Os duques de Saldanha

Saldanha Sanches dá hoje uma “entrevista de vida”, à Sábado, conduzida pelo especialista judiciário da revista, António José Vilela.

As declarações de Saldanha denotam que não se leva demasiado a sério, o que é prova bastante para merecer consideração e respeito.

Sobre o assunto delicado, do chumbo para a agregação, considera o assunto “ultrapassado”. Ainda assim, estende opiniões verrinosas sobre os elementos do júri que putativamente o reprovaram na pretensão para se agregar ao gotha da faculdade de Direito de Lisboa.

Dos interstícios da conversa sobre este assunto, resulta algo inconclusivo, mas muitíssimo interessante acerca da natureza humana. Os génios assinalados por Saldanha Sanches, como autores dos tiros fatais à sua legítima pretensão, são figuras de relevo na elite da sociedade académica portuguesa. Alguns, mereciam estudo aprofundado, porque os estudos que apresentam aos alunos, ex cathedra, não têm concorrência crítica, a não ser em ocasiões raras, como esta, em que um preterido do gotha, os desanca do alto do despeito e apouca como ninguém o costuma fazer. São poucos os que se atrevem e geralmente nada têm a perder. Tivesse Saldanha passado o rubicão da agregação e continuariam a ser os génios do costume, afeitos a olhar a sociedade do alto das cátedras que rendem.

Assim, sobre Braga de Macedo: com risos adianta que “não é preciso dizer nada”. Indeed. Sobre Menezes Cordeiro: “nos últimos anos tem um contraste evidente entre o vasto número de páginas de livros e o reduzido número de ideias, e está numa fase de hipersendibilidade perante a concorrência e tem um projecto oculto para um dia escrever sobre o Direito do Balanço, que é um tema que estou a desenvolver, e ele não quer esse espaço ocupado."

Diogo Leite de Campos: “uma curiosa figura que se doutorou com uma tese sobre direito civil, hoje justamente esquecida e ignorada, tendo-se dedicado depois à publicação de pequenos opúsculos sobre matérias fiscais, com uma ideia central: ninguém devia pagar impostos.”

Marcelo Rebelo de Sousa: “Penso que tem um comportamento muito coerente, porque ele próprio nunca sabe como vai ser no dia seguinte. Falar dele é como chover no molhado, porque toda a gente no país sabe como ele se comporta.”

Depois deste aperitivo, na entrevista de vida, segue-se uma análise de prognose póstuma, sobre as opções políticas de juventude, particularmente, num partido de classe operária, como era o MRPP.

Claro que posse tentar fazer psicoterapia ao questionar-me como é que nós, jovens, defendemos coisas absurdas do proletariado, porque é que fomos coniventes com os assassinatos do Estaline e do Mao Tse Tung. Uma vez, o Vasco Pulido Valente teve uma frase que acertou em cheio: “sabe-se aquilo em que acreditaram, sabe-se lá naquilo que vão acreditar.

Sobre amizades e colóquios, conferências e afins, refere o amuo da Associação Nacional de Municípios ( “Excelente cliente de pareceres de muitos professores de Direito”), em relação à qual chegou a ser consultor jurídico ( pareceres entre 20 e 30 mil euros). Quando deu parecer negativo acerca de algo que lhe pediram, cortaram-lhe a colecta. Curioso…porque dá a dimensão exacta do valor de um parecer jurídico: o cliente tem sempre razão, é a regra sem excepção.

Ainda sobre relações pessoalizadas, refere que recusou comparecer numa conferência quando soube que o último orador seria o doutor Isaltino ( da Câmara de Oeiras). Curioso, outra vez, porque na sensibilidade subtil do entrevistado, a lepra de Isaltino, não atingiu Júdice, mandatário do presidente Costa,

A justificação, talvez resida afinal, na conclusão da entrevista de vida: tornou-se um pequeno burguês porque “ as pessoas com a idade passam a gostar de comer bem, de passear”.

Ora bem. Está tudo dito, sobre a entrevista de vida. Falta ainda uma pequena coisa: “se eu fosse mais cinzento tinha menos inimigos.” Concordo.

O professor Mota de Campos, quantos inimigos terá? Poucos, certamente, e todos da arraia miúda. Disse uma vez, publicamente, na tv, num Prós & Contras qualquer, que não conhecia nenhum caso de corrupção. Pudera!

Publicado por josé 21:43:00  

2 Comments:

  1. RÁDIO said...
    NELLY FURTADO PASSA 24 HORAS NA 101.7 FM COIMBRA


    A 101.7 FM, rádio da área metropolitana de Coimbra, vai dedicar 24 horas da sua emissão a Nelly Furtado. Durante esta produção exclusiva, que tem início às 7 horas de sábado, a estação promete passar, sem interrupções, todos os êxitos da artista luso-canadiana, que nesse dia actua na Expofacic, em Cantanhede

    Esta programação especial da 101.7 FM, que decorre entre as 7 horas da manhã de sábado e as 7 horas da manhã de domingo, é dedicada aos fãs da banda que vêm assistir ao concerto, permitindo que, antes, durante e após o concerto, todos possam ouvir, sem parar, mais de 300 vezes, Say it Rigth, Maneater, I´m Like a Bird, Força, Promiscuous, entre outros sucessos da cantora.

    Pioneira neste tipo de actividades, A "rádio que toca ao coração" já desenvolveu, com grande sucesso, outras realizações deste género. Nomeadamente, quando os Rolling Stones actuaram em Coimbra, a 101.7 FM esteve 30 horas a "partir pedra" só com músicas da banda de Mick Jagger. Entretanto, no Dia dos Namorados, prestou tributo aos Xutos e Pontapés e durante 24 horas emitiu continuamente sons do grupo de Tim e Zé Pedro.

    A 101.7 FM é uma "Hot Adult Contemporary", com centro emissor situado em Montemor-o-Velho – Coimbra, possuindo alvará de radiodifusão local há quase 20 anos. Actualmente, posiciona-se como a "rádio que toca ao coração" e tem uma postura interactiva, generalista e marcadamente local, desenvolvendo conteúdos e conceitos inéditos na telefonia portuguesa.

    Em termos musicais, A 101.7 FM é " A sintonia do amor", apostando nas mais encantadoras canções românticas do passado e do presente e em sucessos musicais de qualidade, com particular incidência na moderna música portuguesa e anglo-saxónica. A informação local e várias rubricas temáticas completam a sua programação.

    A 101.7 FM dirige-se ao público adulto e urbano, das classes média e alta, atingindo de igual forma homens e mulheres, que gostam de ouvir a rádio que toca as "músicas de todas as grandes paixões" desde os anos 80 até hoje.

    No âmbito da publicidade, a 101.7 faz gestão de programação "Anti-Zapping". Assim, em todos os blocos publicitário só emite até seis spots consecutivos e nunca coloca anunciantes concorrentes.

    Sintonizem a 101.7 FM e Verão que é uma paixão…Verão!

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    Mais informações: radio101.7@gmail.com
    Paulo Carvalho said...
    Sobre José Miguel Júdice:

    http://povileu.blogspot.com/2007/07/mscaras.html

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