Os argumentos de Vital Moreira

O professor Vital Moreira, também blogger no causa nossa, lamenta-se por causa das reacções de comentadores ao seu último artigo no Público, sobre a política educativa deste Governo e da contestação à mesma, pelos professores.
Refere que a maior parte dos comentadores discorda do escrito, tendo algumas das mensagens de resposta ao mesmo, sido "insultuosas e mal-criadas" ( sic).
Acha que a única crítica com alguma validade de apreciação- as outras ficam a caracterizar os malcriados- seria à afirmação no sentido de que "o protesto visa defender os seus "interesses profissionais".
Está enganado, mais uma vez.
A crítica que lhe fazem, incluindo também os habituais "mabecos" da escrita em blog, não tem a ver com a honestidade de uma posição intelectual, susceptível de discussão.
Tem essencialmente a ver, com a sua posição de defensor, por vezes à outrance, das posições do poder político actual, executivo, onde está representado de modo directo e familiar. Tem a ver com a defesa de opções políticas concretas que não fundamenta devidamente, senão através de postais simples de ideias feitas e afirmações correntes, tidas como indiscutíveis e evidentes e por vezes contrárias às evidências ( caso do referendo, perdão, não referendo ao Tratado europeu) .
Os artigos no Público, arrazoam por vezes, em complemento de ideias consabidas e já colocadas em postaizinhos de duas frases.
Tudo isto seria irrelevante, caso Vital Moreira fosse um comentador anónimo ou com credibilidade diminuída, como é o caso patente da sua companheira de escrita, no blog em causa.
É por isso que Vital Moreira pode dar-se ao luxo do insulto subtil ou ainda da grosseria escondida. É também por isso que faz por ignorar os "mabecos" do costume que lhe "tentam morder as canelas".
Se Vital fosse anónimo, mesmo com nome próprio como é um avatar que anda por aí, a escrever em blogs, nada disto contava e ninguém lhe passava charuto.
Mas não é o caso. Por força da sua posição política de força, prestigiada pela ocupação de cargos públicos e currículo político, Vital Moreira erige-se como núncio de medidas e programas de governo e ao mesmo tempo acólito fervoroso das mesmas medidas e remédios para os males que configura como indiscutíveis. Dá conselhos directos a governantes. Dá palpites de estratégia e táctica. Recebe convites para assistir a conferências de gente importante. Dá palpites privados, certamente ouvidos, sendo membro de associações de carácter privado com relevância pública ( CEDIPRE).
Participa ou participou ( continuará no Conselho Geral e de Supervisão da EDP?) em corpos sociais de empresas públicas e dá pareceres consultivos em hospitais públicos ( de Coimbra); é solicitado para dar ( vender?) pareceres ao Governo sobre matérias de governação.
Enfim, é uma figura pública que escreve o que escreve, colocando-se acima da turba e neste caso, afrontando os professores do ensino Secundário, como afrontou outros profissionais de outros ofícios, sem assumir plenamente a sua condição de classe, a não ser a de apaniguado do poder, para tentar perceber a razão profunda de tão grande mal-estar.
Vital Moreira, é um guerreiro político. Não um menino, mas um maduro que não medrou democraticamente. Vital Moreira, conseguiria sobreviver numa ditadura qualquer, desde que lhe fosse próxima ideologicamente. Conseguiria arranjar argumentos para a defender com unhas e dentes metafóricos, tal como já fez no passado.
O caso do professor Vital, é por isso, um caso pessoal. Não deve estranhar que as críticas que lhe fazem, sejam também ad hominem. E que diferem das críticas ad persona, embora por vezes, perigosamente andem lá perto. Neste caso, porém, quando sucedem, sibi imputet. Vital Moreira, põe-se demasiadas vezes a jeito para o efeito. Responde à letra, com luvas contundentes.
E a mediocridade do actual poder político governativo, dá-lhe ampla rédea, agora segura pelo mesmo, porque o cavalga pelo lado da influência de facto, para se postar como cavaleiro andante da dama desse poder.
Quem escreve contra o que Vital Moreira escreve, do modo que o indivíduo não gosta, trata-o, afinal, como ele trata sempre os adversários: com amplo desprezo crítico. As palavras podem ser mais melífluas ou mais adocicadas, mas o espírito, esse, é patente e notório: Vital Moreira não tem qualquer respeito por ideias alheias que lhe tirem o tapete confortável que anda a ajudar a tecer e que tem essencialmente a ver com uma única coisa: poder de mandar nos outros, segundo as ideias próprias, sem legitimidade directa, para tal.
Quem não entender isto, a meu ver, não entende os escritos de Vital Moreira. E é essencialmente por isso que lhe presto tanta atenção.

Publicado por josé 10:29:00  

4 Comments:

  1. KILAS said...
    Vital Moreira é um incompreendido, qual Calimero...

    Então não percebem que tendo ele recebido a escola do velho PCP, caracterizado pelos deveres de fidelidade e de obediência - isto, claro está, até que o barco começou a afundar-se pq aí começaram vários ratos a fugir do porão -, mais não está a fazer do que a agradecer ao Governo de José Sousa ( para não ofendermos o grande pensador grego, que foi Sócrates ), quer por dar emprego à sua excelsa esposa como Sec. de Estado quer pelos pareceres que lhe paga, principescamente supões uma vez que se desconhece o quantum o Estado paga a notáveis jurisconsultos da praça...

    Quem não se lembra do Judas ( e da notável obra que fez em Cascais); do inefável Pina Moura, ops, Prof. Pina Moura, de José Magalhães, de Mário Lino Jamé, etc...

    Bem sei que a ex-camarada Zita deu uma cambalhota muito maior... Não é preciso baterem!...
    homoclinica said...
    Para ler opiniões de 2 docentes do ensino superior, sem os constrangimentos mentais de vital moreira ir aqui: http://homoclinica.blogspot.com/2008/03/valer-pena-mudar.html/
    Tino said...
    A dignidade de um Homem e a sua credibilidade intelectual não têm preço.

    No caso de Vital Moreira parecem ter.

    É demasiado triste...
    Rui said...
    Tenho pena também de ter de concordar totalmente com o post.
    Veja-se aqui:
    "(...)o princípio básico da democracia representativa, segundo a qual o que conta são os votos em eleições e não os números em manifestações. As moções de censura votam-se no Parlamento." (post no Causa Nossa em 8/3/08)
    Como é que alguém que está sempre contra a guerra no Iraque, Guantánamo ou as restrições ao aborto, sem nunca criticar as respectivas manifestações, mas nunca se coibindo de criticar os respectivos governos, pode escrever uma coisa destas?

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