Cavaco por Cavaco

Se não houver nada em contrário, tipo uma loira da MTV, um jogo de futebol ou o macaco Adriano noutro qualquer canal, a entrevista que Cavaco Silva dará amanhã a Constança Cunha e Sá, na TVI, deverá ser vista por muita gente. Independentemente do que Constança irá perguntar - o inevitável -, importa a Cavaco estabelecer claramente as "balizas" da sua campanha e a clareza dos seus propósitos. Todas as entrevistas anteriores, tiveram-no, a ele, Cavaco, genericamente como "tema". Quase todas as perguntas formam formuladas em função do que os candidatos "pensavam" dele. Agora, é a vez de Cavaco por Cavaco. Em primeiro lugar, é preciso deixar evidente o carácter "positivo" desta candidatura. A sua, é a candidatura útil e necessária ao país, neste momento. Não por causa de qualquer "providencialismo" serôdio e, muito menos, por uma qualquer vertigem "restauracionista". É, por natureza, a candidatura "moderada" que, sem esconder os apoios partidários de que dispôe, melhor "fala" a todos os sectores do eleitorado, precisamente por ser a única que não é sectária nem segregadora. É o candidato que, uma vez eleito, melhores garantias dá de, respeitando os direitos das oposições, compreender e dar sequência ao sentido do voto maioritário das últimas legislativas: estabilidade, austeridade democrática e credibilidade. Em segundo lugar, Cavaco deve evitar responder aos adversários no mesmo tom de "barrela" que tem sido utilizado contra si. Falar dele mesmo, apontando o que o distingue politicamente dos outros, é o suficiente. Finalmente, e pensando nos seus mais consistentes adversários, Cavaco deve apelar ao voto, à participação na pré-campanha e na campanha, da rua aos "espaços digitais", contrariando a tentação abstencionista e os triunfalismos precoces. De Cavaco espera-se uma campanha popular, sem "populismos", com alegria mas sóbria, determinada e realista. Uma campanha que, verdadeiramente, começa já amanhã.

Publicado por João Gonçalves 18:43:00  

6 Comments:

  1. Arid Monk said...
    Quase que aposto que Cavaco Silva está muito reconhecido pelos seus conselhos.

    Será este um dos blogues que ele lê? Se não for, azar o dele...
    pisca-pisca said...
    O posicionamento de Soares e Cavaco perante o combate ao terrorismo e perante o mundo islâmico vai decidir as eleições presidenciais.

    Cavaco Silva apadrinhou Durão Barroso – era o seu delfim - , que por sua vez apadrinhou Georg Bush e Blair na desastrada invasão e ocupação do Iraque. Em questões de guerra, um líder não se pode enganar de inimigo nem de estratégia. Soares não se enganou, bem antes da invasão do Iraque já ele dizia que seria um erro trágico, não só para os Estados Unidos, como para todo o ocidente. Cavaco ficou calado, que o mesmo é dizer que concordou com Durão Barroso e com a opção política e militar de Bush e de Blair. O tempo deu completa razão a Soares e descredibilizou por completo Barroso e Cavaco Silva.

    Erros deste calibre podem sair muito caros a Portugal, como foram os atentados em Madrid e Londres e muitos outros evitados in extremis em vários países europeus.

    Onde se demonstra que a idade de Soares e a sua larga experiência internacional são trunfos para um qualquer povo. Desde que esse povo não seja estúpido.

    Paris e França já estão a arder, não estão? Onde será amanhã?

    Então pensem bem antes de votarem, porque isto não é um Benfica-Sporting, em que no fim do jogo fica tudo igual e vão todos para os copos.
    pisca-pisca said...
    CAVACO POR PISCA-PISCA

    Quando Maria de Lurdes Pintasilgo foi primeira ministra de um governo da iniciativa de Ramalho Eanes, antes de sair do seu posto resolveu aumentar as pensões sociais de certas camadas de pensionistas. Foi um aumento considerável.

    Sá Carneiro, na altura a preparar a AD, criticou fortemente esse aumento. A AD ganhou a seguir as eleições e foi para o governo, com Cavaco Silva em ministro das Finanças. Não tardou muito e fez novo aumento dessas pensões, o que fez com que num só ano essas pensões tivessem aumentado cerca de 45%. Começou aqui o descalabro despesista do Estado.

    Mas, como o preço do petróleo entretanto tinha subido muito, de 12$/barril, para perto de 40$/barril, e como Sá Carneiro faleceu no acidente de Camarate, e era depois Pinto Balsemão o primeiro ministro, Cavaco Silva, prevendo mau tempo no canal para a economia mundial e portuguesa abandonou o barco da AD e recusou ser ministro do governo de Balsemão. Este ficou amuado e com o tempo se veria que nunca lhe perdoou este abandono do barco em pleno naufrágio.

    A AD, esfrangalhada por lutas intestinas e pela crise económica que levou o país à beira da bancarrota, acaba por perder as eleições em 1983 e dá lugar a um governo de salvação nacional presidido por Mário Soares, com Mota Pinto em vice-primeio ministro. Foi o governo do bloco central.

    Mário Soares teve de recorrer ao FMI para resolver a situação, com a ajuda do seu ministro das Finanças, Hernani Lopes. Em 1985 as contas públicas estavam recuperadas e o caso deu brado nos meios financeiros internacionais. Portugal passou a ser um exemplo de bom aluno do FMI.

    Mas esta recuperação das finanças públicas custou popularidade a Mário Soares e ao PS, que na altura fez outra grande reforma, a do arrendamento, matéria tabú para os governos anteriores. E o PSD, com Cavaco Silva, sobe ao poder.

    Iniciava-se na altura a recuperação da economia mundial depois do choque do petróleo de 1980/81, com a descida forte do preço do petróleo. Cavaco Silva, bem infomado sobre os ciclos económicos, viu que teria um período de vacas gordas para fazer figuraço, até porque Portugal se preparava para entrar na CEE e iria receber chorudos fundos comunitários.

    Cavaco Silva passou então a governar com três Orçamentos, o geral do Estado, o dos fundos comunitários e o das privatizações da banca, seguros, etc.

    Foi um fartar vilanagem, dinheiro a rodos para distribuir pela clientela, incluindo centenas de milhares de funcionários públicos. O despesismo estatal no seu melhor! Fez obras, sim senhor, incluindo o CCB, que era para custar 6 milhões de contos e custou 40 milhões, segundo se disse na época. O rigor cavaquista no seu melhor!

    Anos depois vem a guerra do Golfo, com implicações económicas fortes a nível internacional, e Cavaco Silva, prevendo período de vacas magras e já com ele em andamento, resolveu abandonar o barco e parar de governar e entregou o testemunho ao seu ex-ministro Nogueira. Este perdeu as eleições para Guterres e em 1996 iniciava-se a recuperação da economia mundial. Foi um bom período para Guterres, que continuou o despesismo de Cavaco Silva, já que este último tinha deixado o campo minado por sistemas automáticos de aumento da despesa pública, o MONSTRO cavaquista de que viria a falar Miguel Cadilhe, além de milhares de contratados a recibos verdes no aparelho do Estado, que Guterres teve de integrar nos quadros do Estado para não ter de mandar para a rua gente que há anos não fazia outra coisa senão trabalhar para e dentro do aparelho de Estado.

    Foi este o percurso do despesista Cavaco Silva, o que como ministro das finanças da AD aumentou num ano, pela segunda vez, milhares de pensionistas, e o que, como primeiro ministro, aumentou a despesa pública de tal ordem que os défices públicos da sua governação, se limpos das receitas extraordinárias, subiram tanto (chegou a 9% do PIB) que o actual défice das contas públicas é apenas mais um no oceano despesista inventado por Cavaco Silva nos longínquos tempos da AD e continuado nos tempos em que foi primeiro ministro, depois da recuperação heroica dos tempos de Mário Soares e Hernani Lopes, nos anos 1983-85.

    É neste despesista disfarçado de rigor que devemos votar para PR? Desculpem, se quiserem propor Hernani Lopes para PR, podem contar com o meu voto. Mas como ele não aparece a candidatar-se a PR, vou votar em quem o ajudou a salvar Portugal da bancarrota provocada pela AD de Cavaco Silva. E esse alguém é Mário Soares.

    Estes os factos. E eu voto em factos, não em mitos e miragens. Mário Soares tem um brilhante CV em controlo da despesa pública (governos de 1977/78 e 1983-85). Cavaco Silva tem um brilhante CV no descalabro das contas públicas.

    Qualquer economista, se intelectualmente honesto e conhecer um pouco da nossa História recente, rejeita liminarmente este embuste chamado Cavaco Silva. Se ele for presidente da República, como pode ele pregar moralidade económico-financeira quando ele foi e é ainda o pai do MONSTRO? Monstro que agora Sócrates se esforça por abater com as reformas profundas que está a fazer.

    Para os mais novos aqui fica a radiografia do embuste chamado Cavaco Silva.
    Arrebenta said...
    Depois de ler isto, fico muito satisfeito por saber que ainda há quem acredite no Pai Natal.
    Brevemente,
    em,
    http://great-portuguese-disaster.blogspot.com/
    publicarei o texto daquela verdadeira entrevista que Cavaco sempre quis, mas nunca se atreveu a dar...
    Arrebenta said...
    Ah, sim, e já agora... deus nos livre do Cavaco,
    agora,
    e na hora da nossa morte...
    xatoo said...
    melhor seria que tivessem vergonha das procissões de beatos acarretados em camionetas como antigamente, e da Kátia a cantar com o Marco Paulo em Fàtima!
    "a Fé é assunto do foro íntimo de cada um e deve ficar dentro das Igrejas"
    O nosso problema com a padralhada está na ocupação da via pública, com obras que não as do interesse do bem colectivo, aliás, não tem mesmo nadinha a ver com isso - mas tão só com a eleição da múmia para presidente.
    grrrr!

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