O jornalismo de guerras

Apesar dos esclarecimentos da ASJP e do debate que se produziu em alguns blogs, incluindo neste onde escrevo, o assunto da pequena Esmeralda continua a ser tratado pelo Público, com tratos de polé.
A jornalista Paula Torres de Carvalho, hoje, continua a desinformar, ao dizer depois do título capcioso “PGR chamou magistrado que defendeu prisão de pai adoptivo”, que “Distancia-se [ a posição do magistrado que na primeira instância defendeu a prisão preventiva do sargento ], por outro lado, da posição do representante máximo do MP no Tribunal Constitucional, que defendeu que, tendo em conta os superiores interesses da criança, o casal adoptante deveria ser ouvido no processo de regulação do poder paternal”.
Mal. Mal e mais uma vez, mal. Em primeiro lugar, já se disse, escreveu e repetiu que o processo em que o “sargento” foi preso, não tem a ver, nem é o mesmo que está no Tribunal Constitucional, onde os “superiores interesses da menor”, aqui, tem relevância fundamental e apenas relativa, naqueloutro criminal de apreciação do crime de sequestro.
Por outro lado, e mais grave, ninguém se admira de o processo de Regulação do Poder Paternal estar no Tribunal Constitucional, parado, há dois anos!
Seria bom saber se já tinha ou não, despacho do “representante máximo do MP no TC” e apurar quem é o responsável directo por este atraso incompreensível, não explicado e que causou evidentes prejuízos para o bom desenrolar deste caso.
Este assunto, porém, ou por ser tabu ou por ignorância pura e simples, é completamente ignorado.
Por seu lado, o Diário de Notícias, noticia na primeira página que “Decisão provoca guerra nas magistraturas”!
Carlos: não me apercebi de guerra alguma...o que me apercebi é que os jornalistas, muitas vezes não sabem o que escrevem e desinformam. E nunca assumem culpas ou responsabilidades por isso. Pedem-nas, antes, a quem julgam tê-las. É esse o poder do quarto poder?

Publicado por josé 21:03:00  

13 Comments:

  1. Carlos said...
    Ora, cá está uma boa castanhada.

    José, a "guerra" nas magistraturas refere-se ao facto de haver juizes e procuradores disponíveis a assinarem um habeas corpus. o que não parece muit habitual. pra mim é inédito que os magistrados estejam disponíveis para assinar um pedido de habeas corpus que requer a libertação imediata de um cidadão condenado pelos tribunais. Por alguma razão é. Veja, meu caro amigo, a carta do desembargador Santos Carvalho, publicada há dias no Público.
    lusitânea said...
    Mesmo com os esclarecimentos a verdadeira sentença está dada pelo povo soberano...
    zazie said...
    José,

    Só uma dúvida: porque é que os autos do processo de adopção não são públicos? Logo o primeiro em que foi atribuída a paternidade.

    O que está parado há 2 anos suponho que seja segredo.
    tina said...
    "assinar um pedido de habeas corpus que requer a libertação imediata de um cidadão condenado pelos tribunais."

    Que alívio, a minha fé na humanidade voltou.
    Anónimo said...
    A jornalista Paula Torres já tinha escrito pelo Natal um artigo militante e absolutamente abjecto no público. Se tiver acesso aos arquivos do jornal pode ler na integra em
    http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?id=113893&sid=12576
    Anónimo said...
    Aliás, tudo começa com um pressuposto errado: não são pais adoptivos porque não ouve adopção. E só pediram a adopção depois de o pai ter mostrado querer a custodia da filha e a regulação do poder paternal ter estipulado que o pai biológico ficava com ela. Não havendo adopção, não sao pais adoptivos e por isso têm muito menos direitos... Mas é a comunicação social que temos...

    http://legalices.blogspot.com/
    Gomez said...
    Espero que o CSM e o CSMP não deixem de se pronunciar sobre as posições públicamente assumidas por magistrados, nessa qualidade, acerca dos processos pendentes relacionados com este caso.
    Proteu said...
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    josé said...
    Caro Proteu:

    Nao li a f. Uma vez, numa caixa de comentários troquei umas impressões com a mesma. Fiquei a simpatizar com ela, por motivos que adivinho serem inexplicáveis.
    Não quero, por isso, perder a simpatia.

    Estou como o carteiro do anónimo: sou demasiado condescendente com determinadas coisas.
    Proteu said...
    Nesse caso, por respeito para consigo, apago o comentário.
    Quase said...
    Carlos,
    Talvez seja bom não confundir guerras de magistraturas (judicial v. MP) com guerras em que entram magistrados (num lado e noutro). Independentemente de não me parecer que mesmo esta fórmula seja a mais feliz.

    Entretanto Gomez aduz um aditamento uma vez mais pertinente e em que ninguém tem pegado vale para o PGR e para o presidente do CSM (e seria bom que essa reflexão fosse integral independentemente da categoria).
    Porque não dar o destaque a esta chamada na página principal da Grande Loja?
    ... said...
    Valha-nos a mestria do José para recolocar as questões que de outro modo cairiam em saco roto.
    Quando tudo parece precipitar-se para o abismo eis que surge quem ainda consiga abanar consciências. Continue assim, caro José.
    ... said...
    Ah! já me esquecia de lhe dizer que reproduzi no meu blogue um pequeno fragmento do seu texto, com link para a Loja. Espero que não se importe.

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