oito e oitenta

Enquanto continua o delírio acerca do TGV, que agora segundo o ministro Mário Lino vai criar 100 000 empregos, convinha que se considerassem alguns 'detalhes'. Quanto vai custar uma ligação Porto/Lisboa de TGV, e de avião, via Ota? Só isso - 'quanto' vai custar, e depois comparar com quanto custa um bilhete da Ryanair para Londres. O actual modelo de desenvolvimento, para além da insustentabilidade económica, arrisca-se a conseguir o inacreditável - o Porto, por exemplo, ficar mais 'perto' de Londres, e de Paris, e da Alemanha (via low cost) que de Lisboa. Nos entretantos, e enquanto se mantém, por absoluta teimosia, as SCUTS temos custos, onde há portagens, absolutamente mirabolantes, que permitem à BRISA ser literalmente das empresas do sector mais rentáveis da galáxia. Ou oito ou oitenta.

P.S. A Varig já não vai ser da TAP.

Publicado por Manuel 12:48:00  

7 Comments:

  1. António A. Antunes said...
    Vou ligar ao Mário Lino. Não estou desempregado, mas deve ser fixe trabalhar no TVG. Quanto mais não seja, deve ser divertido ver a cara do único viajante que deve fazer lisboa-madrid, uma terça-feira à noite.
    Padeira said...
    O TGV não tem que se preocupar com os clientes, porque ao colocr o aeroporto de Lisboa na OTA, a ligação Lisboa-Porto por avião fica completamente inviável.

    A OTA, também ajuda a "viabilizar" o TGV, ou melhor, ajuda a evitar que o buraco financeiro seja tão catastrófico.

    ISto, claro, independentemente de a catástrofe ser praticamente inevitável.

    Entretanto, sabemos que as SCUTS, já atingiram um custo de 16.000 milhões de Euros.

    As SCUTS, eram aquelas auto-estradas que acabaríam por ser rentáveis a longo prazo.

    Se o sr. ministro Lino, pudesse ser criminalmente responsabilizado, no futuro, seguramente que não teriamos este forrobodó de despesismo.

    Mas em Portugal, as responsabilidades são uma coisa muito bonita para florear discursos. Quando se trata de julgar a sério e determinar quem é que vai parar com o respectivo traseiro a algum calabouço, então florescem incidentes de recusa de juiz, truques, e interpretações criativas da lei.

    Cada vez mais, parecemos ser governados por autistas.

    Da esquerda à direita.
    Pedro M said...
    "Quando se trata de julgar a sério e determinar quem é que vai parar com o respectivo traseiro a algum calabouço, então florescem incidentes de recusa de juiz, truques, e interpretações criativas da lei."

    Exacto.
    A minha esperança - como cidadão que defende o estado de direito - de contar com o poder judicial para combater parte dos males da nação, já morreu. A magistratura passou a fazer parte do problema.
    Há que passar a discutir outro tipo de soluções. Trágico mas necessário.
    Já não me convencem do contrário.
    Sérgio said...
    ...e enquanto se mantém, por absoluta teimosia, as SCUTS temos custos...

    Para acabar de uma vez por todas com a história de acabar com as Scuts, há que dizer de viva voz, e com os números à frente, que os automobilistas já mais do que pagam as estradas.

    A manutenção das estradas nacionais em Portugal custa meio milhão de euros ano. O pagamento das Scuts custa mil e cem milhões de euros. O Imposto Automóvel mais o Imposto Sobre produtos Petrolíferos arrecadam quatro mil milhões de euros. Ou seja, mais do dobro do custo das estradas em Portugal.

    Não é teimosia. É justiça. E se é para ser pelo princípio do utilizador pagador, quero o IA a metade e o ISP a metade, porque andam a pagar os hospitais de alguém (eu não me lembro de alguma vez ter entrado num hospital público).
    NP said...
    Ainda que mal pergunte:

    - que vai acontecer à CP com esta lengalenga do TGV ?

    - O que se vai fazer aos alfas pendulares que nunca chegaram a ser usados na plenitude por causade falhas na linha ?

    - deixam de haver comboios regionais para o norte a parar nas terrinhas ?
    lapis rabugento said...
    caro manuel, gostei do atestado de incompetência e de loucura que passou ao Durão Barroso por ter acordado quatro linhas de TGV com os espanhois. Foi boa, essa. hehehehe...

    E gostei também de o ver defender acabar com os combóios todos, em especial os suburbanos de Lisboa e Porto que dão prejuizos monstros, os metropolitanos de Lisboa e Porto que ficam pelas ruas da amargura, as CRIL, CRIP, CREL e CREP que só dão prejuizos, enfim todas as rodovias que atravessam ou circundam Lisboa e Porto, porque nada disso é rentável e consome os impostos dos transmontanos, dos beirões, dos alentejanos, dos algarvios, etc.
    Acredite que gostei mesmo da sua larga visão para o país. Com portugueses assim vamos longe.
    Continue assim para bem dos beirões, transmontanos, e alentejanos.
    Olhe, e já agora acabe com as estradas municipais e nacionais, e feche os hospitais, as escolas, porque isso tudo dá prejuizo. Sem esquecer também de fechar muitas empresas e serviços municipalizados, que só sobrevivem porque pagamos impostos.
    E porque não também despedir todos os funcionários públicos?

    O seu post é das coisas mais inteligentes que li até hoje.
    Obrigado pelo prazer intelectual que me deu.
    Continue com esse wisky que vai muito bem.
    Olhe, e já agora mande o Fontes Pereira de Melo à outra banda, mas a nado, para não termos de pagar impostos para a Fertagus ou para a Transtejo.
    IAS said...
    Que bela salada. Misturar comboios de alta velocidade, aeroportos, carreiras aéreas regulares, carreiras aéreas low-cost e ainda rodovias num só texto tão curto é no que dá. Se quer mesmo ir mesmo pelo mais barato o melhor será ir à boleia.

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