Publicamente confidencial
















Sobre os acontecimentos sangrentos, no Porto, nos últimos meses, a PSP elaborou um relatório que agora chegou aos jornais, apesar de confidencial.
Será uma espécie de explicação do que não se fez- e devia ter feito? Uma espécie de vademecum, da noite do Porto e dos territórios em reserva de gangue? Uma espécie de investigação a modo de um SIS inexistente, com consulta de fontes anónimas, vigilâncias improváveis e palpites avulsos?
O Correio da Manhã, não explica. Limita-se a citar o Relatório “confidencial” e que implica a organização e execução de “actos de polícia”, porventura no âmbito de averiguações administrativas e no qual, afinal, se citam nomes, moradas, motivações, explicações de causa e efeito. No fundo, a exposição e explanação prática dos acontecimentos recentes e com algum realismo de plausibilidade.

Malagueta”, “Pidá”, “Gaiato”, “ Berto Maluco”, “Ilídio Correia”, “Rómulo”, “Fernando Madureira”, “Aurélio Palha”, “superdragões”, “discoteca”, “ginásios”, “emboscadas”, “tiros”, “metralhadoras Uzi” "agentes da PSP" , são nomes que brotam com toda a espontaneidade dos acontecimentos e que não causam surpresa a ninguém da zona e de fora dela. Alguns dos nomes já estão calados. Para sempre, em omertá eterna. Pacheco Pereira, na SIC, indicou publicamente uma claque de futebol, como um dos nomes. Já lhe prometem um processo. Por difamação...


O Público, refere hoje, a existência de suspeitas sobre alguns elementos da PSP que fazem segurança, nas horas vagas e sobre averiguações internas acerca do fenómeno. Virá daí, o relatório confidencial?

Na Sicília, nos anos oitenta, o Estado Italiano, perante a vaga sucessiva de vendettas privadas com dezenas de mortos dos diversos clãs mafiosos, decidiu atacar em força e em jeito de aplacar a fúria da opinião pública e enviou para Palermo, para o comando da polícia, um general com provas dadas no combate ao terrorismo das brigadas revolucionárias de Renato Curcio: Dalla Chiesa. Chegou em Abril de 1982 a Palermo e em Setembro, apanhava com uma rajada de metralhadora ligeira, no interior do carro, conduzido pela mulher e com escolta.


Ficou o filho, para contar o que aconteceu e ainda hoje se lembra e conta coisas sobre o assunto, mormente a responsabilidade de alguns políticos da época. Conta-as num blog- nandodallachiesa.blogspot.

Palermo, na Sicília, tinha na altura, um pouco mais de 500 mil habitantes. O dobro do Porto da actualidade.
Durante dez anos, a região esteve a ferro e fogo por causa dos movimentos mafiosos. A cronologia e o número de mortos, pode ler-se aqui.
Em 1986, começava o primeiro maxi-processo da Cosa Nostra, com 1400 acusados de delitos vários, homicídio incluído.
Até então, os mafiosos conhecidos pelo nome- Salvatore Riina, Bernardo Provenzano, Leloca Bagarella e Luciano Liggio, eram invariavelmente absolvidos por carência de provas processualmente válidas, devido a uma legislação processual permissiva ( como a nossa actualmente) e ao fenómeno da omertà.


Em 1984, um mafioso arrependido, Tommaso Buscetta, começou a falar e a contar o que sabia. Em 1987, o julgamento do maxi-processo, resultou em centenas de condenações, algumas delas à revelia. No início de 1992, a incredulidade dos mafiosos, com o que lhes estava a acontecer, transformou-se em reacção destemperada. Logo a seguir, começaram os atentados e homicídios excelentes: o deputado Salvo Lima, os magistrados Giovanni Falcone e Paolo Borsellino.
A seguir, a história continuou, mas quem quiser pode continuar a ler, aqui.
Imagens: Wiki. Porto e Palermo.

Publicado por josé 15:58:00  

2 Comments:

  1. O Lidador said...
    O mais interessante, no meio disto tudo, é que Palermo, afinal, parece que fica em Lisboa.

    Atentamente,
    Gonçalo Mendes da Maia
    luis said...
    Palermo, era na altura, na população e no resto, crime incluído, bastante mais parecida com a Lisboa actual que com o actual Porto. Mas há "ceguinhos" que continuam obstinadamente a "bater" na cidade do Porto, não sei se por antipatia teimosa à cidade se por pura má fé.

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