Os afonsinhos


Segundo o Público, hoje à tardinha, na igreja do mosteiro de Santa Cruz, no centro de Coimbra, estava previsto um trabalho singelo, no túmulo do nosso primeiro rei e fundador da nacionalidade, D. Afonso Henriques.
O objectivo declarado do trabalho seria abrir o túmulo e ver se por lá ainda existirão as ossadas reais, vindas da Idade Média e trasladadas já algumas vezes ao longo dos séculos, a fim de as examinar, à luz da paleobiologia e determinar o aspecto físico, real, do nosso mítico primeiro rei, à semelhança do ocorrido com os faraós, por exemplo.
Eugénia Cunha, especialista em Antropologia Biológica e consultora para a Antropologia Forense e Colaboradora do Instituto Nacional de Medicina Legal, * que se interessou pelo assunto, pediu as autorizações necessárias, à diocese de Coimbra e ao IPPAR. Nada opuseram.
O IPPAR, aparentemente, não comunicou ao ministério da Cultura. Resultado: não é hoje que se fará a abertura do túmulo.
Alguém falou em Simplex?!
Parece que falta mais uma medida, a acrescentar às outras 333…e será o modo de tornar mais simples a comunicação entre organismos dos vários ministérios. Por telefone ou telemével, não dá. Através de computador também não. Será então através de papel escrito e processo aberto. Com prazos para cumprir, cotas para abrir e fechar, assinaturas para lavrar e despachos finais exarados no rosto dos ofícios por cima das letras...
Que falta fazes, Afonso!

* corrigido por indicação do leitor Fernando Martins,

Aditamento às 12h 10m de 7.7.06:

Procurei hoje saber mais, pela leitura dos jornais. O Público, continua a referir a académica Eugénia Cunha como "antropóloga forense da Universidade de Coimbra".
Quanto aos motivos reais do adiamento dos trabalhos, ficamos a saber, acreditando no que se escreve em jornais, que foi por um mero acaso que a diligência não se realizou. Afinal, quem alertou as "autoridades" do IPPAR central e do ministério da nossa Cultura oficial, foi o pedido de ...um fotógrafo, ou um cineasta, ainda não se sabe muito bem.
Até ontem, o IPPAR central e o ministério da nossa Cultura oficial, de nada sabiam, apesar de o IPPAR local saber de tudo e até ter dado todas as autorizações pedidas.
Justificação do responsável pelo IPPAR central: o Instituto, afinal, até conheceria o projecto, já desde Março de 2005! O que falhou, segundo o presidente do IPAAR central, chamado Elísio Summavielle, foram as " comunicações internas"!!!

A explicação é muito simples, afinal. Simplex, mesmo. Ou uma vergonhex também, embora essa palavra não exista nos dicionários e o ministro não foi capaz de a propor como termo aceitável.
Fica por isso connosco, a vergonha toda.

Publicado por josé 15:17:00  

30 Comments:

  1. Fernando Martins said...
    Caro José:

    A Doutora Eugénia Cunha é especialista em Antropologia Biológica e não em forense, sendo consultora para a Antropologia Forense e Colaboradora do Instituto Nacional de Medicina Legal.

    Mas não é nesta qualidade que quer ver os ossos do Pai da Pátria...
    josé said...
    Obrigado pela informação. Vou corrigir. É o que dá fiarmo-nos nas notícias do Público...
    Menino Mau said...
    mas o IPPAr não faz parte do ministério da cultura?ah grande simplex!a ministra não sabe nada do que se passa em sua casa!
    Tiago said...
    Exactamente, "Biológica" e não "Forense". Caso contrário, estaríamos perante um afunilamento dentro da própria especialidade, que, neste caso, não corresponderia de todo à realidade. Trata-se de paleobiologia, não de investigação forense.
    kafka said...
    Pois é.
    As novas tecnologias são apenas instrumentos, que podem ser utilizados ou não, por pessoas. O seu domínio não constitui um fim. Se a sua utilização não se traduz num benefício para os cidadãos, os Simplex e as Bandas Largas reduzem-se a uma mera modernice...
    Quer-me parecer que isto só avança com o factor H!
    Afonso Henriques said...
    Presente! :))
    naoseiquenome usar said...
    Gostaram das explicações do Presidente do IPPAR? :)
    Desde Março de 2005, andava o processo de autorização para, por parte dos investigadores, a ser preparado. Uma equipa constituída maoiritáriamente por estrangeiros.
    Belo cartão de visita! :)
    Portugal no seu melhor.
    zazie said...
    não terá havido coisa com os Monumentos Nacionais?
    não sei de nada, é só uma suspeita. Sempre que existem "clonagens" há complicações.

    Quanto ao Afonso era bem melhor que o deixassem em paz
    maloud said...
    Deixar o Afonso em paz, Zazie?! Não vê que a França não larga a madeixa de cabelo do Napoleão?! Podemos lá nós ser mais uma vez batidos pela França!
    Luís Bonifácio said...
    E agora uma coisa completamente diferente!

    Esse Elisio tem curriculum para o cargo que ocupa e é uma mera coincidência,ter o mesmo nome de familia que um antigo dinossauro Socialista de Fafe. Ou não!
    maremoto said...
    È muito dificil mudar hábitos antigos. Funcionários a mais. É uma vergonha! A ideia é sempre não fazer, emperrar e complicar, pois só isso justifica o ordenado.
    Gomez said...
    É um fenómeno vulgar na administração da Cultura: a lei é escassa e a discricionariedade impera.
    Mas tudo se faz para que assim continue. Veja-se o caso da regulamentação da Lei do Património Cultural, sucessivamente adiada para as calendas e cometida a grupos de trabalho sem condições para um funcionamento eficaz (ou alguém julga que uma resma de Directores-Gerais se pode incumbir, com prioridade, de tal tarefa?).
    Aqui fica o meu testemunho de solidariedade com a Prof. Eugénia Cunha, que é uma das mais reputadas investigadoras na matéria e que não merecia ser destratada desta forma pela corte da Ajuda.
    zazie said...
    Olha Gomez, eu não sei quem é a Prof Eugénia Cunha mas ainda assim não tenho muita pena de uma pessoa que até disse que só porque não a deixaram espiolhar o Afonsinho ainda são capazes de perder o apoio da empresa que está a ajudar aos restauros.

    E não sou porque, por acaso, em tempos também pedi ao IPPAR que se limitasse a ceder a trampa de um estrado para eu poder fotografar o cadeiral para trabalho de tese.

    E os senhores do IPPAR que parece que só são sensíveis quando há vedeta à mistura, recusaram-me o andai-me, recusaram-me o estrado e até me recusaram um escadote.

    Felizmente que escadote havia na igreja e graças aos responsáveis religiosos e a um muito patusco senhor sacristão, o levantamento foi feito em equilíbrio instável mas com resultados que não me envergonham.

    Mas não é coisa para vir nos jornais. Não mete novelas nem indiscrições identitárias. É apenas um estudo de valorização de património único do nosso país.

    Coisa de somenos importância, como é de entender.
    Gomez said...
    Pois é Zazie, estórias estranhas sobre a corte que "administra" o Património há muitas.
    Não conheço pessoalmente a Prof. Eugénia Cunha, só o seu trabalho. No caso concreto, o que me choca é que a investigadora tenha conseguido mobilizar - com as costumeiras e naturais dificuldades - os recursos materiais e humanos exigidos por uma investigação séria e de vulto (incluindo patrocínios privados, porque financiamentos públicos é o que se sabe...), fiada numa autorização formal do IPPAR e que a dita autorização seja revogada / suspensa (?), à última hora, invocando-se a inexistência de despachos que nenhuma disposição legal exige.
    Enfim, é mais uma das ditas estórias...
    Saudações cordiais,
    Gomez
    zazie said...
    Pois, eu não sei do trabalho mas não gostei do comentário revanchista a propósito do restauro.
    Quanto ao resto apenas fica a pergunta: e para que servia a investigação? Imagino que alguém tenha soprado de cima que realmente não interessava absolutamente nada e creio que se fez bem em lhe pôr ponto final a tempo.

    Vá aparecendo do outro lado, Gomez. Então?
    Gomez said...
    Bem gostaria de aparecer Zazie, que este bichinho é terrível, mas não está fácil arranjar uns tempinhos...
    Fernando Martins said...
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    Fernando Martins said...
    Desculpem meter-me na conversa, mas a investigação, presumo (sou ex-aluno da Doutora Eugénia Cunha, com muito orgulho...) seria para caracterizar antropologicamente um mito (essa estória do D. Afonso Henriques de 2 metros de altura, de quase superhomem...) e passá-lo para a realidade - reconstituir a sua face, saber quantos anos viveu, doenças e alimentação, o caso da perna partida e da doença infantil, tudo isto poderia ser destrinçado.

    Nos outros países faz-se rotineiramente. Cá as Ministras (na Inglaterra as vacas são loucas, na Índia sagradas, cá viraram... ministras...) têm de saber tudo e assinar tudo. É de doidos.
    zazie said...
    "Nos outros países faz-se rotineiramente"

    desculpa lá, em que países?

    em que países é que se anda a abrir o túmulo do fundador da pátria para ver se o tipo era marreco?


    E desde quando é que uma questão que está na base da própria Nação é apenas um mero detalhe para uso pessoal de um investigador?

    Eu fui bolseira e para o ser tive de justificar muito bem o interesse nacional do trabalho. Para menos, apenas para fotografar espólio- pedra ou madeira- também tive sempre de justificar o interesse e uso. E esse nunca foi para meu gozo pessoal. Para provar que tenho umas teorias bué de boas sobre uma coisa que por acaso até pode dizer respeito a séculos de história do meu país.

    PôÔÔ.., isto agora deu tudo em "liberal" ou quê?

    Se não existe interesse nacional e só existem liberdades individuais, o critério da História até pode ser o capricho.

    Por acaso o VPV escreveu sobre o assunto. Apesar da habitual negrura com que olha para a tradição, não foi capaz de deixar de notar este detalhe tãoóbvio.

    E como ele disse, se fosse o D. Sebastião então é que a coisa era linda...

    É claro que não há nada muitos países a quererem provar que os mitos fundadores são fraudes e que até podem derivar de um macaco...

    ":O)))

    Não há nenhum! sempre que se mexe nestas coisas é com cuidado. E o D. Afonso Henriques não é propriamente o que empenhou as barbas. Esse e outros mais recentes por agora ainda estão por conta do lobby maçon e as coisas nem vêm a público.

    Agora o Afonsinho? alguém imagina num trabalho cujo intuito fosse o que o Fernado Martins caba de dizer a ficar fechado no meio académico?

    É claro que isso primeiro era capaz de dar na TVi ou na Sic e só depois ir a julgamento académico.
    zazie said...
    Além do mais parece-me total ficção pensar-se que com esses séculos todos se ia encontrar um esqueleto minimante inteiro para se poder ver se era anão ou marreco.

    E muito menos se podia fazer qualquer análise de ADN com resultados práticos porque não existem outros possíveis descendentes para comparação.

    A pergunta "para que serve" é mais que legítima e eu não encontro resposta para ela.

    para quê?

    e este para quê nunca pode ter como resposta o curriculo da investigadora.

    O "para quê" é Histórico e diz respeito a todos nós.
    zazie said...
    Se não existe um bom motivo que o justifique até bastava o perigo e risco mais que natural em se abrir aqueles magníficos túmulos manuelinos para se ficar quieto.

    Não se anda todos os dias a colocar em risco túmulos destes, não é? pelo menos desde os tempos das invasões francesas ou das outras mais jacobinas (digo eu...)

    Esse render culto ao científico é tão ou mais patético que a subserviência mítica. É bom senso. Que me parece ser coisa que muito falta cá na terrinha.

    ou não se faz nada e ninguém se preocupa ou então é logo a epopeia (ou a anti-epopeia)
    Fernando Martins said...
    Cara Zazie:

    Como sou monárquico e geólogo, com alguma formação em Antrologia e Arqueologia, penso que posso falar com toda a propriedade das várias vertentes deste mesmo assunto.

    Assim:

    1. Tem-se feito com regularidade reconstituições de pessoas célebres com base nos seus ossos: Filipe II da Macedónia, vários Faraós, recentemente os ossos de Colombo, restos de Reis e Imperadores foram estudados, até a cabeça (provável) de Copérnico foi reconstituída e muitos outros casos foram acontecendo ( vide madeixa de cabelo de Napoleão I...). Tratados com dignidade, esses mesmos restos são ainda mais dignificados pelo facto de prestarem um novo serviço ao seu país, ao darem a conhecer as pessoas por detrás da figura histórica.

    2. A História faz-se de factos, mitos e descobertas - não é por se focar em aspectos menos enigmáticos, como saber se D. Afonso Henriques morreu aos xx anos, que altura tinha, se teve uma determinada doença ou sofreu uma (ou mais fracturas) que este deixa de ser o mito que é ou o Pai da Pátria.

    3. Só a possibilidade de conhecer a real face (nos dois sentidos) do Rei Fundador, com a sua humanização, no que ao ensino diz respeito, este aspecto é de importância extrema - sendo nós, humanos, primatas, a memória visual é o nosso sentido por excelência...E o ensino de História anda numa apagada e vil tristeza , há muitos anos, no Reino de Portugal ...

    4. Quanto aos riscos para o túmulo, para mim o tesouro (principal) são os ossos... Para além disso, às vezes, o calcário, de que muitos túmulos reais é feito, sofre do chamado cancro da pedra pelo que é de todo o interesse (da pátria e dos seus cidadãos) conhecer o estado geral desse mesmo túmulo.

    5. A Doutora Eugénia é uma importante Antropóloga e sabe da importância do estudo dos restos mortais de D. Afonso Henriques para Portugal, para a Antropologia e para a História. Não precisa de protagonismo - aliás, no recente caso do Menino do Lapedo ) teve, sem o procurar, na cena arqueológica nacional e até internacional. Deixemos os antropólogos, os historiadores e o IPPAR trabalhar - o que interessa virá depois...
    zazie said...
    "Quanto aos riscos para o túmulo, para mim o tesouro (principal) são os ossos."

    desculpe Fernando. Basta esta frase para que eu não tenha nada a dizer.

    NADA. Absolutamente nada a não ser que se cometam todas as possíveis e impossíveis ilegalidades para travar quem pensa isto.

    Ainda bem que o diz. Se for preciso apanha-me pela frente a defender essa pedra. todas as pedras. todo o património, contra toda a merda de ossinhos para cuscar tretas que não interessam ao menino Jesus.

    Olhe, só por isto até mando já aqui um VIVA AO IPPAR E À MINISTRA!

    abaixo os destruídores e salteadores da Arca Perdida"
    fónix!

    é ver qual destroi mais para meter pontos no seu clã- Se é pró islâmico destroi o que for preciso da Idade Média cristã por que o que lhe interessam são os cacos mouriscos. Se for pró-romano destroi tudo o que for visigótico se for preciso para meter pontos no seu clube clássico.
    È sempre assim. Também conheci esse meio tenebroso.

    Agora dizer-se que um túmulo do Castilho e do Chanterenne vale menos que uns ossos devia dar direito a expulsão da investigação.
    zazie said...
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    zazie said...
    há uma coisa que devia ser lei que norteia quem tem pretensão a investigar Património- o investigador existe para servir a História. Nunca o contrário. Não somos nada. Apenas temos obrigação de passar testemunho e preservar contra tudo e contra todos o que faz parte da História de um povo. Essa escolha que v. formulou é uma afronta a todo o saber.

    Uma afronta das mais perigosas porque é produto de caciquismo erudito e não apenas de ignorância popular ou da incúria dos tempos.

    Maldito novo-riquismo que até aqui ataca
    Fernando Martins said...
    Cara Zazie:

    Reafirmo que, para mim, os restos mortais de D. Afonso Henriques são o mais importante, comparativamente com o túmulo (do qual desconheço o autor ou a qualidade técnica). Estive o fim-de-semana passado em Alcobaça, onde recordei como são belos (ou deviam ser, provavelmente policromáticos e antes de vandalizados, penso que pelos soldados napoleónicos) os túmulos de D. Pedro I e de Inês de Castro. O túmulo do pai fundador da pátria é do mesmo valor? Quem é o seu autor? E acha que, por se recuperar o túmulo, com alguns problemas e , ao mesmo tempo, estudá-lo, se põe em risco?

    Depois pensa que os cientistas, ao mexerem num objecto, o degradam. Às vezes é verdade mas, num objecto conhecido e exposto ao público muitas vezes é o contrário que acontece (o uso degrada e o estudo recupera). Tanto quanto sei estão a reparar o túmulo e, aproveitando o facto de ser aberto, ir-se-ia estudar os ossos (ou o corpo, se o último relato da abertura e transladação do corpo era vero...) para conhecer e dignificar o nosso Rei. Este iria prestar um último serviço à patria que criou (ou irá como ainda espero...).

    Iria dar que falar de Portugal, de Coimbra, da questão de regimen, iria dar face real ao estudo do início da nacionalidade (o que os nossos alunos detestam). Iria dar factos reais sobre a vida e morte de um dos mais importantes portugueses.

    A Zazie discorda - está no seu direito. Eu acho que seria importante para as comunidades científicas da Antropologia e da História e para Portugal em geral saber mais sobre quem era D. Afonso Henriques, ajudando a preservar o seu túmulo, a sua História e o seu legado...
    zazie said...
    Ó Fernando,

    Por favor, v. é professor, é formador, fala do assunto e anuncia que o faz com propriedade e nem conhece o túmulo? Não me constranja que até fiz post e nem linkei por pudor.

    Consulte uma História da Arte qualquer, que diabo. Dê-se um bocadinho ao trabalho antes de ter tantas certezas históricas e patrimoniais

    Você tem uma ideia do património que está ao abandono? sabe como estão os cartórios, os pergaminhos, as iluminuras, os retábulos, os cadeirais?

    Vá ao Cocanha que logo de início falei nestes despesismos de bimbalhice e vedetismo.

    Não há técnicos, não há um tostão para nada, há gente a trabalhar à trabalhar à borla, por mero gosto de defesa das obras de arte, e vêm-me agora com estes luxos e ainda me diz que valia a pena o risco porque a trampa dos ossinhos são mais importantes?

    V. vive em que país?

    Até fiquei embatucada...
    zazie said...
    ajudando a preservar o túmulo... mas v. conhece as campanhas de restauro? sabe o que é abrir aquilo? alguma vez meteu os pés na Igreja de Santa Cruz de Coimbra?

    ou apenas sabe o nome das pessoas e nem pensa 2 vezes para tomar partido?
    zazie said...
    Foi por isso que reaji mal às declarações da vª mestra. Ela vai para os jornais e também fala de alto. E teve o desplante de ainda vir com uma espécie de "ameaças" veladas. Que assim, em não a deixando pegar nos ossos, eram capazes de perder o contrato da empresa que até estava lá para restauros só à conta do que ela ia estudar...

    fónix! eu não conheço a senhora de lado nenhum. Pode ser a maior sumidade no assunto. Mas, para investigadora tem um falta de humildade que é a principal característica que deve nortear os que servem o Estudo e a História.


    Não existem estudos autónomos. Tudo tem de ser ligado e pesado e verem-se as vantagens, os riscos, os custos, as prioridades.

    Por certo que num país que tem grande parte do património ao abandono e a saque, arriscar estragos nesta obra-prima só para satisfazer uam prima-dona não havia de ser opção sensata.

    Ia jurar que foi isto que alguém soprou a tempo.

    E ainda bem que o fizeram. Mesmo que não existissem riscos-coisa que duvido muito- em outros campos mais básicos já houve total destruição de património (ex- pintura mural da basílica paleo-cristã de Troia- só para citar 1) havia desplante terceiro-mundista.
    Fernando Martins said...
    Cara Zazie:

    É claro que conheço o túmulo (não sabia, antes de ir à Cocanha, que tinha mão do Chanterenne). Reafirmo que há mais obras deste Nicolau, algumas bem estragadas pelo tempo (e não só...) a merecer reparação (restauro) urgente. Agora esqueleto de D. Afonso Henriques, penso eu (há sempre a piada medieval, das 3 cabeças-relíquias de S.º António, em criança, adulto e morto) há só um. No caso em apreço, visto não ir à Igreja de Santa Cruz faz muito tempo, não sei se é assim, no que diz respeito ao estado dos túmulos reais. A Zazie sabe...?

    Fico contente por ter percebido que o estudo de restos mortais com importância histórica é recorrente e importante. Agora continuo a não perceber porque é que, no decorrer do restauro do túmulo, não se pode estudar os restos mortais de D. Afonso Henriques...

    Também percebo que houve asneiras no passado em restauros, mas às vezes não intervir é o mesmo que destruir (ou, pior ainda, deixar que o tempo e a mão humana - directa ou indirectamente - o faça). O laisser faire, laisser passer é perigoso na História e na preservação de alguns materiais.

    Ou a Zazie agora é especialista em alteração de rochas, cancro da pedra, acção do ácido carbónico, infiltrações de água em calcários ou outros...?
    Eu tive umas lições sobre o assunto...

    Quanto a "Ela vai para os jornais e também fala de alto. E teve o desplante de ainda vir com uma espécie de "ameaças" veladas." não li essas ameaças, mas, se as fez, a Dr.ª Eugénia esteve mal.

    Note-se que não sou especialista do assunto mas que o comento para partilhar a minha opinião e receber novos dados, para modificar (se a tal chegar) a minha ideia inicial. E neste caso, a Zazie tem reagido muito a quente, isto para não dizer mais.

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