A simple twist of fate

Os fedorentos copiaram uma ideia completa de um cantor francês dos anos sessenta, e serviram-se dela para o genérico do seu programa de tv, Diz que é uma espécie de magazine.

Não, não foi uma simples cópia de uma ideiazinha avulsa e inspiradora para mostrar o início do programa fedorento: foi o ideário todo. Tudinho, excepto a letrinha que interessa para nada. Foi a música, a coreografia, e o espírito inerente a um vídeodisco ( como dantes se dizia), à solta no YouTube e que mostra um cantor francês dos anos sessenta, do género pimba na caneca, a saracotear uma musiquita medíocre e ritmada em yé yé de twist, copiado por sua vez, dos êxitos ingleses e americanos da altura.
Os fedorentos tinham milhentas alternativas para o copianço e foram logo buscar um Clo-Clo, diminutivo carinhosamente acolhido pelas fãs de Claude François, celebrizado nos anos sessenta e início dos setenta em revistas de grande fôlego gráfico tipo Salut les Copains, Ciné Revue e outras para teenagers sessentonas, em parceria com outros vultos imensos da cultura francesa como um Michel Sardou, um Adamo ou um Christophe e também uma Sheila e Silvye Vartan, para o gosto comum...

Hoje, no Diário de Notícias, sai a explicação esfarrapadinha e que tresanda a chico- espertice por todos os lados, de…Zé Diogo Quintela.
Diz aquele que é uma espécie de humorista que os fedorentos sempre assumiram que “ a ideia não é deles” e “se fosse para copiar fazíamos a coisa minimamente diferente”. Minimamente diferente?!!! Ó Quintela! Mas tu, por acaso, já viste outra vez o vídeo do Clo-Clo?! Estás gozar connosco, ó pá?

Logo a seguir, de mansinho, a explicação tipo Clara apanhada no gamanço de ideias, com muito carinho Correia: “A chuva de estrelas e o não se esqueça da escova de dentes adaptaram música dos Abba”. Pois adaptaram e no caso da Chuva, até tinha a indicação explícita de que se tratava do Thank you for the music… que é o que falta de todo no genérico do programinha do Diz que é uma espécie de imitação.
E explica o processo criativo: “Mais do que uma música estávamos à procura de um tipo de dança”. Pois, a dança é que lixou tudo, porque a cópia é mesmo da dança, para além da música. É uma cópia de tudo, voilà.
Eu não sei se os fedorentos têm que pagar direitos de autor. O que sei é que têm de pagar o preço da fama e esta é implacável com este tipo de chico-espertices. Como dizia o Dylan, para viver fora da lei, é preciso ser honesto. E o que resulta desta anedota é uma desonestidade que fica nada bem a quem anda sempre a gozar com os outros.

Ora ponham lá o nome ao rapazito Clo-Clo, dizendo que lhe copiaram a ideia e mostrem o vídeo original. É o mínimo que a decência impõe.

Notazinha: o título deste postal é uma cópia de uma canção de Bob Dylan...

Publicado por josé 10:22:00  

5 Comments:

  1. zazie said...
    Pois eu também acho que agora só com o Clo Clo no genérico é que se safam.

    É cópia descarada e é demasiada lata. A música está copiada, os fatos com gravata, a dança e até o cenário.
    rb said...
    Na mouche, José!
    The Bear said...
    Dorzita Chata....

    Plágio? Cópia? Isso é só rir. Já agora avisem o Pedro, o Marcelo, o Anibal, o José e todos os que porventura venham a surgir para poderem reclamar os respectivos direitos de autor.
    Imaginação, muito trabalho são alguns dos ingredientes para se obter sucesso.
    Eu sei, é aquela dorzita entre o braço e o ante-braço, não é?
    josé said...
    Maybe i´m amazed...
    josé said...
    Amazed at how you stand that pain in the ass.

    Porque é que não se lembraram de copiar esta? Tinha muito mais piada e a cópia seria ainda mais original...


    SETE E PICO

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    No Baile da D. Ester
    Feito a semana passada
    Foram dar com o Chaufer
    A dançar com a criada
    Dizia-lhe ela baixinho
    Na prise és bestial

    Eram pr'aí sete e pico
    Oito e coisa nove e tal
    Eram pr'aí sete e pico
    Oito e coisa nove e tal

    A D. Inês sequiosa
    Não resistiu ao Wiski
    E pra se tornar famosa
    Quis ir dançar o twist
    Ao dar um jeito partiu-se
    A cluna vertebral

    Eram pr'aí sete e pico
    Oito e coisa nove e tal
    Eram pr'aí sete e pico
    Oito e coisa nove e tal

    O D. José de Vicente
    Que é de S. Pedro da Cova
    Pra mostrar que ainda é valente
    Foi dançar a Bossa nova
    Escorregou no soalho
    Caiu, foi pro hospital

    Eram pr'aí sete e pico
    Oito e coisa nove e tal
    Eram pr'aí sete e pico
    Oito e coisa nove e tal

    Quando o serviço abundante
    No baile se iniciou
    O D. Grilo num instante
    A alface devorou
    Diz-lhe a Locas ao ouvido
    Pareces um animal

    Eram pr'aí sete e pico
    Oito e coisa nove e tal
    Eram pr'aí sete e pico
    Oito e coisa nove e tal

    Faltou a luz e gerou-se
    A confusão natural
    E a Locas encontrou-se
    Nos braços do Amaral
    Logo esta grita aflita:
    Acendam o castiçal!

    Eram pr'aí sete e pico
    Oito e coisa nove e tal
    Eram pr'aí sete e pico
    Oito e coisa nove e tal.

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