P*ortugal- país de maravilhas! (36 anos depois de Salazar/ Caetano)

Do editorial do Público de hoje, assinado por Manuel Carvalho:

" Se a decência fose uma exigência nacional, a luta pelo controlo do poder na Galp Energia e na EDP não toleraria aexistência de tantos jogos de bastidores, de suspeitas de pressões e de influências políticas ou de manobras de diversão para dar a um dos actores da peça o papel que não pode nem deve ter. Mas, neste país onde, por tradição, os grandes negócios se fazem com o beneplácito do Estado ou não se fazem, o decoro de pouco vale. Nas negociações labirínticas em torno das empresas do sector energético, até o princípio da mulher de César perdeu o sentido: já ninguém parece, sequer, presocupar-se com as aparências.
Senão, vejamos: foi um ministro de Guterres quem negociou com os italianos da ENI uma participação generosa na Galp? E então? Foi esse ex-ministro quem trouxe para Portugal a espanhola Iberdrola, autorizando-lhe a compra de lotes de acções em empresas públicas que tutelava? Qual é o problema? É esse mesmo ex-ministro que, depois de abandonar o Governo, passou a presidir a essa mesma Iberdrola? O que interessa? É essa empresa que, ao deter mais de quatro por cento da GALP Energia, assumiu uma posição fundamental para se decidir se é Américo Amorim ou a ENI quem, no futuro, vai mandar na Galp? E daí? É esse ex-ministro, ou alguém por ele indicado, que, por decisão do Governo, que é do seu partido, vai poder integrar o conselho consultivo da EDP, no qual poderá aceder a informação valiosa para orientar os destinos da Iberdrola? É a vida! O facto de ser deputado da maioria e, por consequência, de poder aceder com maior facilidade aos círculos de poder político não torna a sua posição, no mínimo, incómoda?"

Na mesma edição de hoje do Público, a pág. 15, assinada por José António Cerejo, a notícia: " Vitorino teve ligações profissionais à Eurominas antes de 1995".
No desenvolvimento, dá-se conta de que Vitorino, o putativo ex-futuro candidato a tudo o que era cargo de prestígio e poder político em Portugal, "manteve ligações profissionais com a empresa Eutominas antes de entrar para GOverno em Outubro de 1995 e assumir, enquanto ministro da Presidência, a direcção das nogociações que conduziram ao pagamento, pelo Estado, de uma indemnização de quase12 milhões de euros à sociedade. "
"(...) em Fevereiro de 1998, três meses depois de Vitorino ter deixado o Executivo , o seu antigo chefe de gabinete, Jorge Dias, ainda acompanhava de perto os contactos de Governo-Eurominas-embora passasse a ocupar funções de coordenador da Comissão de Acompanhamento Permanente da Expo-98 em Dezembro anterior. Trata-se de uma cópia do projecto de protocolo de reconhecimento do direito á indemnização que viria a ser assinado em Abril seguinte e que foi enviado pelo gabinete de Vitalino Canas, então secretário de Estado da Presidência, para Jorge Dias, através da linha de fax do serviço que aquele então dirigia. (...) António Vitorino, juntamente com Alberto Costa e José Lamego, que deixaram o governo na mesma ocasião, lançaram uma sociedade de advogados durante o ano de 1998, sendo José Lamego e outros advogados dessa mesma sociedade que passaram a representar a Eurominas nas negociações com o GOverno, até á assinatura, em 2001, do acordo final sobre o montante da indemnização que o Estado veio a pagar."

O título de primeira página do Público de hoje é " Quase metade dos trabalhadores da construção sem segurança social"!
O presidente do IMOPPI ( Instituto dos Mercados das Obras Públicas e Particulares, a entidade reguladora do sector) diz que há uma "informalidade" no sector e grandes dificuldades em determinar os limites dessa "informalidade"...
O presidente do IMOPPI é Ponce de Leão, cujo perfil profissional, é este:
Gestor da Pleno - Projectos e Instalações, Lda. (1989 a 1992)
Membro do Conselho Directivo do Instituto Nacional de Habitação (1992 a 1994)
Membro do Conselho de Administração da STCP, SA (1994 a 1996)
Membro do Conselho de Administração da ABRANTINA, SGPS (1996 a 1999)
Gestor da OPTAPLANO - Consultoria, Lda. (1999 a 2002).

A fls. 28 do Público, aparece a notícia: "Mudanças na PT com entradas de Granadeiro e Rodrigo Costa." notícia segue com a indicação de que " Como se antevia , o conselho de administração da Portugal Telecom ( PT) votou ontem a favor do alargamento da comissão executiva da operadora de cinco para sete membros, para que pudessem entrar na cúpula directiva da operadora Henrique Granadeiro e Rodrigo Costa, até há pouco tempo quadro da Microsoft." (...) "Ontem , o Diário Económico apontava o nome do socialista Jorge Coelho como provável futuro chairman. Jorge Coelho já o negou."
O maior accionista da PT é a espanhola Telefónica, com 9,64%. A seguir vem o BES com 8,6%. A CGD tem 4,98%. A pergunta que se impõe, então, será esta: Porquê Jorge Coelho?!
E outra ainda:
Que regime político é este que temos em Portugal?!

Publicado por josé 15:05:00  

14 Comments:

  1. Assur said...
    Desejamos um Bom Ano Novo.
    cidadão profissional said...
    Caro José

    Em relação à sua interrogação sobre qual o regime político que temos em Portugal, informo-o que é uma democracia representativa.
    josé said...
    Obrigado. Para perguntas retóricas, respostas a condizer.
    Contudo, V. sabe que há muito mais a pôr na carta. Muitíssimo mais.
    Sente-se bem representado por estes indivíduos que tratam em primeiro ( e último?) lugar, da vidinha, no sentido já referido pelo saudoso O´Neill?!
    cidadão profissional said...
    Caro José
    O que eu não estou interessado é em partidos puros e imaculados. Já assistimos à criação de um, que, como sabe, deu no que deu.
    chuta po tecto said...
    "Democracia representativa" ?!?!?!

    Digamos antes:

    Democracia Mafiosa!
    AM said...
    Mafiocracia
    zezepovinho said...
    Muito bem sr. ministro da Economia!

    Finalmente um acordo com a ENI no turbilhão da GALP. E é assim com a prata de casa e sem consultorias milionárias dadas aos amigalhaços, que se resolvem os berbicachos complicados herdados dos anteriores governos. Foi assim com a Torralta, foi assim com as energias alternativas renováveis, foi assim com o bloqueio a outros operadores pela PT na banda larga e Internet, foi assim com o novo aeroporto de Lisboa, foi assim com o TGV, foi assim com o Alqueva, foi assim com a nova refinaria de Sines, foi assim com o défice das contas públicas, etc., etc. Muito bem! Finalmente temos um Governo e um rumo para Portugal!!! Grossos investimentos vêm aí. Portugal vai finalmente progredir mais do que nos últimos quatro anos.
    zezepovinho said...
    Muito bem sr. ministro da Justiça!

    Depois das Lojas do Cidadão, agora temos centros de atendimento que permitem a criação de empresas em cerca de uma hora. Portugal coloca-se, assim, na vanguarda da Europa nesta matéria.

    O programa «Empresa na Hora», que permite a constituição imediata de sociedades comerciais, já está disponível em sete novos locais de atendimento nas localidades de Lisboa, Sintra, Viseu e Loulé. Estão já em funcionamento os postos de atendimento nas Conservatórias do Registo Comercial de Sintra, Viseu, Loulé, no Registo Nacional de Pessoas Colectivas em Lisboa, bem como, nos dois Centros de Formalidades das Empresas de Lisboa e em Loulé.

    Com estes novos locais de atendimento eleva-se para dezanove o número de locais onde é possível constituir uma «Empresa na Hora». Recorde-se que desde 14 de Julho, já era possível constituir «Empresas na Hora» nas Conservatórias do Registo Comercial de Aveiro, Barreiro, Coimbra, Moita e nos Centros de Formalidades das Empresas de Aveiro e Coimbra, e desde 15 de Novembro, nas Conservatórias do Registo Comercial de Beja, Braga, Bragança, Guarda, Vila Nova de Gaia e no Centro das Formalidades das Empresas de Braga. Até ao dia 14 de Dezembro já foram constituídas 1549 «Empresas na Hora». O tempo médio para a sua constituição foi de 1h13m. No dia 27 de Dezembro foram constituídas 50 sociedades, o que representa o número máximo de empresas criadas num único dia.

    A entrada em funcionamento destes novos locais de atendimento integra-se no plano de expansão deste serviço.

    Notável! E é assim, com a prata da casa e sem consultorias milionárias dadas aos amigalhaços, que se trabalha e bem. Quem diria há um ano que isto seria possível? Ninguém. Pois isto demonstra que quando temos políticos competentes e um Governo com um rumo certo e firme o impossível torna-se possível.

    Finalmente um ministro da Justiça competente, num Governo competente.
    zezepovinho said...
    O regime que existe em Portugal
    É aquele que nenhum bacoco entende,
    Porque a nossa democracia é a tal
    Que todo o povo livre pretende.
    Assur said...
    Self service de entrada reservada??

    Até amanhã amigo José ;)
    josé said...
    Papagaio ou catatua:
    O certo é que é nonó!
    E nunca mais se habitua
    A deixar de ser totó...
    Pedro M said...
    Espero ter saúde para participar no momento em que se vai acertar contas com os nonós deste país.
    Paulo Alves said...
    ...e ninguém reparou no valor deste Editorial. Deste jornalismo -esclarecido, de investigação, independente e implacável com a realidade - o Manuel Carvalho será um dos poucos representantes actuais. Que pena intervir tão poucas vezes no seu jornal! Quanto à matéria, uma vergonha descarada.Só. Mas ninguém, nem Mário Soares, nem toda a «Frente Comum de Esquerda Unida» irá dizer o que quer que seja.
    lusitânea said...
    O que me preocupa é que o dito sistema representativo de 10 milhões se limite a cerca cerca de 50000 militantes de todos os partidos(se a isto chegar...) e depois a poucas centenas de "eleitos" que já vêm do 25 Abril de 1974.... Pelo menos é cansativo ver sempre as mesmas caras que ainda por cima como sempre acontece com a rotina só já dizem coisas ocas mas só fazem o que lhes convém...
    Embora em terra de cegos quem tenha olho seja rei acho que existe muita gente competente e honesta mas como é óbvio é mantida afastada ou afasta-se desta "ditadura" representativa que ainda por cima tem alternadamente alcançado o poder pela MENTIRA PURA sem que daí ninguén tire consequências...
    Na guerra civil espanhola alguém questionou os republicanos pelo facto de haver poucos padres.A resposta foi de cada um se farão dois...
    Esperemos que isso nunca se venha a praticar por cá por algum comité justiçeiro na próxima queda do poder na rua...
    2006 com menos impoistos....

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