(foto de Ramette Philippe)
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A Casa da Música [Porto] em 2007 disporá de 4,4 milhões de € do seu orçamento para programação musical, este parece-me ser um montante razoável, nada portanto a opor quanto a isso. Atendendo, no entanto, a que o Estado nesse ano contribuirá com 10 milhões de euros para a despesa corrente do equipamento; a que a CMP, pelos estatutos da fundação, contribuirá para o financiamento das actividades desta com uma verba não especificada; a que haverão receitas de exploração significativas; e a que os encargos com salários dos músicos da ONP serão suportados autonomamente pelo Ministério Cultura (embora essa verba vá decrescer até “0” nos próximos 5 anos, o que, em minha opinião, foi uma forma de de o MC decretar, a prazo e sem hematomas de maior, o fim da orquestra, mas este será um assunto objecto de uma futura posta) pode-se concluir que a CdM, por ano, gasta com ela própria muito mais de 5,6 milhões de € ou seja muito mais do dobro do que dispõe para a finalidade para que foi construída. Admito que o problema seja meu, mas há algo aqui que me parece errado ou que necessita de ser explicado rapidamente, principalmente por se tratar de uma estrutura que é nova mas que parece funcionar com os mesmos defeitos das velhas. Mas como referi, é de admitir que o problema possa ser meu.

Publicado por contra-baixo 12:52:00  

1 Comment:

  1. Roy Bean said...
    Não vejo problema nenhum em que se apoie devidamente a cultura... artes, música, teatro, cinema, "whatever".
    Desde, evidentente, que se possa.

    Onde eu vejo realmente um problema é que se gaste dinheiro (que não abunda) em coisas que não são, digamos, de primeira necessidade.
    Pois se se racionam - pior que em tempo de guerra - as verbas para a educação, a saúde, a justiça, as obras públicas ... onde é que temos dinheiro para gastar em música?

    É que... quem não tem dinheiro não tem luxos, e não me parece que o nosso querido País, na presente conjuntura, seja propriamente um país rico.
    E a música é um luxo? Decididamente, é!
    Se eu não tenho dinheiro para pagar a escola dos filhos, ou o médico deles, ou as obras na cozinha... não me ponho a comprar CD's, nem bilhetes para a ópera.
    Desculpem lá o desabafo.
    Obrigada por existirem e se preocuparem!

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