Impudência

Com grande estupefacção, perante um despautério, confirmado até por um improvável Bettencourt Resendes, ouvi hoje de manhã, na TSF, umas frases entrecortadas de uma entrevista concedida àquela estação, por Paulo Pedroso.
As frases tiniam a desfaçatez partidária, a despudor, a arrogância política assente em respaldo partidário.
O indivíduo, entende-se já solto de toda a amarra ética, para palrar e palpitar sobre o que seja, com relevância político-partidária. Nada se passou de relevante no bestunto partidariamente condoído do entrevistado. No seu entender pressuroso, tudo se encontra já sanado, transitado, arrumado definitivamente nos arquivos da memória colectiva. Acha-se já apto a assumir destinos de liderança, afirmando posições políticas de relevo imeditato.
Adivinha-se já uma ambição de entrar no debate político, em meio partidário, porque se entende a si mesmo como definitivamente ilibado de qualquer suspeita a propósito de comportamentos criminais que lhe foram imputados e que afinal nunca chegaram a ser julgados.
Apresenta-se na inocência dos presumidos como tal, e atira a lama da denúncia caluniosa, da prevaricação e da denegação de justiça, a quem o investigou, acusou e dirigiu as entidades de investigação criminal. Caindo no mesmíssimo erro de que se acha vítima. Pelo caminho, alimenta a tese da cabala urdida, já situada. Nem se incomoda com o facto de já ter sido arredada por quem tem o dever profissional de a procurar.
Este comportamento, para além de insensato, como o insuspeitol Bettencourt Resendes assinalou imediatamente, revela uma lustrosa falta de pudor político e que aconselharia quem quer que fosse a um nojo prolongado ou mesmo a um afastamento definitivo.
Mas isso, se estivéssemos num país de sensatez assegurada.
Como se pode ler por aqui, é evidente que não estamos.

Publicado por josé 14:18:00  

16 Comments:

  1. Euroliberal said...
    Essa gente perdeu toda a vergonha e está com o freio nos dentes ! Ninguém é ingénuo. Os testemunhos e depoimentos são claros, numerosos, categóricos e credíveis. E não foram rebatidos na sua credibilidade e veracidade em parte alguma. Já se provou que algum dos miudos abusados da Casa Pia era mentiroso e mitómano ? Onde é que as sentenças dos "juízes" conluiados com os inimigos da Justiça (verdadeiros homens de mão de certos partidos) demonstraram o “erro grosseiro” ? Porque fazem tudo à porta fechada ? Porque aterrorizam e intimidam ? Os miúdos violados acusados de “difamação” por PP numa inversão grotesca da lógica judicial FORAM ABSOLVIDOS !

    Esses “juízes” deveriam ter um processo disciplinar e serem demitidos expeditamente da magistratura. Tal como certos casamentos “brancos” (para disfarçar) deviam ser anulados oficiosamente. Até porque há casamentos que foram e são anulados com fundamento na orientação não heterosexual de um dos cônjuges… Toda a gente sabe…mas querem enganar quem ?

    Este é o mais miserável ataque à dignidade da Justiça e ao Estado-de direito desde o 25 de Abril. Há uma mafia poderosíssima no país (de pedófilos e gays) que não recua perante nada e que chafurda na intimidação terrorista contra os orgãos da Justiça. NÃO PASSARÃO !
    stopthem said...
    O Pedroso julga que está safo.Acho que nos próximos tempos vai ter surpresas muito desagradáveis mau-grado a protecção que lhe tem dado o padrinho bochechudo.
    LBR said...
    sobre o mesmo... nojo:
    http://cidadaniapt.blogspot.com/2008/09/nojo.html
    Ritinha said...
    "padrinho bochechudo"?
    Julgava-o afilhado cenoirente, na variedade de Daucus carota sativus que resulta de híbridos.
    stopthem said...
    Mal julgou estar safo do processo Casa Pia e em vias de abocanhar o generoso subsidio por serviços prestados que lhe foi ofertado pela isentissima e amicissima Mélinha,o Figurão pôs-se logo a palrar como se fosse o Sócrates.Impante na aberração a criatura volta a acreditar na profecia da Medusa Ana Gomes e já se vê Secretário-geral do PS e vice da Manela num governo de Bloco Central apadrinhado por Cavaco.O delirio pôs o PS sócretino em estado de alerta que do "tudo aberto" passou ao "fecha-me essa boca,já!".Todos já perceberam que o Paulinho P.vai estar em todas as conspirações contra o Sócretino e vai dar um forte empurrão à desestabilização do PS.São muitas e velhas as contas a ajustar entre ambos.Tudo serviu esta semana:o cacete do Lello,o mugido do Vitelino,o papagaio Vital,o ponderado Resendes todos malharam na aventesma reaparecida da tumba onde estava enterrada.Suspeito que agora o regresso à Assembleia não será triunfal como aquando da sua escandalosa libertação.Resta saber os efeitos nos processos judiciais em curso dos despautérios do P.P.e se este faux pas não permitirá que finalmente Justiça seja feita.
    Dylan T. said...
    Caro José,

    Passando por cima do acessório - as convicções pessoais sobre indivíduo A ou B são como os malmequeres, apanha-os quem quer - permita-me partilhar, humildemente, alguns pontos de reflexão:

    1.Ficamos a saber que para o José existem dois tipos de magistrados. Os bons, que tomam, ou pretendem tomar, decisões desfavoráveis ao patrocínio jurídico de Paulo Pedroso, e os inqualificáveis, que tomam decisões favoráveis ao patrocínio jurídico de Paulo Pedroso. Para instrumentalização da Justiça não está nada mal.

    2.O facto da tese da cabala, urdidura ou como lhe queira chamar, já ter sido arredada por quem tem o dever profissional de a procurar, ou seja e para quem esteja mais distraído, pelos magistrados do próprio MP que era parte interessada na convicção de culpa de Paulo Pedroso, só nos pode fazer sorrir. O José sabe melhor que ninguém como o brinquedo funciona.

    3.Não me parece que caiba à Justiça brincar aos sofismas com os conceitos de suspeita e culpabilidade. Cabe-lhe apurar se existem razões substantivas para sustentar uma acusação. Pelos vistos, e de acordo com a própria Justiça, não existiram.

    4.Suponho – e para terminar - que, em nome do pudor e da coerência, o José defenda também “um nojo prolongado ou mesmo um afastamento definitivo” para magistrados que segundo os seus próprios pares cometam erros grosseiros. E aqui sublinhe-se, porque é importante - não por conversadores de blog ou de café mas pelos seus próprios pares.

    Cumprimentos

    Dylan T.
    josé said...
    Dylan T:

    Seguindo a sua própria lógica, se a decisão final for no sentido de o erro grosseiro ser este e não o outro, então há duas coisas:

    O político que devia manter-se em nojo, deve afastar-se definitivamente e a juiza que entendeu mal o erro e errou grosseiramente, deve mudar de vida.

    É assim?

    Quanto à primeira parte, prescindo de argumentar porque não encontro a sua lógica.
    Dylan T. said...
    Caro José,

    Não me entendeu. A lógica aplicável não é a minha. É precisamente a sua.
    O que quis dizer é que não me parece razoável nem aceitável a pretensão de querer banir uma pessoa com base numa suspeita levantada e que pelos vistos, e pelas próprias regras do sistema judicial, nem se aguentou nas pernas para sustentar uma acusação.
    E que estaríamos a um pequeno passo de passar também a querer banir juízes e magistrados cujas actos fossem julgados pelos seus pares como erros grosseiros – afinal que garantia oferece esse juiz ou magistrado? E mais ainda, – repare no requinte – mesmo que a decisão fosse contrariada por outra, não se apagaria a suspeita do erro grosseiro poder ter existido. Este é o frágil sofisma da suspeita.
    Que possa criar cenários de perplexidade e esquizofrenia, conforme sopre a decisão judicial, responda quem queira abrir essa caixa de Pandora.

    Cumprimentos

    Dylan T.
    stopthem said...
    Este Dylan T. é como o Sócretino:também "sabe muito".Faça-nos um favor José.Dê-lhe a resposta que merece.
    josé said...
    Dylan t.

    Quem criou a suspeita?

    Quatro indivíduos, cuja identidade tem sido mantida quase em segredo, não se perce muito bem por que razões. Foram essas razões que não se percebem bem que fundamentaram que o julgamento do processo cível contra o Estado e que afinal serviu para nada porque a decisão baseia-se no "caso julgado" da decisão da Relação que não pronunciou o arguido.

    Esse segredo é o principal: saber se a suspeita que essas testemunhas que são ofendidos, é ou não real e consistente.
    Dezenas de pessoas que trabalharam no processo penal acreditaram nessas suspeitas e decidiram que o arguido tinha que responder por isso.
    Uma única pessoa, no caso uma juiz de instrução, entendeu o contrário.
    Na Relação, entre três juizes, um deles ligado à política do PS, decidiram que essa juiza tinha razão. Um desses juízes entendeu precisamente o contrário e que afinal aqueles quatro indivíduos ( mas há mais), diziam a verdade e mereciam crédito.
    Esses mesmos indivíduos mereceram crédito suficiente para que a mesma juíza que disse que eles estavam a mentir quanto a esse arguido concreto, em relação aos outros que agora estão a ser julgados, diziam a verdade.

    Assim, a lógica evidente, indesmentível, esmagadora, concludente e irrepreensível é esta, Dylan t.:

    A suspeita que foi lançada sobre o comportamento sexual desse indivíduo que defende, não pode ser jamais apagada, por causa destes factos conhecidos e destes depoimentos existentes.
    Mesmo que uma boa parte dos correligionários e apaniguados, como é o seu caso, acreditem piamente na inocência do dito e por isso entendam que existiu uma cabala ( só assim conseguem explicar e como se viu não há qualquer indício de cabala alguma), o certo é que a suspeita não se apaga.

    E a culpa não é de quem escreve sobre isso nos media. É de quem lhe imputou os factos concretos que não foram mostrados como falsos.

    Sendo assim, como verdadeiramente é, entra lógica que já não e a judiciária, mas a política:


    O que parece, é, na política.

    Perante suspeitas tão graves que não podem ser apagadas pelos motivos expostos, ainda que o suspeito esteja inocente, deve afastar-se da política, para sempre.

    A menos que como aconteceu em Outreau, uma ou mais das vítimas venha dizer que foi tudo uma denúncia caluniosa e demonstrar que afinal o arguido foi mesmoa cusado falsamente.

    Mas isso, Dylan t. não aconteceu nem parece que acontecerá, porque o que tem acontecido é precisamente o contrário: os mesmos indivíduos que o acusaram continuam a manter as acusações.

    E isso é terrível para a credibilidade de um político.

    Só não é aqui, entre esta gente que desvaloriza o processo de licenciatura de um indivíduo e afiança que foi obtida do modo mais correcto possível porque o indivíduo que assim agiu, é primeiro-ministro.
    Se não fosse, alguns desses mesmos indivíduos crucificavam-no.
    Como um dia destes ainda o vão fazer. E não está muito longe, esse dia.
    josé said...
    Na primeira frase falta completar o seguinte:

    Foram essas razões que não se percebem bem que fundamentaram que o julgamento do processo cível contra o Estado decorresse à porta fechada, numa decisão inédita e que deixava adivinhar um desfecho destes. E que afinal serviu para nada de especial, porque a decisão baseia-se no "caso julgado" da decisão da Relação que não pronunciou o arguido e não naquilo que se disse no julgamento.

    Esta decisão vai ser revogada, de tão absurda que é, juridicamente. Aposto 100 contra um. E depois o indivíduo vai dizer o quê?
    Que a decisão da primeira instância é que vale?

    É essa a lógica?
    stopthem said...
    Bravo José!
    josé said...
    Outra coisa, importante, Dylan t.:

    Eu sei que esse indivíduo ou outros por ele, andam por aqui a esquadrinhar estas caixas à cata de afirmações lesivas da honra do mesmo, a fim de accionar judicialmente.

    Já o fizeram e voltariam a fazê-lo, disso não tenho dúvidas.

    Por isso, para governo dele e dos dele, adianto o seguinte:

    Nunca escrevi aqui que o gajo era ou é culpado ou que praticou os factos de que é acusado pelos ofendidos.
    O que tenho escrito tem sempre a ver com comportamentos políticos que julgo inadmissíveis e com decisões dos tribunais e do MP, no tal processo, e tal como são publicitados.
    E nunca dei a minha opinião de julgador a condenar o gajo. Até porque não poderia fazê-lo, com os elementos que tenho.
    Aliás, só ele e os ofendidos sabem se é culpado ou não.


    Isso é que é a verdade cristalina.
    O resto é glosar sobre a investigação criminal, os seus limites e a suas voltas e reviravoltas.



    Desafio o tipo e os da sua entourage, a comprovar com escritos que sejam meus, isso. Que sejam meus, note-se.
    Não respondo por outros, nem devo fazê-lo.
    E se vem aqui a esta caixa de comentários pescar em águas turvas, que vá à dos jornais diários. Tem muito mais com que se entreter.
    Se tivesse vergonha, afastava-se daqui, desta terra, para sempre.

    Mas não gosto do indivíduo, reconheço. A cara do gajo incomoda-me, e nem sei bem porquê.
    E no entanto conheço um amigo dele que é uma jóia de pessoa e de quem seria incapaz de dizer ou pensar mal.

    Coisas da vida.
    josé said...
    A Catalina Pestana é que lhes dá um murro escrito, no seu artigo no Sol de hoje.

    Amanhã, vou passá-lo, porque é um artigo notável e demolidor da credibilidade dos pedrosos e companhia.
    Euroliberal said...
    Se o dito cujo estivesse verdadeiramente inocente quereria é que o processo fosse a julgamento para desmasacarar frontalmente eventuais caluniadores e mitómanos. Mas não foi isso que aconteceu. Enveredou-se pela mais formidável CAMPANHA DE INTIMIDAÇÃO TERRORISTA dos tribunais e mobilizaram-se os homens de mão infiltrados na magistratura. Evita-se a todo o custo a discussão dos factos denunciados por vários jovens que continuam a denunciar em voz alta arguidos e ex-arguidos. E não se calarão, até porque já foram absolvidos de um processo de "difamação".

    A fundamentação das sentenças celeradas é grotesca, não engana nem o jurista mais incompetente e pretende prevalecer apenas com base na intimidação terrorista.

    Não passarão. Uma sentença proferida com desvio de poder por juízes-comissários políticos é juridicamente inexistente, mesmo transitada em julgado: porque a inexistência jurídica pode ser invocada oficiosamente e a todo o tempo. A intimidação não assusta ninguém ! Nem vinda de homens, quanto mais de doentes e tarados destes...

    O país tem de dar uma lição memorável e definitiva à mafia da paneleiragem e dos comedores de franguinhos que chafurda nos corredores do poder. Rua com eles...

    A ultima sentença é um verdadeiro hold up judicial que inventa "erros grosseiros" de juízes impolutos e inintimidáveis para roubar 130.000 euros aos contribuintes, isto quando ainda não há indemnizações para as únicas vítimas deste sórdido processo, as crianças da Cada Pia. O estado não tem por missão financiar e fomentar a pedofilia. Não é essa a missão da Casa Pia e também não é essa a função dos tribunais, ao contrário do que como parece defender o lóbi da paneleiragem pedófila.
    Dylan T. said...
    Caro José,

    Não querendo eternizar um pingue-pongue, permita-lhe deixar umas notas finais ao(s) seu(s) último(s) comentário(s):

    1.Não sei quantas dezenas de pessoas acreditaram ou deixaram de acreditar nas suspeitas – o José saberá melhor que eu, e nem a Justiça é um plenário de contar cabeças – mas é um facto incontornável que foi em sede judicial e exclusivamente em sede judicial que a muito bem fundamentada acusação foi arrasada em termos muito pouco lisonjeiros para a credibilidade da investigação e da equipa do MP. É que nem estamos a falar da tese de acusação não ter vencido em julgamento. Nem sequer teve pernas para lá chegar.

    2.Para colocarmos estas coisas da credibilidade das suspeitas sob perspectiva, não se esqueça que os mesmos testemunhos que acusam Paulo Pedroso também colocavam no cenário do crime Ferro Rodrigues, Jaime Gama e sabe-se lá quem mais. Só faltava que toda a direcção do PS estivesse a assistir e o homem-aranha a cobrar entradas. Que qualquer pessoa de bom senso tenha achado isto estranho mas o MP não, é para mim um mistério. É trazer a justiça para o campo do auto de fé.

    3.Como o José bem sabe, a tese de acusação não se consubstanciava apenas nos testemunhos, mas numa série de alegados factos descritivos, relacionais e temporais que tinham mais buracos que um queijo suíço, o que também não diz muito da competência da investigação.

    4.Explique-me lá, e com rigor, essa de um juiz ‘ligado à política do PS’? Servirá essa bitola para classificar quem defende a culpabilidade de Paulo Pedroso como professando intenções políticas contrárias ao PS? Afinal quem é que está a querer politizar a justiça e pôr em causa a competência profissional dos seus agentes?

    5.Se esse ‘tipo e sua entourage’ andam por aqui a esquadrinhar informações, não o sei. Mas não me inclua nos seus fantasmas.

    6.Se ‘a cara do gajo’ o incomoda, é um legítimo problema seu e sugiro-lhe, se me permite, que o resolva consigo próprio. Talvez seja também um problema do juiz Rui Teixeira ou do procurador João Guerra. Não deve ser um problema da justiça e muito mal estaria o Estado de Direito se o fosse.

    Cumprimentos

    Dylan T.

Post a Comment