O estímulo vital

Confesso já: Vital Moreira é dos poucos escribas públicos que apetece comentar. À semelhança de uns poucos, como Graça Moura ou Pacheco Pereira, anda sempre ali, nos interstícios dos escritos, uma agressividade latente que parece natural e sem freio, uma atitude de provocação do outro que discorda, de modo a desfazer a inteligência alheia e uma independência de pensamento peregrino que incomoda a pacatez dos benevolentes.
Adivinha-se ali, um auto-convencimento seguro, de residência da inteligência rara e cara e isso paga-se, para quem o contesta.
Vital Moreira, além disso, é um académico de matérias políticas o que acrescenta divertimento ao jogo da crítica. E além do mais, tal como os outros, é um peludo notório que se ofende com tudo aquilo a que diz não ligar, o que ainda mais divertido se torna, porque o faz de modo sobranceiro e ridiculamente superior e distante que evidentemente é apenas a máscara da falta do mais básico fair-play e de quem se toma a sério mesmo quando vai à casa de banho.
Assim, vamos a isto que se faz tarde:

Está visto que Vital Moreira não suporta a crítica num determinado tom. Em tom baixo, sussurado, com o devido respeito, salvo pela “ideia” peregrina, ainda vá que não vá.
Se for em tom desabrido e a puxar lustro à indignação, pelas faenas de atitude pública, já não há suporte a não ser o insulto que diz execrar e nunca suporta, com nenhum fair play, mas que pratica a seu bel-prazer eufemístico e sofisticado.
Adjectivações várias como a de “mabecos”, “peões do clericalismo indígena”, “tolos”, “atávicos”, “ressabiados”, “panditas auto-encartados”, “disparates”, “anedotário”, “faz fretes”, “dislate malévolo”, etc etc. e para só citar as do último mês de postais, para além das fartas insinuações directas sobre intenções alheias, processadas na mente do escriba, ou sobre a personalidade de “certas companhias”, são o dia a dia da escrita no blog da causa nossa.

Ou porque uns serão isto; ou porque pretenderão aquilo, os postais de Vital, são sempre um must, com um leit–motiv: a defesa à outrance, muitas vezes, das posições ortodoxas de uma putativa esquerda que este Governo ainda incorpora para o escriba e se revela agora mais folclórica do que ideológica, mas que lhe permanece referencial e distintiva, ainda que meramente imaginária.
É nessa dança de ideogramas que aparece de vez em quando a crítica avulsa a medidas de governo ou a atitudes de responsáveis, que caucionam o equilíbrio autosatisfeito, para se proclamar um fiel de balança analítica.
Em relação a desconhecidos que lhe respondem em tom idêntico, mesmo sarcástico, já escreveu que não lê e não responde. Não liga. Mói-se, mas não se mata com o assunto,porque perde o sério e a compostura.
Em relação a conhecidos que o vituperam, mesmo moderadamente, fica sempre com o caldo entornado no pelo eriçado e na irritação à flor da pele.
A última vítima deste destempero natural, é o Arrastão que vai fazendo pela vida, no blog onde escreve para todos lerem que existe uma inteligência assim, neste canto.
O pobre escriba teve o azar de lhe repontar a crítica em que Vital o apelidou metonimicamente de anedota, dizendo-lhe apenas que era o Vasco Graça Moura da esquerda. Ó insulto maior! Ó desgraça! Ó arrastão- para a lama!
Este tipo de alusões, nunca fica sem resposta de Vital e esta vez não é excepção. O pobre Oliveira, sem figueira para se pendurar, leva a abrir, com o epíteto de “aleivoso”, que é em bom português, calunioso, traiçoeiro. Porca miseria!
E a seguir, para remate final, acaba por lhe cortar a colecta. Exemplar. Melhor: estimulante.

Publicado por josé 10:23:00  

4 Comments:

  1. Há do que said...
    Depois de tantas citações, começo a simpatizar com a personagem, apesar de não ter visitado o seu blog uma única vez.
    Afinal, se o homem bate assim no Danny Boy, merece que se lhe faça a justiça de dizer que também escreve coisas acertadas.
    zazie said...
    ena pá, aquele: "«"Assim, não!". E tirar daí as devidas ilações...» foi mesmo à Omerta
    josé said...
    Subtil. O Oliveira da figueira do Arrastão, já sabe que se não se porta na linha recta da politicamente correcta oposição tipo BE domesticado, ainda vai deixar de aparecer em lugares públicos, tipo eixo do mal.

    Oliveira já sabe o que o espera, neste tipo de recados- e vai baixar a bolinha.
    zazie said...
    Mas nunca se tinha visto um recado tão descarado a este nível. Já?

    Eu estou parva. Acho que vale a pena destacá-lo.

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