Revel


Jean-François Revel, morreu no Sábado.
Autor francês, responsável editorial na Robert Laffont, editorialista no L´Express, defensor do liberalismo em sentido amplo( mas que apoiou Mitterrand no início...) e denunciador de totalitarismos, escreveu vários livros. Alguns merecem destaque:
- Nem Marx nem Jesus, em 1970, no qual profetizava que a Revolução do século XXI viria...dos Estados Unidos e não seria nem comunista nem cristã.
Em 1988 escreveu outro que intitulou "O conhecimento inútil ", no qual denuncia as mentiras recorrentes da informação corrente, mostrando aspectos particulares de uma desinformação constante, e parte da seguinte questão: será que os inúmeros conhecimentos e informações de que dispomos, nos conduz a tomar melhores decisões?"
Nessa altura, por ocasião da publicação de tal livro, declarava à revista Lire:
"A mentira institucional joga um importante papel na circulação das informações. Mas creio que o homem contemporâneo, mesmo nos países com forte tradição democrática, não tem a maturidade correspondente aos seus meios intelectuais e aos seus conhecimentos."
E pegou noutro exemplo de "mentira ideológica": em 1976, aquando do lançamento de outro livro seu- A tentação totalitária- tendo sido convidade do programa Apostrophes ( um programa de divulgação literária na tv francesa, animado por Pivot), afirmou aí, na presença de Jacques Delors e René Andrieu que na então URSS, a agricultura funcionava muito mal. Tal discurso contrastava com a verdade oficial acerca do sucesso económico nos países comunistas, o que era apresentado como verdade corrente pela propaganda soviética. E segundo J-F Revel, nessa emissão de tv, fez figura de urso por pretender o contrário, tendo sido mesmo desautorizado pelas eminências presentes...Delors incluído.
Segundo J-F. Revel, essa cegueira instituída, permanecia apesar das informações disponíveis, por falta de receptividade ao discurso que fosse para além do maniqueismo esquerda-direita, com a identificação do discurso da " esquerda" com o comunismo e o da direita com o anti-comunismo.
Em 1976, ainda no dealbar do período pós PREC em Portugal, a obra A tentação Totalitária, ocupou algumas páginas com o "caso português". A revista L´Express da época ( 12-18 Janeiro 1976) dedicou um número especial a tal livro. NUma das passagens, uma declaração singela sobre o nosso PREC: " Confesso não compreender o que estas asneiras e as suas consequências têm a ver com o socialismo"!

Publicado por josé 00:14:00  

17 Comments:

  1. Assur said...
    Amigo José

    A Grande Loja está frouxa.

    Até amanhã ;)
    maria said...
    "...as asneiras e as consequências..." trágicas estão TODAS à vista. Nada poderia ter sido mais premonitório!

    Maria.
    sniper said...
    José, bom dia. Obrigado por se ter lembrado do Jean - François Revel. Ele e o Raymond Aron, foram e seram dos poucos franceses que nunca irei dispensar a sua companhia. Ambos ajudaram a construir aquilo que hoje sou. Paz à sua alma.
    O Restaurador said...
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    maloud said...
    Passouline no seu blog tem um post muito interessante sobre Revel. Vale a pena visitar.
    esplendor said...
    Só agora, após a sua morte, descobri Jean-François Revel, mas estou cada vez mais fascinada por este homem. Obrigada.

    evva
    maloud said...
    Para quem vê a TV5, até há pelo menos dois anos era uma presença assídua.
    maloud said...
    José
    Não é a GLQL que está frouxa. Os comentadores é que estão frouxos.
    sniper said...
    Minha cara Mª de Lurdes,

    Não partilho da sua opinião em relação aos comentadores. O "affaire" JPP, deu para já aquilo que tinha a dar. O postal mais importante teve 26 comentários. Os restantes sobre o JPP foram para "bater no ceguinho", ou seja dispensáveis. Os "Dias loucos do PREC" foi bom. Não comentei para não ferir susceptibilidades; a teoria da "panela de pressão" de Bruto da Costa ficou-me atravessada, entre outros aspectos de outros comentadores, e também do postal em si. Os outros postais são vulgares, ou seja poucos estimulantes. Quem é que está frouxo? Os comentadores? Penso que não. Talvez excesso de trabalho relacionado com as profissões que cada postador exerce. É natural. Ninguém é uma máquina. Ás vezes nem consigo abrir o PC nas minhas horas livres, quanto mais comentar.
    António Viriato said...
    Ficámos todos mais pobres, sem a presença deste arguto pensador, irredutível adversário dos fabricantes das grandes fraudes do pensamento político do século XX.

    Bem lembrados esses dois livros notáveis : «A Tentação Totalitária» e «Do Conhecimento Inútil». Este último, em particular, agradou-me imenso, porque nele JFR faz um autêntico cheque-mate às imposturas e à duplicidade de critérios de certas elites bem-pensantes, vesgas na sua apreciação política durante décadas a fio, até ao descarrilamento final da Locomotiva Soviética.Em França, só Raymond Aron se lhe pode comparar, na coragem e na força do pensamento desmistificador. Infelizmente, já desapareceram ambos. Podem retomar o seu trabalho os impostores de serviço, porque encontrarão a frente que se lhes opunha mais desguarnecida.

    Num outro plano, mais igualmente lamentável, por ironia do destino, registou-se também a morte, no mesmo dia, de outro grande lutador pela causa da «economia sensata», ao serviço dos cidadãos, e não sobretudo das máquinas financeiras : John Kenneth Galbraith, que, em 2003, aos 95 anos, ainda foi capaz de escrever um pequeno livro - The Economics of Inocent Fraud - que é um libelo contra a perversão financeira da Economia. Enfim, duas baixas de vulto do lado da clarividência política, económica e filosófica. Leiam-se-lhe os livros que escreveram e meditem-se-lhes as propostas que deixaram. Pelo menos isso...
    maloud said...
    Caro Sniper
    Como me conhece, imagina que, depois do primeiro impacto, me tenho fartado de rir com o "affaire" JPP. Agora que noto algo diferente, noto. Não sabia se era auto-censura, se desmotivação. Como sou ociosa, não me tinha ocorrido que poderia ser excesso de trabalho. Com certeza é essa a explicação.
    solar said...
    A dona Maloud parece que nao percebe as coisas que lê, ou vê. E em francês- a língua dos irremediáveis e dos gongóricos do nada... O blogue do Pierre Assouline tratava da morte do Revel ao longo de mais de 40 textos.Ele era de direita americana, contaminado por outra avis rara, o Servan-Schreiber, hoje muito doente, que escreveu em 1969 "O Desafio Americano". Só que JJSS apoiou o J.F. Kennedy e Revel apoiou a família Bush e a Guerra do Iraque. Fez um livro sobre isso, a defender com unhas e dentes os Neo-Cons. Está em poche, a 5,80 Euros.Os seus livros cheiram a " moda e ao politicamente correcto da direita de gare e boulevard. São bons para quem se queira entreter com umas larachas. Era anglófono. Ele e Aron disputavam o pendao da direita americana francesa- a do Giscard e de Edgar Faure, ambos laureados e recebidos também na Academie Francaise. Os seus textos valem para se aperceber o declínio intelectual da Franca. Hoje, as principais escolas- Sciences-Po e a EHESS- só aceitam teses em inglês.
    Contra a direita americana, Michel Rocard cavou trincheiras pela Esquerda Americana( Galbraith...)no Le Nouvel Observateur, até hoje. Niet
    josé said...
    solar:

    É verdade que J-F.REvel era um adepto dos neoconistas, o que não partilho como opção política.

    No entanto, será bom dizer -e foi isso que pretendi- que numa altura em que as vozes livres do Ocidente ( por oposição ao LEste de então, entenda-se...)se contavam em poucos números de jornais e revistas, J-F Revel, foi percursor de um discurso de liberdade que muitos só descobriram após 1989!
    E em 1976, altura em que escreveu a Tentação Totalitária e que me levou a comprar a L´Express que ainda guardo e da qual fiz os scannings, por onde andavam os nossos liberais, tipo João Carlos Espada, José Manuel Fernandes e até JPP?!!

    É sintomático que na época ninguém por cá tenha dado importância ao livro e ao tema em si. Procurei no O Jornal que guardo dessa época e Nada! Procurei até na Opção e...Nada! Falta-me proicurar no Expresso, mas não me recordo de ter suscitado muita atenção...

    Quanto ao Ni Marx ni Jésus, a minha edição é de poche da J´ai Lu e tem a data de Junho de 74 , para aí de uma feira do livro qualquer...
    o-espectro said...
    Meu caro: É o atraso português no seu esplendor. No entanto,em 77/78, tinha acontecido a polemica com o B-H-Levi, o Maurice Clavel,do gang os Novos Filósofos, com o Castoriadis, o Foucault e o Deleuze,entre outros. As leituras de esquerda e direita estavam feitas. grande polemica entre o Sartre e o erleau Ponty girava em torno disso. Depois Sartre interpelou o Claude Lefort. Os romances do Solnijetzyne, as obras clandestinas da Oposicao Operária da Alexandra Kolontai, David Rousset, etc, nos anos 50 e 60, tinham alertado para o Goulag e o comunismo soviético. Melhor do que Revel, pois claro.Portugal veio a ter contacto com essas leituras e experiências no post-25 de Abril, pelos trabalhos do Chico da Cuf, do José Augusto Seabra e as traducoes do Castoriadis pelo Miguel Serras Pereira. Revel é o delirante anti-comunista para os leitores de fim-de-semana do LÉxpress´desses anos.iet
    o-espectro said...
    O texto anterior era assinado pelo Niet. Schüss
    josé said...
    Pois, pois...estavam feitas, estavam.

    Em 1975, numa "mesa redonda" no Expresso que durou "quatro horas e meia" e cujos resultados tenho aqui à minha frente, apareciam Francisco Balsemão, Leonardo Ferraz de Carvalho( Jornalista e director da revista Tempo Económico), José Gomes Mota, Vítor Constâncio( então secretário de Estado do Planeamento), Luís Penha e Costa ( jornalista) e...Vasco Pulido Valente ( historiador e sociólogo do Gabinete de Investigações Sociais), todos falaram do Programa Económico de Política económica e social do Governo.

    Valha a verdade que de todos, quem partia loiça era...VPV, ao tentar definir "populismo", "socializante" e socialismo, etc.
    Contudo a discussão centrava-se á volta do significado de "socialismo"!

    A discussão estava feita?!!

    É o estavas! Em França voltou a fazer-se em 1981 e por cá...durou ainda mais uns anos a discussão que conduziu ao belo lugar onde nos encontramos!

    Aqui à minha frente, também, um exemplar do O Jornal de 23.6.1978 que estendia em duas páginas, prometendo mais para os números a seguir, outra mesa redonda: sobre "Portugal, anos 80-o quê? "
    Conferencistas? - António SOusa Franco, Salgado Zenha, Miller Guerra, Sérvulo Correia, António Guterres, Marcelo Rebelo de Sousa e Cunha Reis ( ?), Jorge Miranda e um rapazito de então- Nuno Crato, para além de muitos outros intervenientes.E também,claro, Mário Soares, Álvaro Cunhal e Freitas do Amaral!
    Adiantou o quê, tais conferéncias de 1978?!!

    Só quase dez anos depois se viu alguma coisa de jeito em termos de mudanças!

    O JF Revel pelo menos divulgou alguma coisa, de modo claro e simples de entender, logo no início da década. E quando Portugal se afundava num delírio de PREC foi dos poucos que assobiou alto e bom som!
    Por cá, no entanto, não se ouviu a apitadela!
    josé said...
    E há ainda uma outra coisa importante e que pode passar despercebida ( geralmente passa): o tempo!
    Em 1975 quem tinha 18 anos, pensava nestes assuntos?! Pensava.
    Em 1985, quem tinha 18 anos continuava a fazê-lo?! Não me parece.
    Em 1995?! Seguro que não.
    E em 2005?!
    É esse o signo do atraso, meu caro!
    O tempo não espera por ninguém, já lá cantavam os Stones em...1974.

    É certo que Soljenhitsyn escrevera já O arquipélago Gulag que foi publicitado pelo Diário de Lisboa no início dos setenta, com capa a cores e tudo. A colecção da Europa América em Livros de Bolso ou outra, até tinha publicado antes Um dia na vida de Ivan Denisovitch,mas...e daí?!
    Alguém ligou essa ficção a factos?! Discutiu-os?!
    Só em Fevereiro de 1978 a Europa América publicou Os Russos, outra divulgação jornalística sob o ponto de visa de um jornalista americano, sobre as maravilhas da URSS.
    Estas divulgações, tais como a de Revel, faziam mais pela causa do esclarecimento do que os tratados em querela dos filósofos do estruturalismo e as entrevistas do L´Express Plus loin avec ( que ainda se mantêm) fizeram mais pelo esclarecimento político do que as leituras comentadas dos textos de Sartre sobre os problemas do marxismo.
    Aliás, se dúvidas houvesse, pouco antes da morte, o mesmo Sartre se encarregou de esclarecer o embuste em que incorreu...
    Porém, por cá e como diz muito bem, o atraso atávico, perdurou mesmo assim durante mais uns anos e ainda nem desapareceu de todo.
    Basta ler o programa do BE...

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