estado do que aqueles para que havia sido pedida a respectiva discriminação. O jornal não só o detectou, como identificou quais eram os titulares dos outros números de telefone(alguém da PT os terá ajudado a descodificar esses números ? Não imagino que se telefone para o número confidencial do Presidente e ele atenda identificando-se ).
    Para além disso o jornal limitou-se a debitar "clichés" insinuando que os investigadores até teriam pedido esses números ( não respondendo à pergunta que qualquer leitor comum poderia fazer : o que foi pedido à PT, foram mesmo todos esses números que lá estão ? ), branqueando a eventual incompetência do funcionário da PT encarregue de extrair a informação das bases de dados ( porque não investigaram quem era ele : seria um dos numerosos incompetentes a quem são dadas responsabilidades neste pobre país ? ), deturpando os factos dando a entender que o Presidente e outras entidades teriam sido escutadas, etc. etc. ( não quero prolongar o comentário )

    Que o "povinho" até goste deste jornalismo eu percebo, agora que pessoas com alguma destreza intelectual o possam defender isso é que está para além da minha compreensão !

    Nuno
    josé said...
    Nuno:

    A maioria das pessoas de boa fé, sem vinculação a interesses politico-partidários e objectivamente independente, lê a informação e percebe instantaneamente que ficam por responder muitas perguntas e outras são colocadas de forma enviesada e manipuladora.

    Algumas delas são aquelas que colocou- e muito bem.
    Há outras que só o MP e quem investiga pode responder cabalmente.

    A (des)informação de jornais como o 24 Horas ( mas não só, pois também o Público tem sido pródigo nessa pecha)é altamente nociva para a opinião pública em geral que não consegue ler criticamente o que se lhe dá como informação.
    Logo, é inteiramente manipulada se para além disso, também tem as suas preferências clubísticas. Assim se gera a opinião pública através do que vam sendo publicado.

    Aqui neste blog, tenho a preocupação de pegar em certos casos que se me afiguram evidentemente manipuladores e desinformadores, e tentar mostrar o logro.

    O que escrevo fica à consideração geral.
    Até agora, nunca me vieram argumentar de forma a me convencer de algum erro de análise que tenha cometido.
    No entanto, começo a ter feed back de insultadores e caluniadores anónimos.
    Espero que não sejam jornalistas, mas se forem, podem sempre pedir informação por mail...
    rb said...
    "Os jornalistas portugueses não fazem, nem sabem fazer, investigação...". Bem, pelo menos ficamos a saber o que está no envelope 9 e que este estva no processo casapia. Benditos jornalistas que o descobriram. Ao menos para isso serviram.

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