Observatório 2008: balanço do Iowa

O caucus do Iowa confirmou a ideia de que vai haver luta acesa, tanto no campo democrata como no republicano.

Ao contrário do que alguns analistas previram, Hillary Clinton não terá um passeio até à vitória a 4 de Novembro. A vitória folgada de Barack Obama, com oito pontos de avanço sobre John Edwards e nove sobre Hillary, conferiu um fôlego ainda maior à campanha do senador pelo Illinois.

É certo que o Iowa é um estado pequeno e também é certo que Hillary está à frente no New Hampshire. Mas a verdade é que o bounce que Obama, certamente, receberá com o triunfo claro que obteve no estado de arranque.

Durante o dia de hoje, nas análises «pós-Iowa», quase todos falavam de um tudo-por-tudo de Obama no New Hampshire. «Hillary não perdeu nada ontem. Mas deixou de ser a vencedora inevitável dos democratas», escrevia Roger Simon no site «Politico.com»

«Obama é a grande história desta campanha — e não subestimem Huckabee», escreve Peter Wenner no «Commentary Magazine».

O sucesso de Obama no Iowa impressionou pelos números: num estado com 96 por cento de brancos, ganhou em todos os segmentos, sobretudo nos jovens e na classe média. Mas atenção: mesmo que ganhe o New Hampshire, dentro de quatro dias, Obama ainda terá que subir muito nos estados que elegem mais delegados para reduzir a desvantagem que tem para Hillary na contagem nacional.

Nos republicanos, Mike Huckabee capitalizou os votos dos cristãos evangélicos, que são quase metade do eleitorado do Iowa. Mitt Romney, mesmo tendo sido segundo, foi o grande perdedor: depois de tantos meses a liderar no Iowa, ficou na a 9 por cento de Huckabee e passou a estar obrigado a vencer no New Hampshire se quiser continuar na corrida.

Fred Thompson e John McCain tiveram quase os mesmos votos, mas conclusões diferentes: mal nos restantes estados, Thompson perdeu espaço e já há quem fale em desistência. McCain recuperou de números desanimadores no Iowa e discutirá o primeiro lugar no New Hampshire. E a Super Terça-Feira talvez seja o melhor dia da sua vida política.

Ron Paul, a correr por fora, conseguiu uns brilhantes dez por cento. Giuliani assumiu que o Iowa não era para ele (tantos cristãos evangélicos impediam-lhe qualquer sonho de triunfo) e já está a preparar a Florida e a Califórnia — mas erra se ignorar o sexto lugar, dado que, no New Hampshire, também não fará melhor que quarto ou quinto lugar.

Obama e Huckabee foram os grandes vencedores do Iowa, mas estas vitórias só serão significativas se tiverem seguimento em bons resultados no New Hampshire. Hillary e Giuliani continuam a liderar a corrida nacional — mas passaram a estar muito mais ameaçados a partir de ontem...

Publicado por André 20:22:00  

4 Comments:

  1. Gabriel said...
    mais outro.
    Porque raio toda a gente fala apenas nas próximas primárias do New Hampshire daqui a dias, quando já amanhã há primárias republicanas no Wyoming?
    André said...
    Tem (quase) toda a razão, Gabriel. Escrevi quase porque não são primárias, mas mais eleições por «caucus» e só para os republicanos. Os democratas votam no Wyoming apenas a 8 de Março.
    A questão, como em tantos aspectos de um texto de cariz informativo, está na relevância: o Wyoming é um dos estados mais pequenos, serão só 12 delegados eleitos para a Convenção Republicana.

    Daí que os olhos (e o dinheiro...) dos candidatos, mesmo dos republicanos, estejam, desde hoje, postos no New Hampshire, o primeiro estado a votar em sistema de primárias.

    Será, na realidade, o primeiro grande teste, ainda mais relevante que o de ontem no Iowa.

    Fica, no entanto, a sua observação oportuna. Cumprimentos.
    MARIA said...
    De olhos postos no grande teste ...
    Eles, e nós também, porque nesta aldeia global que constitui hoje em dia o mundo, não é indiferente o que possa acontecer por aquelas bandas...
    Parabéns pelo modo sério, cuidado e consistente como aqui se vem prestando estas informações sobre o processo eleitoral nos EUA , pela partilha e convite à reflexão.
    Um feliz 2008 a toda a GLQL.
    Um beijinho, André
    Maria
    Gabriel said...
    Caro André,
    Certo.

    «mas mais eleições por «caucus»,
    ou seja, como no Iowa...

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