Uma das passagens rituais por que passa o processo político de privatização de um serviço público é primeiro cuidar pelo decréscimo da qualidade do próprio serviço. Tal parece ser o que já está a acontecer com a empresa Metro do Porto. Começa a ser hábito ter de esperar cerca 10 minutos para fazer um percurso comum a três itinerários distintos, para além do triste espectáculo da imundice, como, por exemplo, serem já proeminentes as manchas no granito das paredes, como se por acaso uma multidão tivesse estado a mijar contra estas (quem não acredita dê um salto à estação da Trindade e observe o estado da plataforma que é utilizada por quem vai em sentido contrário ao do “Estádio do Dragão”) a seguir virá a insegurança nas estações e apeadeiros. Percebe-se que zelar apenas pelo que já está feito não seja tão apelativo como gerir empreitadas de milhões – o último troço será inaugurado este fim-de-semana e é pouco provável que o Sócrates venha anunciar a construção de novas linhas. Como para os gestores que administram a empresa só a envergadura de uma privatização poderá estar à altura da sua motivação e que fazer com que os horários se cumpram e que haja o mínimo de asseio do espaço público e de segurança é uma tarefa de mera manutenção e nada estimulante do ponto de vista intelectual, para quem estava habituado a lidar com dossiers que envolviam grandes quantias, façam-nos um favor! - Privatizem já a empresa. Desse modo poupam os utilizadores ao triste circo de ver a qualidade do serviço a degradar-se , apenas com o quase certo propósito de se arranjar um motivo para mais tarde, e sem grandes ondas, se justificar a sua privatização.

Publicado por contra-baixo 16:16:00  

10 Comments:

  1. opatrao said...
    Há uma coisa que eu não percebo.
    Porque é que no Porto continuam a insistir em chamar metro à mesma coisa que chamam eléctricos dos modernos em Lisboa.
    maloud said...
    Patrão
    O metro anda em túneis no subsolo, não é verdade? Ora eu, moradora nas Antas, desço ao subsolo, na estação dos Combatentes e vou a todo o lado dentro do Porto, com a excepção do troço Polo Universitário-Hospital de S. João, sempre nos tais túneis. Julgo que os modernos eléctricos de Lisboa andam sempre à superfície.
    james said...
    Que Rui Rio e Valentim Loureiro retirem os devidos esnsinamentos...
    maloud said...
    Hefastion
    Eu desconfio que eles são autistas.
    james said...
    Maloud,

    eles são autistas e eu estou disléxico.
    maloud said...
    Hefastion
    Não me diga que explicar-me algumas coisas, ou quase tudo, tem esse efeito?
    james said...
    Maloud,

    de todo!
    Tenho a máxima cosideração por si e pela sua "naïvetée" esclarecida (como no séc.XVIII), diga-se.
    Duvido, é se serei um bom pedagogo...mas também nunca almejei tal destino.
    e-ko said...
    Estou a ver, que estão todos muito underground, hoje.
    As empresas públicas só servem para alguns chupistas e o Zé que pague. Depois vêm as empresas privadas e não fazem melhor e o Zé paga. O Zé paga sempre, é por ser privada ou por ser pública... e o serviço é sempre mau, veja-se com os hospitais.
    Politikos said...
    Só uma curiosidade, José. Como é que o meu «vizinho» Medina Carreira aparece a colaborar num blogue do Norte? ;-)
    Sobre o poste e alguns comentários só digo que é fácil ser-se privado em Portugal... O Estado constrói a infra-estrutura, põe lá o equipamento e depois entrega aos privados para gerirem através de uma concessão. Fixe. E quando se fala em emprego público e naqueles que giram na órbita do Estado, como classificar as empresas que gerem as concessões do Estado e há várias?
    Arrebenta said...
    Efeméride - a Negra Noite de 29 para 30 de Maio de 1453. Evocação de mortos e heróis.


    Após o longo cerco, Maomé II lançou-se contra as muralhas da Cidade.

    Foi decisiva a carga brutal do gigantesco canhão, de fabrico húngaro, que marcou um dos mais trágicos momentos inaugurais da Guerra Tecnológica e do triunfo dos Capitais sobre os Valores: essa mesma arma, inicialmente proposta, para defesa da Cidade, ao Imperador, e recusada, pela falta de fundos do Tesouro Bizantino, acabou por ser oferecida ao inimigo Otomano, que imediatamente a comprou...
    Rompeu as muralhas, as velhas muralhas de Teodósio II, do séc. VI, e permitiu que, por uma porta lateral, e desguarnecida, Turcos e Janízaros penetrassem na velha metrópole enfraquecida. Ao pressentir o fim, o Basileus Constantino XI, Paleólogo, lançou-se, então, no mais aceso da batalha corpo a corpo, e não mais voltou a ser visto, carregando, com a sua morte, o adeus ao Último dos Romanos.

    Cronologicamente, e por convenção, a Idade Média tinha acabado de findar.

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