o portal mp3

O Ministério da Justiça tem novo site. Está melhor que o anterior, no aspecto geral, o que, aliás, não era difícil de conseguir.
Nota-se contudo, um esforço de actualização que é o espelho deste governo e particularmente na área desse ministério, cujo ministro, por tudo e por nada, aplica ao discurso de circunstância, o conceito de “público”, para legitimar medidas avulsas contestadas pelos profissionais do foro.

Assim, como indica Joel Timóteo R. Pereira, do blog Verbo Jurídico, a referência a órgãos de soberania, com direito a menção directa no portal e assim considerados, são três! A saber: Presidente da República, Assembleia da República e Governo!.
O quarto, os Tribunais, definidos na Constituição da República, que lhes consagra dois Títulos e quatro Capítulos, fica nas entrelinhas de quem sabe ler. Em Portugal, como é público e notório, neste campo, o conhecimento é vasto e dispensará, por isso, a referência…

Também é muito curiosa a nova semântica: " A justiça ao serviço do cidadão e das empresas" !Tal é o subtítulo que encima o portal.
E torna-se interessante ler o verbete "Justiça e tribunais" na mesma linha semiótica que dá nome ao site: "Portal da Justiça"!
Portal de alguma pompa e circunstância, neste caso, ao assimilar metonimica e eficazmente a ideia de "Justiça" ao funcionamento burocrático de um departamento governamental de um Ministério... e portanto do poder executivo e de um órgão de soberania que é o Governo. Governo que segundo a Constituição, é "o órgão de condução da política geral do país e o órgão superior da Administração Pública".

Assim, designar o site como Portal do Ministério da Justiça ainda vá...agora, colar-lhe a própria ideia, comprimindo a expressão, é fenómeno tipo mp3…ou reflexo condicionado de quem diz “público” em vez de povo, sociedade ou simplesmente pessoas . É confundir pela compressão.
É, no fim de contas, uma imagem impressiva deste governo.

Publicado por josé 15:17:00  

1 Comment:

  1. O Pastel said...
    Aquele ser humano que representa o Estado Português na Justiça tem definitivamente um qualquer complexo para com os tribunais.
    Este facto do protal da Justiça vem demonstrá-lo.

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