a inteligentsia

Segundo leio na crónica de hoje do JN, de Manuel Pina, Saramago considera Santana Lopes, um imbecil. E disse-o, sem rebuço, numa entrevista ao semanário Sol.
Chamar “imbecil” a outrém, será talvez o insulto mais fácil e de morteiro mais certeiro na carga ofensiva. Diminuir, acintosamente, a capacidade intelectual de alguém, relegando-a para o domínio do jardim infantil, é corrente como insulto. É fácil, de fala-barato e rende dividendos de importância para quem subtrai a qualidade. A medida da imbecilidade atribuída, é inversamente proporcional à inteligência que o apodador se atribui a si mesmo e aos próximos.

No caso de Saramago, como comentador político e social, é reconhecida a inteligência excelsa que já vem de longe. De muito longe e andou já muito tempo, para aqui chegar. E vai para longe, também.
Acredito, por isso, que ninguém questionará a excelência do dito, perante a supina referência daquele espírito.
Aliás, em matéria de comentarismo sobre política e religião, por exemplo, Saramago é um ícone. Da inteligentsia.

Publicado por josé 13:57:00  

6 Comments:

  1. António A. Antunes said...
    se calhar, no, fundo, até são bons amigos.
    tina said...
    "E vai para longe, também."

    Não muito, dois palmos para baixo da terra.
    naoseiquenome usar said...
    Porque será que não aprecio Saramago? ... defeito meu, dirá a convencional maioria. Talvez. Certamente também do próprio, que vá lá saber-se porquê, apesar da escrita, retórica e prémio "Nóbel", nunca conseguiu convercer-me.... a mim, que não sou ninguém, claro e até lhe dei dinheiro a ganhar até à sua nova experiência "O ano da morte de Ricardo Reis"... ter-me-à faltado ler o resto. Penitencio-me. Mas não houve mais pachorra.
    Valmoster said...
    Também fiz um largo intervalo que acabou com a leitura do último "apronto". Valeu a pena.
    sniper said...
    José, a sequência é boa, Saramago, Vital Moreira...Cada vez tenho menos pachorra para comunistas bem instalados na vida.
    Politikos said...
    O que convirá é distinguir entre o escritor e o homem político. E não sei se o poste o faz suficientemente. É que, como se sabe, são coisas bem diferentes. Sobretudo no caso dos «engajados» politicamente e ainda por cima com razões pessoais de queixa: dá sempre asneira...
    P.S. - Mas folgo em vê-lo reactivo ao pequeno insulto, José; será que é assim com todos?! Ou é só com o Saramago ;-)

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