prioridades

Eu não acho mal que os miudinhos do ensino básico tenham aulas de inglês e, agora, de 'expressão artística'. Acho muito bem. Só que também acho que há anéis, e há dedos, pelo que o que eu gostava de saber é que esforços estão a ser feitos para o ensino do português e da matemática, absolutamente fundamental, voltar a níveis minimamente aceitáveis...

Publicado por Manuel 15:43:00  

12 Comments:

  1. tina said...
    O nível de ensino em muitas escolas públicas é bom. As escolas piores estão situadas em zonas carenciadas que são frequentadas por crianças problemáticas, negligenciadas em casa, ou simplesmente pouco estimuladas. É um problema da sociedade e não do ensino. É muito fácil e extremamente injusto mandar as culpas para o sistema de educação. Afinal o problema é de todos nós e todos nós somos culpados.
    Zé-da-Esquina said...
    Uma história, passada ontem. Há outras igualmente exemplares e realmente passadas.
    A de ontem:

    Conversa em torno de tudo e de nada, para serenar o miúdo de 11 anos que tem de ser ouvido (a função a isso obriga). E, depois, uma entrada por "intimidades", que, abreviando, foi maisou menos assim:
    - Andas na escola?
    - Ando.
    - Em que ano?
    - No terceiro.
    - Lês bem?
    - Sim.
    - E já fazes bem contas?
    - Já.
    - Bem?
    - Sim.
    - Então faz esta:
    4
    x2
    Concentração, hesitação e a resposta:
    4
    x2
    7
    Depois, resolveu bem o 4+4=8, mas esforçou-se a valer.

    Mais Conversa p'ra cá, mais conversa p'ra lá e uma nova questão, a leitura do nome da mãe,dactilografado: Ana.

    A concentração durou mais, muito mais.
    - Então, vai?
    - Não sei que letra é esta!
    - Qual?
    - esta, a do meio.

    Ponto final nas divagações moralistas do interpelador do miúdo. Passou-se ao que o tinha levado ali.
    josé said...
    Quando frequentei a escola primária, as classes tinham algumas dezenasde alunos, algumas delas na mesma sala e a ensinar em simultâneo.
    A concentração e separação entre os graus era possível mediante segredos que esqueci, porque nunca se me deparou a questão. Sempre foi natural e perfeitamente aceitável pelo sistema de ensino dos anos sessenta.
    Na classe, havia quem escrevesse avia e outras inormidades.
    Estes erros, eram sistemáticos em certos indivíduos, por mais cacetada a régua que levassem ( e levavam).
    As mães, passavam na estrada, junto ao "recreio" e diziam à professora: "o rapaz porta-se bem, minha senhora? Você ( era assim) , se ele se portar mal, arreie-lhe, minha senhora!"
    E o rapaz ouvia e calava, sabendo que essa era a receita invevitável para o fracasso. Mesmo que fosse derivado da incapacidade natural em aprender e memorizar,o "arreio", era de rigor. À reguada ou à canada. Livremente e sem constrangimentos que não a sensibilidade de quem ensinava.

    Quero com isto dizer que o ensino actual, não privilegia a disciplina ou o castigo corporal, mas também parece falhar um aspecto essencial: a transmissão de conhecimentos e saberes. Porque se reduziu a exigência ao mínimo denomidador comum: a indigência mental.
    Anónimo said...
    Tenho um contato com a minha filha que anda no 6º ano de escolaridade numa escola pública, por cada "Muito Bom" que apresentar tem direito a um CD de música à escolha na próxima ida a um centrop comercial.
    Estou sempre a dizer: Tens TPC? Queres que te ajude? - Não é preciso!
    Tens dúvidas? - Não

    E milhares de vezes, "Larga o Gameboy", ou "Larga os jogos do miniclip" "Vai estudar!!!"

    Mais de 90% das vezes aparece-me com "Muito Bom".....

    Já começo a desconfiar da bitola do ensino, a fasquia se calhar é tão baixa que ...

    Só que a vida do século XXI não vai ser fácil.
    tina said...
    A minha experiência é diferente. O meus filhos sabem a tabuada de cor e salteado, escrevem sem erros, são bons a matemática. Talvez porque estejam em casa comigo durante a tarde e eu os ajude quando é preciso. O papel dos pais na educação também é importante. A indigência mental que José fala também se deve muito aos pais. E os ATL não conseguem dar o apoio pedagógico necessário.
    zezepovinho said...
    Muito bem sr. primeiro ministro!

    Os lamúrias limianos até choram de raiva!
    «A Microsoft e o Governo português assinaram um memorando de entendimento, sendo o maior acordo de sempre entre a maior fabricante de “software” do mundo com um país, afiançou Carlos Zorrinho, coordenador do Plano Tecnológico, à margem da apresentação do memorando».

    E foram precisos muitos anos de desgovernos anteriores para um governo competente conseguir isto!!!

    E é assim, com a prata da casa e sem limianos das fofocas, que se governa e bem.

    Finalmente Portugal tem um rumo e ministros competentes, porque para se fazerem estes protocolos é preciso saber o que se deve e quer fazer e muito e muito trabalho de casa, e não andarem em negociatas e tricas mediáticas.

    É assim mesmo sr. primeiro ministro, que se faz sair o país da morrinhice e da preguiça em que o deixaram!
    tina said...
    O que é que quer dizer isso zezepovinho? Só ouvi falar em literacia digital. Fala-se muito de inovação e tecnologia mas afinal quais são os projectos que envolvem isso como potencial criador de riqueza para o país?
    a.leitão said...
    3 Obs;

    1-"tina diz, 9:55 PM, Fevereiro 03, 2006

    A minha experiência é diferente. O meus filhos sabem a tabuada de cor e salteado, escrevem sem erros, são bons a matemática. Talvez porque estejam em casa comigo durante a tarde e eu os ajude quando é preciso. O papel dos pais na educação também é importante. A indigência mental que José fala também se deve muito aos pais. E os ATL não conseguem dar o apoio pedagógico necessário. "

    Na Muche. Este é o GRANDE problema aliado a uma fraca qualidade de muitos professores (conhecimento de causa)

    2-Pelos vistos o José é muito Jovem.
    Qual régua qual carapuça, era a menina dos cinco olhos, redondinha com uns buraquinhos pequeninos! Nunca fez mal a ninguém. Ainda tenho as minhas mãos bem finas!

    3-zezepovinho é a demonstração objectiva, subjectiva, merdosa de que nunca teve educação nem acompanhamento psicológico lá por casa.
    tina said...
    Discreto, deve ter sido um problema técnico. Também escrevi um comentário a apoiar o seu e em que dizia que os professores agora até tinham medo dos pais. E o ponto final, que acho importante repetir, é que os pais também devem ser responsabilizados pelo mau desempenho dos filhos (principalmente na escola básica).
    discreto said...
    As modernices de métodos dos tempos que decorrem, emperram, e fomentam cada vez mais a indisciplina, travando a dedicação e aplicação dos alunos ao ensino.
    Permitam-me contar uma passagem da minha meninice:
    Na 1ª classe da minha escola primária com cerca de 40 alunos,tínhamos um professor que para além de seguir rigorosamente o pretendido na época,resolveu um dia utilisar excepcionalmente um modelo por ele criado, para aprendizagem acelerada da tabuada.
    Colocava dois alunos frente a frente que se questionavam alternadamente durante ums minutos,tentando perguntar o que parecia ser mais difícil, do que progressivamente tínhamos estudado,( até na pausa se davam os últimos retoques), e sempre que um deles não acertava a resposta ,levava uma reguada do outro, sob a vigilância do mestre.
    Imaginem só a rapidez e capacidade de aprendizagem que todos nós desenvolvemos!
    Nem um mês foi preciso para saber aquilo de cor e salteado.
    Obviamente que este método horrorisaria os paisinhos de hoje.
    Mas naqueles anos 40, concluida a escolaridade primária, continuàmos pelos anos fora a cumprimentar respeitosamente o professor ,como se dum segundo pai se tratasse.

    PS. que eu saiba,ninguém da minha classe,necessitou no futuro de fazer contas pelos dedos e não só!
    Anónimo said...
    Já agora, acrescento ao comentador que antecede, sem ironia: e nenhum veio a precisar de psicólogo port causa disso.
    Teresa Durães said...
    O discurso da escola antiga é "fabuloso" (os meus avós, bisavós, trisavós, foram todos professores do ensino primário, a eles baixaram a cabeça, que tolos! E eram Limianos!).
    Não, não estão a fazer nada para melhorar o ensino da matemática e do português. E, sim, o ensino está diferente, a sociedade está diferente, a tecnologia e o desenvolvimento modificou-se, o cérebro modificou-se (sabiam?) ou não pensaram que estes factores provocam, necessariamente, mudanças nos alunos?

    Quais dos que estão aqui que tiveram o belo ensino antigo conseguem se adaptar com facilidade às novas tecnologias? (não venham falar em utilizar o word, s.f.f. Os meus filhos com 2 anos já o faziam).

    Na minha opinião, opinião sustentada por onze anos de trabalho no ME de onde já saí, não directamente ligada ao estudo deste fenómeno mas assistindo a seminários e lendo estudos, é preciso ter em atenção que:

    - Lembram-se que tivemos o 25 Abril de 1974? Quantos anos são precisos para a poeira assentar?
    Alguns, de facto

    - Década de 84/94 - Reformas e contra-reformas em todo o ensino

    - Década de 94/99 - Reforma do ensino secundário

    - 2000 até agora - Marasmo.....

    Entretanto, economicamente, os pais cada vez mais não estão em casa, as mães vão trabalhar, os filhos têm de passar mais tempo fora de casa.

    De 2000 para cá - Uma sociedade em depressão autentica

    Curiosamente, o último estudo do Pizza dá-nos uma descida de bons resultados à medida em que a nossa economia vai ficando pior.

    Hum... porque será? Será que é necessário tirar um curso para entender isto?

    Curiosamente, em Portugal todos falam em educação mas nenhum governo investe (não só dinheiro mas energia).

    E a cultura? Cultura é educação....

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