Causa nossa

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Vale a pena ler o artigo de Joaquim Vieira, provedor do leitor do Público, sobre o caso Público-Sócrates-ERC que o Expresso revelou na semana passada e continua esta semana a glosar de modo retumbante.

Joaquim Vieira, dedica-se a tratar uma missiva endereçada por um leitor - Gabriel Silva ( este?) e as frases de Joaquim Vieira sobre o comportamento do primeiro-ministro e também do director do Público, José Manuel Fernandes, atingem o ponto alto na foto que acompanha o artigo: um fotograma do filme O Padrinho, precisamente a figura principal de D. Corleone, com referência à frase do PM dirigia ao director do Público: "Fiquei com uma boa relação com o seu accionista , e vamos ver se isso não se altera".

José Manuel Fernandes, em defesa da sua atitude no mínimo titubeante, na realidade de grande miufa , perante o que poderia suceder, justifica assim a completa ausência de referência noticiosa, no jornal que dirige, à pressão mafiosa do primeiro-ministro:

"Não me recordo de, durante o caso Watergate, o Washington Post ter noticiado as muitas pressões que sofreu, algumas das quais só foram tornadas públicas através das autobiografias do director, Ben Bradlee e da publisher ( representante dos proprietários) , Katherine Graham."

Comparar a situação do jornal Washington Post, em 1972, com os seus leitores, accionistas e anunciantes que lhe garantiam então, uma pujança económica e influência social, de proporções enormes, com o Público, de hoje, deficitário, periclitante no seu futuro editorial, é no mínimo arrojado.
Comparar, José Sócrates, enquanto PM português, licenciado pela Independente como o terá sido, com Richard Nixon, como presidente dos USA, conhecido como trafulha, através de gravações que assim o demonstram, é interessante.

Joaquim Vieira acha a "opção aceitável", mas vejamos: e se José Manuel Fernandes, publicasse logo nessa altura da notícia, que o Primeiro Ministro lhe "teria" ligado, reproduzindo exactamente, a frase proferida na altura?
Perante a natureza do assunto que envolvia um indivíduo que exerce como primeiro-ministro, em resultado das notícias recolhidas por Ricardo Felner, na sequência da investigação Do Portugal Profundo, a publicação de tal frase, nessa altura, que resultado prático teria para o primeiro-ministro, nessa mesma época?

Como disse Jorge Coelho, "a memória das pessoas é muito curta e passados seis meses já ninguém se lembra". Porém , nem todos têm memória de curto-circuito para o que não lhes interessa, mas convém ir relembrando as coisas, que são vergonhas da democracia.
Se mais não fosse, para vermos se a melhoramos.

Assim, conviria relembrar que o primeiro-ministro que se julga a salvo deste escândalo ( e pelos vistos com grande probabilidade de sucesso), disse então publicamente que só conhecera o seu professor António Morais, enquanto professor do mesmo. Nunca o conhecera antes...

Publicado por josé 22:15:00  

4 Comments:

  1. Gabriel said...
    «(este?)»

    yes, the only one.....
    zazie said...
    «disse então publicamente que só conhecera o seu professor António Morais, enquanto professor do mesmo. Nunca o conhecera antes...»

    E até que se lembrasse do nome do professor, demorou...
    josé said...
    Se os jornalistas fizerem o seu trabalho, vai lembrar-se onde, como quando e onde.

    E porquê, principalmente.
    dutilleul said...
    Nesta história toda, o mais importante é que JMF confirma, embora só implicitamente, aquilo que até agora pouco mais era que um rumor: o sr. Engenheiro faz ameaças quando não gosta das notícias.

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