O Sol chega em Setembro


Here comes the sun,
Here comes the sun, and I say
It's all right

Little darling, it's been a long cold lonely winter
Little darling, it feels like years since it's been here
Here comes the sun,
Here comes the sun, and I say
It's all right

Little darling, the smiles returning to the faces
Little darling, it seems like years since it's been here
Here comes the sun,
Here comes the sun, and I say
It's all right
Beatles- Abbey Road, 1969

Vem aí o SOL! Chega em Setembro, mesmo na rentrée. As espectativas são altas e o horizonte ainda está longe, mas o oráculo já disse que o Homem mais sábio da cidade era…Sócrates!
Sócrates não acreditou, tanto mais que só sabia que nada sabia e foi à procura de sabedoria e de quem a representasse condignamente. Não encontrou e concluiu que afinal o oráculo tinha dito a verdade…
Ora a verdade deste dia, é esta que nos é oferecida pelo…Correio da Manhã, com um título sugestivo- "Batemos o Expresso em três anos!" Assim! À Mourinho...

Correio da Manhã – Apresente-nos o novo semanário. Sempre se chama ‘Sol’?

José António Saraiva – O nome é ‘Sol’, de facto. Não tem nada a ver com o ‘The Sun’ [tablóide britânico]. Queria um nome que rompesse com o habitual. ‘Sol’ é a ideia mais brilhante: é luz, energia, calor. É positivo e memoriza-se bem. O formato é tablóide e quisemos fazer um jornal para a frente, para que os outros pareçam de outra época. Este é um tempo de viragem e o ‘Sol’ tem uma estrutura completamente diferente dos jornais que existem.

CM– Em que medida?

JAS– O jornal não tem uma concepção tradicional, com as secções habituais. Cada zona tem várias secções e cores distintas. Dentro do caderno principal, será incluído o suplemento de economia, que tem dentro a revista que, por sua vez, integra o guia, ao estilo caixa de Pandora.

CM– ‘Sol’ é tablóide e mais popular de forma a conquistar um nicho de mercado?

JAS– Procurámos fazer um jornal que não copie modelos mas que aproveite as experiências para um impacto maior no mercado. E não temos complexos em usar uma paginação tablóide, por exemplo, na zona do País Real, e mais institucional na Política e Cultura.

CM– Qual é o ‘target’?

JAS– O leitor do semanário, parcialmente o mesmo do ‘Expresso’. Mas vamos à procura de novos leitores, jovens, que querem publicações mais agressivas, novos temas e maior interactividade. E público feminino. Com a independência e ascensão feminina a todos os níveis, os jornais têm de deixar de ser concebidos com modelos masculinos.

CM– Expectativa para uma média de vendas no primeiro ano?

JAS– Cinquenta mil. Não é um número ambicioso.

CM– 50 mil roubados ao ‘Expresso’?

JAS– Metade serão novos leitores. Este projecto não é contra o ‘Expresso’.

CM– Mas a expectativa está a causar muita tensão no jornal. Quantos jornalistas vai lá buscar?

JAS– São vinte e poucos jornalistas e profissionais de outras áreas (gráfica e produção). E vai também a Felícia Cabrita.

CM– Estava cansado do ‘Expresso’?

JAS– Não. Mas sentia que estava a chegar o momento da sucessão. Estava num lugar de visibilidade há 22 anos e, como nunca fui de arrastar, percebi o ‘timing’. Mas não estava cansado, havia sempre refrescamento no jornal.

CM– O novo director, Henrique Monteiro, disse que estava a “tabloidizar” o ‘Expresso’...

JAS– Desde há muitos anos, estava empenhado no rejuvenescimento do jornal. Uma das vias é não ignorar o fenómeno dos tablóides, independentemente de se manter a matriz de referência do ‘Expresso’. Não se pode cristalizar.

CM– Essa matriz mantém-se?

JAS– A tendência do ‘Expresso’ é para involuir, andar para trás. Eu era quem mais protagonizava mudanças e a minha saída terá, naturalmente, essa consequência.

CM– Quanto tempo demorará a bater o ‘Expresso’?

JAS– Em três anos seremos o maior jornal português. Não só batendo o ‘Expresso’, como qualquer outro semanário que apareça entretanto.

CM – Quando começou a idealizar este projecto?

JAS – Apresentei-o ao dr. Balsemão há dois anos. Mais tarde ou mais cedo, surgiria um concorrente. Se era inevitável, que fosse no grupo Impresa.

CM– Mas assim haveria o risco da canibalização dos títulos...

JAS– A ideia era essa. As transferências de leitores e anunciantes far-se-iam dentro do grupo. Mas o dr. Balsemão achou uma loucura. Já numa fase final, quando lhe disse que ia sair para fundar o jornal, disse-me que poderia estar interessado.

CM– Mas a Impresa desmentiu o interesse de Balsemão...

JAS– Sim, que eu desmenti.

CM– Porque sugeriu Mário Ramires para director se o iria buscar para a direcção do ‘Sol’?

JAS– Se o Ramires tivesse sido nomeado director do ‘Expresso’, não poderia avançar com este projecto. Aí, teria ficado como director editorial do grupo.

CM– Então porquê a sugestão?

JAS– Por lealdade. Mas Balsemão escolheu o Henrique Monteiro.

CM– E como ficaram as suas relações com Pinto Balsemão?

JAS– Muito bem, embora não falemos desde que saí. Foi uma relação quase exemplar. Só acho que ele falhou no momento da sucessão da direcção do ‘Expresso’.

CARACTERÍSTICAS

- Semanário com 64 páginas a cor Suplemento de Economia ‘Confidencial’ (16 páginas); Guia de espectáculos ‘Essencial’ (40 pág.) e Revista ‘Tabu’ (100 pág.)

- Logótipo do pintor Pedro Proença. Cores distintas do logótipo consoante estações do ano (verde, azul, dourado e cinzento)

- Áreas editoriais: ‘Política e Sociedade’, letra clássica, tons azuis e negros. ‘País Real’, ‘lettering’ agressivo, tons vermelhos. Terceiro bloco, em rosas e verdes, “mais feminino”, secções de gente, decoração, lar, inquéritos, moda. ‘Ciência, Tecnologia e Cultura’

- Redacção: 40 jornalistas; metade serão jovens (formação em Junho). Equipa total – 60/70 pessoas

- Opinião/Colunistas – Contratados, mas Saraiva não revela. “São de primeiríssima linha”

- Lançamento: Sábado, 16 de Setembro. Preço – 2 euros

- Sociedade, com cerca de 25% do capital – Saraiva, José António Lima (director adjunto), os subdirectores Mário Ramires e Vítor Rainho, Manuel Botto (consultor) e Frutuoso de Melo (advogado)

- Sede – Rua de São Nicolau, 114, na Baixa de Lisboa

- Gráfica – Por definir.

Ecco!

Publicado por josé 19:29:00  

10 Comments:

  1. Blogger said...
    "O Sol" não é o nome de um jornal recuperado por Vera Lagoa (verdadeiramente "extrema direita" nos tempos mais quentes to PREC) ?
    hefastion said...
    Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
    hefastion said...
    Pensava que o Sol era um projecto arquitectónico...
    Afinal vai constuir um saguão para as "notícias".
    e-konoklasta said...
    Há: o sol quando nasce é para todos. Eles já são tão poucos. E, depois, há o sol de pouca dura... mas todos temos direito de procurar o nosso lugar ao sol...
    Narciso Pesaroso Onofre said...
    - Ò Alfredo, já viste aquele blog?
    - Qual?
    - Ora, o

    http://rprecisionooriginal.blogspot.com/

    pois claro!
    - Deixa cá ver... Que maravilha!
    - E já viste que tem link para o Queijo?
    - É verdade! Vou recomendá-lo a todos os meus amigos!
    - Ó Alfredo... Diz-me lá... Tu és parvo ou fazes-te?
    rb said...
    Promete! AJS, vem nitidamente com a intenção de destronar o "filho" Expresso. O preço é mais convidativo e se o formato també o for, então vejo-me a comprá-lo, embora já tenha papel que chegue lá por casa. Fundamentalmente, é preciso conhecermos a linha editorial. Quanto ao nome, parece-me óbvio que foi inspirado no tablóide inglês. Esperemos é que deste só venha o nome. Enfim, já me estou a ver ao fds a pedir à mulher e aos filhos: - Vá, vá, deixem-me mas é ler o sol!
    maloud said...
    Sendo assim, quando acabar as férias e regressar à "piolheira", leio. Procuro sempre não fazer juízos a priori.
    Cingab said...
    A ver vamos o que vais sair... Se bem que olhar para o Sol não dá muita saúde aos olhos!
    DLM said...
    ...
    naoseiquenome usar said...
    :) Gosto da gráfica!

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