A classe dos políticos -epílogo

Aqui fica o epílogo do texto publicado mais abaixo:

"É dever dos patriotas e democratas lutar contra tudo isto. Se não se mudar até ao fundo tudo isto, colocando o sentido do Estado e da sociedade - em suma de Portugal - acima do sentido partidário, só legítimo ao serviço de Portugal, nada de substancialmente diferente se construirá em Portugal. Haverá solução? Não serão isto males comuns da democracia? Creio que há solução. E que, se em Portugal conseguimos alcançar um elevado grau de perversão do sistema partidário - que não é representativo e nacionalmente útil, não tanto porque falte este ou aquele partido, mas porque todos corporizam equívocos e todos exercem no sistema uma intolerável função totalitária, também haveremos de ser capazes de pôr tudo no são."
A.L.Sousa Franco, in O Jornal de 10.11.1978 , sob o título " Reflexão sobre a classe política".

* Professor da Faculdade de Direito de Lisboa, [ falecido em 9.6.2004] . Deputado do PSD e anterior presidente da sua Comissão Política. Secretário de Estado das Finanças do VI Governo Provisório. Desde então dirigente e dissidente do PSD; fez parte do Governo de A. Guterres de quem disse depois ter sido o pior governo desde o tempo de D.Maria, apesar de considerar o "António", o melhor .

(1) Este termo tem motivado várias interpretações e alguns equívocos. Num próximo artigo apreciaremos o tema.[Sousa Franco referia-se ao termo "situacionismo" e o tal artigo próximo nunca cheguei a ler.]

Publicado por josé 21:17:00  

10 Comments:

  1. AC said...
    Uma questão subjacente é que o situacionismo evoluiu, alastrou-se, alapou-se, consolidou-se tornando-se impermeável.

    Alguns poucos lutam verdadeiramente, outros integrando a própria situação, governam-se. Não creio que se produza qualquer alteração que vise pôr os interesses da nação acima de outros no actual modelo político.

    E em boa verdade, este modelo deu provas do que realmente vale. Delapidou o ouro Salazarista, os fundos vindos da EU, os nossos impostos, os nossos fundos de pensões e ainda nos endividou em 2 mil contos por cabeça. Simultaneamente, gerou 500 mil desempregados, agravou dramaticamente o custo de vida, 20% da nossa população vive na miséria e colocou, apesar dos rios de dinheiro da EU, Portugal na cauda da riqueza europeia.

    Há que mudar o rumo. Mudar o sistema político e acima de tudo, mudar quem nos tem dirigido neste últimos 30 anos.
    http://desgovernos.blogs.sapo.pt/
    zezepovinho said...
    Muito bem sr. ministro da Economia!

    Finalmente um acordo com a ENI no turbilhão da GALP. E é assim com a prata de casa e sem consultorias milionárias dadas aos amigalhaços, que se resolvem os berbicachos complicados herdados dos anteriores governos. Foi assim com a Torralta, foi assim com as energias alternativas renováveis, foi assim com o bloqueio a outros operadores pela PT na banda larga e Internet, foi assim com o novo aeroporto de Lisboa, foi assim com o TGV, foi assim com o Alqueva, foi assim om a nova refinaria de Sines, foi assim com o défice das contas públicas, etc., etc. Muito bem! Finalmente temos um Governo e um rumo para Portugal!!! Grossos investimentos vêm aí. Portugal vai finalmente progredir mais do que nos últimos quatro anos.
    zezepovinho said...
    Muito bem sr. ministro da Justiça!

    Depois das Lojas do Cidadão, agora temos centros de atendimento que permitem a criação de empresas em cerca de uma hora. Portugal coloca-se, assim, na vanguarda da Europa nesta matéria.

    O programa «Empresa na Hora», que permite a constituição imediata de sociedades comerciais, já está disponível em sete novos locais de atendimento nas localidades de Lisboa, Sintra, Viseu e Loulé. Estão já em funcionamento os postos de atendimento nas Conservatórias do Registo Comercial de Sintra, Viseu, Loulé, no Registo Nacional de Pessoas Colectivas em Lisboa, bem como, nos dois Centros de Formalidades das Empresas de Lisboa e em Loulé.

    Com estes novos locais de atendimento eleva-se para dezanove o número de locais onde é possível constituir uma «Empresa na Hora». Recorde-se que desde 14 de Julho, já era possível constituir «Empresas na Hora» nas Conservatórias do Registo Comercial de Aveiro, Barreiro, Coimbra, Moita e nos Centros de Formalidades das Empresas de Aveiro e Coimbra, e desde 15 de Novembro, nas Conservatórias do Registo Comercial de Beja, Braga, Bragança, Guarda, Vila Nova de Gaia e no Centro das Formalidades das Empresas de Braga. Até ao dia 14 de Dezembro já foram constituídas 1549 «Empresas na Hora». O tempo médio para a sua constituição foi de 1h13m. No dia 27 de Dezembro foram constituídas 50 sociedades, o que representa o número máximo de empresas criadas num único dia.

    A entrada em funcionamento destes novos locais de atendimento integra-se no plano de expansão deste serviço.

    Notável! E é assim, com a prata da casa e sem consultorias milionárias dadas aos amigalhaços, que se trabalha e bem. Quem diria há um ano que isto seria possível? Ninguém. Pois isto demonstra que quando temos políticos competentes e um Governo com um rumo certo e firme o impossível torna-se possível.

    Finalmente um ministro da Justiça competente, num Governo competente.
    Pedro A. said...
    Um artigo de 1978 com uma actualidade evidente. Se a classe política de então suscitava aquele tipo de reflexão, quanta produção intelectual não estará a ser produzida a propósito dos dirigentes e sociedade surgidos nos anos 90 e 2000?
    Já agora, gostava de saber quem é o membro identificado como José.
    zezepovinho said...
    Muito bem sr. primeiro ministro!

    Como reza a História, a primeira República estabeleceu a escolaridade obrigatória de cinco anos, uma das mais elevadas da Europa daquele tempo. Depois, o atrasadinho e beato do Salazar passou essa escolaridade, numa pimeira fase, para quatro anos e mais tarde para três anos!!!!!!!!!!!!!

    Não satisfeito com isto, acabou com as escolas de professores primários e pôs pessoas com a quarta classe a dar aulas a miúdos. Só mais tarde recuperou as escolas de professores, por pressão dos industrais portugueses. Recuámos assim dezenas de anos, factura que ainda hoje estamos a pagar, embora desde o 25 de Abril tenha havido enorme progresso na qualificação e escolarização dos portugueses. De trinta mil universitários no início da década de setenta passámos para trezentos mil hoje. Mas não chega, estamos ainda longe dos níveis europeus.

    É neste contexto que o programa deste Governo NOVAS OPORTUNIDADES, que pretende dar escolaridade do 12º ano a um milhãos de jovens e adultos, trabalhem ou não, se reveste de capital importância. Oxalá este programa seja cumprido, para podermos dar o salto qualitativo que nos falta e a nossa economia possa finalmente competir com as demais do mundo civilizado.

    Impressionante a pedalada deste Governo. E bem precisa é, para recuperarmos de décadas de atraso salazarista. Muito bem sr. primeiro ministro! Finalmente temos um Governo com visão estratégica e prospectiva!
    diogenes said...
    Ahhhh!!!
    Percebi agora o contexto da afirmação de Cavaco, de que duas pessoas, perante os mesmos factos, chegam a conclusões consensuais:
    "É da relação vertical entre o PR e o primeiro-ministro, o primeiro na dimensão da orientação geral da sociedade, o segundo na dimensão do exercício do poder executivo, que depende a utilização adequada dos indicadores revelados pelos instrumentos de medida. Se ambos, na vizinhança de um ponto de descontinuidade, tiverem leituras divergentes dos indicadores, a descontinuidade não poderá ser evitada, como aconteceu na relação entre Américo Tomás e Marcelo Caetano. Mas se ambos, na mesma proximidade de um ponto de descontinuidade, tiverem leituras convergentes dos indicadores, se não houver discrepância entre a voz de um e o eco do outro, a sociedade terá uma direcção política e ficará criada a possibilidade de neutralizar, no debate político, as divergências de interpretação desses indicadores. Quando se chega à vizinhança de um ponto de descontinuidade, esta é a plataforma política que pode evitar a precipitação."
    "Fim das ilusões/Ilusões do fim"; Joaquim Aguiar pp. 167-168

    Neste contexto estou de acordo com a afirmação de Cavaco mas... ainda acredito que era mais profiláctico submeter a sociedade ao choque da descontinuidade, como aconteceu com todos os países do bloco de leste.
    josé said...
    Caro Pedro A:

    "Se não sabe porque pergunta?"

    A citação é do falecido João César Monteiro. Não sei se é original, mas parece-me genial.
    zazie said...
    bom trabalho josé!

    e excelente citação ":O)))

    um bom Ano para o josé e restantes limianos

    e muitos beijinhos
    zazie said...
    olha, e já agora para o vosso papagaio nonó. Realmente mais nenhum blogue se pode gabar de ter um papagaio de estimação
    ":O)))

    (está a ouvir, zezepovinho, não disfarce...)
    irreflexões said...
    Caro confrade,

    muito e muito obrigado. Belíssimo texto.

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