(des)Norte completo.

Hoje, no Incursões chama-se a atenção para um debate que ocorreu ontem na RTP/N sobre a novela à volta do Metro do Porto. Ontem, no JN, David Pontes jogava a cartada bairrista 'contra' Lisboa, a propósito do mesmo assunto, e até o habitualmente sóbrio F. José Viegas foi atrás. Hoje ainda Rui Rio, nada megalómano, ao mesmo tempo que manda umas bocas à Ota e ao TGV (minimalista) exige uma ligação TGV Porto-Vigo, recuperando o modelo acordado na tristemente célebre cimeira ibérica ocorrida na Figueira da Foz, no 'tempo' do Dr. Lopes.

Eu já escrevi, no momento oportuno, que a decisão do ministro não me choca, repugna ou muito menos espanta. Tenha, ou não, apenas 10% do capital do Metro do Porto, no que é um mero formalismo, é o Estado, e em última instância nós, contribuintes, que paga sempre a factura, e a quem são assacadas de facto responsabilidades logo, sim o Governo que avoque a coisa para ao menos haver alguém a quem assacar verdadeiras responsabilidades políticas. Logo, eu não quero saber se o Metro de Lisboa, e casos similares, são melhor ou pior geridos, basta-me saber que as coisas no Metro do Porto estão mal, muito mal. Curioso é que toda a gente parece que reconhecer que há coisas estranhas no 'filme' mas sempre ressalvando que isso não justifica o que quer que seja porque, mais uma vez, noutros casos o governo não terá agido. Tese curiosa.

Tese curiosa e perversa, porque ao mesmo tempo se regressa, e logo também pela voz de Rui Rio, a um discurso frentista e demagógico contra 'Lisboa', fazendo recordar o de Fernando Gomes, sim... esse mesmo. É que, não percebem que no fundo o Metro, e a Casa da Música, essas obras 'emblemáticas', são a melhor desculpa que Lisboa tem para que tudo fique na mesma. É triste ver gente do Norte aos pulos para poder ter a 'liberdade' para ter os mesmos comportamentos desviantes de que acusa 'Lisboa', porque 'Lisboa' os tem. Queria é que o Norte, com ou sem 'apoio' de 'Lisboa', fosse um exemplo, e nem a Casa da Música, nem o Metro são, infelizmente, exemplos para o que quer que seja. Não perceber isto é regressar ao grau zero, à 'Pinto da Costa', em que tudo é legítimo porque feito 'contra' Lisboa, ou 'à custa' desta. Triste, muito triste.

A rematar, ontem no tal debate da RTP/N nem Rui Moreira, para quem nada costuma ser impossível ou indefensável, na política como na bola, achava sustentável um TGV Porto-Vigo...

Publicado por Manuel 18:06:00  

5 Comments:

  1. Teófilo M. said...
    Caro manel,

    lá comentar, comenta, agora ler é que não consegue.

    Eu, que sou insuspeito em relação ao Rui Rio, recomendo-lhe a leitura integral do texto do Portugal Diário, sim esse, exactamente, já leu? O presidente da Câmara do Porto recordou que a ligação Porto-Vigo em «comboio de grande velocidade, a 200 quilómetros à hora e não a 300, para que possa parar em Braga», foi aprovada por unanimidade pelos autarcas dos 18 municípios do Eixo Atlântico (nove portugueses e nove galegos)..

    Pois é, o acrónimo é que está errado, não é TGV, é CVE (comboio de velocidade elevada), mas nisso a culpa é de todos um pouco, pois TGV é mais catita!

    Quanto ao folhetim sobre o Metro do Porto, não me pronuncio para já, pois acho que há muitas asneiras que por lá foram feitas sem necessidade, mas espero continuar por cá, para ver se agora, com o governo a dirigir, nos seus destinos algo vai mudar.

    Quanto ao discurso Porto-Lisboa, se quiser encetar um diálogo sério, salte para a arena, pois por cá há muito gladiador desempregado interessado em cruzar ferros.
    Manuel said...
    ó teófilo...

    Mas o RR, quer o CVE ou (já) quer o upgrade para o TGV ? Eu dava-lhe de barato razão se não fosse aquela menção à Figueira da Foz...

    Até novos lados, nõa me parece que tenha treslido o que quer que seja...
    Luís Bonifácio said...
    Se é correcto que algumas das decisões do Eléctrico chamado Metro do Porto, foram mais de promoção imobiliária que de resolução das acessibilidades ao Porto. Também em Lisboa as linhas do Metro são desenhadas a pedido de promotores imobiliário.
    Cito como exemplos o prolongamento da linha azul até amadora Leste, onde a estação se situa num descampado. Ou o anunciado prolongamento da linha vermelha, para o aeroporto da Portela, com sentença de morte anunciada, através de uma zona de baixa densidade populacional.

    Acho que a decisão de Mário Lino se deveu ao facto de os dinheiros do eléctrico chamado metro, não estavam a cair no sitio devido, isto é fora do avental.
    Paulo said...
    Caro Manel,

    O seu discurso demonstra a arrogância ignorante de Lisboa. Está mais que provado que o CVE para Vigo é mais barato e útil que um TGV pelo deserto alentejano fora... Está mais provado que a ausência de investimentos a norte é para artificialmente provocar crescimento em Lisboa e alimentar umbigos imobiliários. Tenha vergonha, caro amigo !
    Manuel said...
    Ao 'Paulo'. Curiosa a sua tese - nasci, vivo e trabalho no Porto...

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