As influências

No Correio da Manhã de hoje, Marinho e Pinto, volta à carga pesada das acusações sobre tráfico de influências nas altas esferas políticas e desmandos nas consultadoria dos pareceres, a pedido governamental.
Sobre este fenómeno, não tem dúvidas em afirmar que tem informações de que "o Estado paga dos honorários mais caros do mundo". E como advogado, continua a querer saber "com quem é que [o Estado] gasta isso [os duzentos a trezentos milhões de euros em assessorias, anualmente gasto] e como é que gasta."
Límpido, claro e absolutamente correcto e legítimo. Mesmo assim, completamente ignorado pelo poder central do governo que continua a fazer ouvidos moucos às palavras certas do Bastonário, desvalorizando-as como se viessem de um palerma qualquer dos blogs, tipo queijo ou coisa assim.

No Público de hoje, sobre o mesmo assunto, numa entrevista interessante, um líder -sombra do PSD, António Borges, ex-vice-presidente da prestigiada Goldman-Sachs, noticia uma coisa que merece reflexão séria:
"Em 2005, fui ao Congresso do PSD e apresentei uma moção onde me disponibilizei para ajudar o PSD a ter uma posição mais activa em relação ao Governo. O congresso teve lugar nesse fim-de-semana e na segunda feira, logo pela manhã, fui ao gabinete do ministro Manuel Pinho ( o tal adepto dos sapatos italianos, numa exposição para promover o calçado nacional), que me comunicou que todos os contratos com a GS estavam cancelados a partir daquele momento."
A explicação do ministro? A de que "iriam renovar as equipas que trabalhavam para o governo."

A pergunta que se impõe, naturalmente, será: quem ficou no lugar da Goldman- Sachs?

António Vitorino, o advogado, dirigente do PS que, segundo a Visão desta semana, ainda há pouco tempo, era recebido todas as quintas-feiras, pelo primeiro-ministro, em consulta publicamente privada, será, provavelmente, um dos que poderá esclarecer. Como consultor privado do primeiro-ministro, tem o dever de dar contas públicas da consultadoria, para que todos percebam o sentido e alcance da prestação do serviço e, portanto, se recebe alguma coisa por isso, em género ou espécie, ou se é apenas por amizade filantrópica e desinteressada, para o bem comum e pro bono.
No fim de contas, estamos no domínio da coisa pública, mesmo que se entenda que a ética se define pela lei.

É disto que fala o Bastonário? Provavelmente e se tivesse tempo de ler a entrevista.
Será isto uma absoluta falta de vergonha? Absolutamente.
Será isto o indício de um crime continuado de tráfico de influências, previsto pelo actual Código Penal como um pouco mais grave do que a agressão física entre professores e alunos?
A isto, só outros poderão responder. Através de um Inquérito crime, para correr termos no DCIAP.
Mas com investigação a sério, sem ser a fazer de conta.

Publicado por josé 16:45:00  

4 Comments:

  1. KILAS said...
    MARINHO PINTO:
    Já não percebo nada....
    Então o homem não ficou contente com a " cenoura " que o Governo deu aos seus apoiantes - os advogados " da sopa dos pobres " -, que agora vão despachar as contra-ordenações para a DGV " à peça " ?
    Isto é ingratidão, pá!...
    A não ser que o Marinho se esteja a preparar para quando sair de Bastonário, ir presidir a uma das Soc. de Advogados / Jurisconsultos do Poder, com todas as regalias que lhe estão inerentes...

    ANTÓNIO BORGES:
    Este faz-me lembrar a história daquela menina muito bonita e prendada que foi sempre recusando convites de casamento e quando se apercebeu estava encalhada e ficou solteirona, para tia...

    ANTÓNIO VITORINO:
    O " grande ",
    Tem razão o José.
    Ele poderá explicar, quiçá com conhecimento de causa, como funcionam os meandros da Advocacia / grandes Soc. de Advogados - Proença, Júdice e Cª e o Poder...

    DCIAP:
    Valha-nos Deus...
    Se houver tempo, faça-se um dia um estudo sobre:
    - os processos que lá entraram;
    - quanto tempo lá demoraram;
    - os que de lá sairam;
    - taxa de êxito em sede de julgamento.
    Laoconte said...
    Resumindo, neste país a investigação criminal não entra na estratofera política, mas sim nas escolas e quejandos, onde são suspeitos, menores de idade e de "influências".
    pr said...
    Mas porque é que insistem em afirmar que o d. sebastião borges era vice-presidente da GS se - de acordo com a informação disponibilizada no próprio site daquela instituição - ele era apenas um dos mais de 500 managing directors sectoriais?
    Porque é que ninguém - nem o próprio - clarificou alguma vez esta situação?
    Pedro Menezes Simoes said...
    Caro PR, vice-presidente é uma designação muito comum em empresas anglo-saxonicas. Não é o número 2. Significa apenas que é uma pessoa sénior na organização, e com responsabilidades na gestão (e que responde directamente ao presidente...)

    Quanto às contra-ordenações da DGV, são boas para os grandes escritórios de advogados, que irão arranjar mais umas dezenas de estagiários que lhes fazem o trabalho de graça... Já perceberam para que serve o estágio de 2 anos (mais 6 meses até ao exame) para entrar na ordem?

    Pergunto-me? Que interesses se defendem na ordem dos advogados? Os das grandes sociedades? Os dos advogados? Os dos estagiários (que também pagam quotas)? Os do público?

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