Capela dos Ossos


No XVII três frades franciscanos forraram as paredes da capela da igreja de S. Francisco, em Évora, com ossos e caveiras humanas, dependurando numa das paredes os esqueletos de um adulto e de uma criança. A finalidade desta intervenção (genial) foi a de representar a transitoriedade da vida. Se fosse nos nossos dias esta mesma manifestação seria vista como uma “instalação”, provavelmente daquelas que agitam o mercado e os meandros da arte contemporânea, provocando as habituais ondas de choque e de pavor junto do público e da crítica, como acontece, por exemplo, sempre que os irmãos Chapman, Chris Ofili ou Damien Hirst resolvem por-se a “criar”. Um local a visitar pois também serve para reflectir sobre o actual estado da arte contemporânea. Não é por nada mas continuar a tratar como original o que há 4 séculos atrás já se fazia de forma implacável, e achar que não há crise só porque se continua a vender, parece-me que não demonstra uma lucidez por aí além.

Publicado por contra-baixo 17:45:00  

1 Comment:

  1. carlos arinto said...
    Excelente. Grande lição

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