Democracia de elite

No dia em que um governo se visse impedido de levar a cabo uma reforma essencial do seu programa, por rebelião dos profissionais de um serviço público apoiada pela oposição, só teria uma saída democraticamente digna, ou seja, pedir a demissão ao Presidente da República para convocar eleições antecipadas a fim de saber quem governa: se o Governo eleito ou a oposição, se os cidadãos eleitores ou uma classe profissional na rua. [Publicado por Vital Moreira] [9.3.08]

Para estas pessoas, a democracia, cinge-se ao acto eleitoral. Maioria ganha, maioria gasta. As minorias que se amolem até às próximas. A noção de negociar medidas julgadas certas e contestadas como erradas; a noção de discussão pública em Assembleia de República e a noção de debate democrático, sobre medidas que afectam classes, grupos, milhares de pessoas, ficam sempre prejudicadas pela autoridade natural da maioria eleitoral, mandatada para cumprir programas elaborados para o efeito.

Esta noção restrita de democracia, parte sempre daqueles que nunca a entenderam verdadeiramente: geralmente daqueles que a negaram, precisamente pelos mesmo motivos restritivos. Dantes, eram comunistas, com uma ideia fixa: o povo é quem mais ordena e o Comité Central, é a emanação do povo. Hoje, os eleitos, neste jogo eleitoral que todos conhecem, são os membros actuais desse comité central perdido.
São estes, os democratas de pacotilha, numa noção de democracia, particular e de elite. A deles.

Citando O´Neill,

E ainda há quem os ouça, quem os leia,

lhes agradeça a fontanária ideia!


E glosando, Clint Eastwood:


Go ahead! Make our day!


Publicado por josé 14:44:00  

5 Comments:

  1. Pois said...
    "E ainda há quem os ouça, quem os leia"

    De todas as pessoas que conheço directa ou indirectamente, creio bem que o José seja o único que os lê...
    josé said...
    pois não acho nada, porque as "medidas" aparecem. E as ideias, para quem as não tem, terão de aparecer de algum lado.

    À falta de melhor, é desse lado que aparecem.

    Veja os postais da criatura, aquando da tomada de posse do actual governo e verá o programa de medidas que foram sendo tomadas, contra os grupos e actividades julgadas como celeradas e privilegiadas.

    Este governo, foi buscar as ideias onde, se os ministros as não têm?

    Aos acólitos e núncios do costume.

    Como este.
    David Oliveira said...
    Ó José, você é um compulsivo leitor dessa luminária. Desculpe-me a franqueza. Já reparou que muita da força que aparentam ter lhes vem precisamente do facto de por maiores que sejam as carradas de trampa que despejem por onde passam há sempre quem a vá cheirar?
    Seu leitor
    David Oliveira
    josé said...
    Compulsivo nem tanto. Muito atento, apenas.
    E acho que deveriam ser mais, os atentos.
    zazie said...
    ahahahaha

    Esta do Clint sabia muito bem

    ":O))))

Post a Comment