...'nas tintas'

Aos olhos do 'politicamente correcto' tem-se cometido por estas bandas demasiadas heresias. O mullah Pacheco lançou-nos mais uma fatwa, a segunda, carimbando-nos de vulgares boateiros e pior ainda, como não fomos na onda de chorar lágrimas de crocodilo pelas atribulações do apóstolo Tadeu do 24, lá apanhámos, com o selo de blog oficioso de procuradores e justiceiros... Cada um é como é, e as opiniões são livres, pedia é encarecidamente é que todos e cada um extraíssem as conclusões que há tirar pela sua própria cabeça e não pela de um qualquer candidato a gurú, com pretensões a evangelista du jour.

Antes de mais, este é um espaço de liberdade e reflexão, um espaço de debate aberto há 130 semanas. Os arquivos são publicos e estão assessíveis. Nunca nos apresentamos como os detentores da verdade, seja ela qual for. Temos mais dúvidas que certeza, mais perguntas que respostas, e é isso que partilhamos com o leitor. Admito perfeitamente que muitos não gostem do mundo como o pintamos, que não gostem da visão ácida, mas alcalina, que damos de muitas coisas mas... será ilegítimo fazer perguntas, só porque não se sabem as respostas, ou porque estas competem a outros ? será ilegítimo pensar que as coisas, concretas, não tem que ficar infinitamente na mesma ? Ou pensar que se algo está mal ou não funciuna bem deve haver um cualpado ou uma causa concreta e tangível ? Ou pensar que deve haver accountability na vida pública ? Não, não me parece que seja ilegítimo. Carimbem-nos como quiserem, mas carimbem-nos por aquilo que escrevemos e não pelos clichés com que outros, mais ou menos ressabiados seja por questões políticas, de audiências ou reles dor de cotovelo, nos pretendem diminuir.

Continuando, é verdade que não me comovi especialmente com a busca à redação do 24 Horas. Não sou hipócrita, nem ando a dormir. Sempre me preocuparam as questões judiciais, os direitos, liberdades e garantias, até por não ser jurista e ter uma formação absolutamente cartesiana, e numa incarnação anterior ter seguido e analisado, a par e passo, o universo judicial quase como ocupação a full time. Tenho, por isso, uma visão razoavelmente precisa do que é, e do que deveria ser, a Justiça. E a Justiça, caro leitor, serve antes de mais para proteger os mais fracos de arbitrariedades, serve para proteger os fracos e os oprimidos, antes de tudo o resto. É esse o seu principal papel - proteger garantindo direitos e liberdades básicas. Eu até posso achar, como acho, a rusga ao 24 Horas infeliz, mas esta não é menos infeliz do que o frentismo recorrente daquele jornal face a instituições que lhe deviam merecer um mínimo de respeito. A busca terá sido um erro, uma ingenuidade, mas não passou de um mero fait divers contra quem se pode defender muito bem. É - quanto muito - uma consequência do muito que está estruturalmente mal no sistema judicial português e que é quase tabú debater. Bem ou mal, temos tentado.

Onde estavam afinal todos quando aqui em Novembro passado se escreveu isto...

, por estes dias, por aí muita alminha a pedir a cabeça do Procurador Geral da República. Fazem-no contudo pelas razões erradas. Se há uma razão pela qual Souto Moura podia e devia responder era pelo Processo imbecil e kafkiano de que foi vítima António Balbino Caldeira, e no qual teve intervenção, por acção e omissão, directa. Processo que terminou hoje. Pode-se discordar, ou não, do que Balbino Caldeira escreve no Do Portugal Profundo, na forma e no conteúdo. Mas, numa Democracia, concordando ou não, todos deveriamos lutar para que todos sem excepção se possam exprimir livremente. Ver alguém acusado da violação de uma ordem judicial, que não podia conhecer (esta estava em segredo de justiça), e qual mantinha em segredo de justiça documentos que era suposto terem deixado de o estar, e que Balbino Caldeira entretanto publicou (na integra e ao contrário de muita outra comunicação social que os truncou) no seu blog, é no mínimo ridículo. Como é atroz, ordenar buscas domiciliárias à custa da tal 'violação' da Lei, num acto de prepotência e arrogância absolutamente desproporcionado. Hoje Balbino Caldeira foi absolvido, como só podia ser. Ainda , afinal, liberdade de expressão. Mas Balbino Caldeira não é , nunca foi, deputado, muito menos político, não tem grandes amigos jornalistas, não é quadro de um grande partido. Tem 'apenas' um blog, onde escreve sobre aquilo que acredita com paixão. Razão mais que suficiente para uma boa parte da nossa imprensa ignorar, aquí sim, uma das mais flagrantes violações de direitos constitucionais pós 25/Novembro de 75.

... onde estavam todos ? Onde estava o 24 Horas e o apóstolo, ex escriba do Avante, Tadeu, seu director, onde estava o Dr. Pacheco, que coitadinho está com medo de ser perseguido, onde estavam todos, ? Não estavam, ou melhor estavam-se todos nas tintas. Estavam-se tão nas tintas como eu me estou para todos aqueles que tem todos os meios e recursos para subverter a seu bel-prazer o sistema, ao mesmo tempo que, como Fátima Felgueiras, se queixam que este não está bem. Se este post já não fosse longo ainda citava Brecht, mas aqueles que o conhecem sabem de que poema estou a falar.

Publicado por Manuel 04:19:00  

14 Comments:

  1. Anónimo said...
    Este post é uma total inflexão ao sentido e estilo ácido, como lhe chama, que este blogue sempre teve ao longo das suas 130 semanas de vida.

    Se eu não vos tivesse lido ao longo das tais 130 semanas, até pensava que eram as vítimas de uma cabala e de uma história de perseguição.

    Mas eu li. E não preciso de andar muito para trás para encontrar o vosso registo habitual, o vosso "tom" de boato e insinuação.

    Mas, vamos ao principal: o que verdadeiramente choca é que os textos principais de um blogue desta natureza sejam subscritos ANONIMAMENTE POR MAGISTRADOS.

    Não há justiça, nem fracos, nem desprotegidos que justifiquem essa atitude. Dá jeito, invocar os fracos e desprotegidos, para branquear o que tem sido o estilo boateiro e tabloidesco deste blogue. Mas não chega.

    Assumam quem são, e defendam os valores em que dizem que acreditam com as vossas caras e os vossos nomes, dignificando assim a justiça que pretendem defender.

    Aurora
    Anónimo said...
    Só duas notas adicionais:

    Primeira nota: ao contrário do que agora pretende dizer, neste blogue defende-se de forma clara e aberta (ainda que infeliz em minha opinão), as magistraturas, designadamente a do Ministério Público, não os fracos e desprotegidos.

    (duvido aliás que aos outros magistrados do MP agrade este tipo de defesa, devo dizer)


    Segunda: Registo como em vossa opinião "a busca não passou de um fait divers contra quem se pode defender muito bem".

    Se esse fosse o critério que presidisse à actuação do MP, não tenho dúvidas de que viveríamos tempos humilhantes e miseráveis, com alguém disse.

    Aurora
    Manuel said...
    Ao inspirado 'spinner' que assinou os dois posts anteriores pede-se um último 'favor' - que se dê ao trabalho de ir aos arquivos e colocar os links dos tais posts de que se diz recordar tão bem... Depois falamos. Q.E.D.
    Manuel said...
    acima, onde se lê 'posts' dece ler-se 'comentários', obviamente. :)
    Anónimo said...
    Foi a favor da "Justiça, caro leitor, serve antes de mais para proteger os mais fracos de arbitrariedades, serve para proteger os fracos e os oprimidos, antes de tudo o resto", como diz o Manuel que foi lançado o boato contra o director do Público, o boato sobre Proença de carvalho, o boato do fax, e as diárias insinuações contra tudo e todos?
    Costas largas tem esta "justiça" dos PROCURADORES ANÓNIMOS!!!! Foarm apanhados e agora rabiam
    Manuel said...
    a) sobre o JMF, time will tell...
    b) sobre o Proença, mais uma vez, o tempo há-de revelar muita coisa. mantenho o que escrevi.
    c) sobre o pseudo-fax, releia os posts... Releia...
    Manuel said...
    ... mas óh 'inquisidor' é 'isso' o 'pior' que descobriu nos nossos arquivos ?!... Fraquinho. Vá lá - esforce-se. Assim não merece o que lhe pagam.
    Anónimo said...
    Não há nada mais divertido do que um anónimo a vituperar o anonimato de outros :-))))
    Anónimo said...
    Se sabe alguma coisa sobre o Proença de Cravalho, revele, vá. Ainda por cima é anónimo. Não lhe acontece mal nenhum.
    O que é que quer dizer time will tell?
    Anónimo said...
    EXEMPLO DE ESTILO DE INSINUAÇÃO PERMANENTE TIPICO DESTE BLOG: ". mas óh 'inquisidor' é 'isso' o 'pior' que descobriu nos nossos arquivos ?!... Fraquinho. Vá lá - esforce-se. Assim não merece o que lhe pagam. "
    Do post do Manuel das 9.49.
    "Que lhe pagam"?
    Anónimo said...
    UM BLOG DE ANÓNIMOS NÃO MERECE SABER O NOME DE NINGUÉM
    Anónimo said...
    O Pacheco Pereira revelou-vos a massa do sangue e a Loja não faz outra coisa senão justificar a revelação, parece que se meteram em areia movediça. E isso irrita-vos muito. Vocês de que Maçonaria são?
    Anónimo said...
    "Ver alguém acusado da violação de uma ordem judicial, que não podia conhecer (esta estava em segredo de justiça), e qual mantinha em segredo de justiça documentos que era suposto terem deixado de o estar, e que Balbino Caldeira entretanto publicou (na integra e ao contrário de muita outra comunicação social que os truncou) no seu blog, é no mínimo ridículo"

    Também considero ridiculo. mas lembro-me que pessoas lhe fartaram de o avisar na caixinha de comentários e ele tem como conhecido o advogado de defesa. bibi. Desculpe se considero isso de nao saber uma mentirinha.
    Afurada said...
    Manel, és tão culto, até conheces um poema, e logo dos mais difíceis...

Post a Comment