Como o improvável Garcia Pereira perorou, o Prof. Cavaco ganhou, e o mundo não acabou, nem vai acabar por causa disso. É provável que um dia destes ainda o vejamos a condecorar o Saramago, mas nem aí o mundo vai acabar... Mas era bom que acabasse, de uma vez por todas, a insuportável arrogância de uma parte significativa da nossa 'intelectualidade', política e académica e jornalística. A ideologia A ou B, a esquerda ou a direita não são apenas intrinsecamente boas ou más 'per se' mas pelas medidas concretas que a preconizam e pelas pessoas que se propõe a implentá-las. Nestas presidenciais muitos, demasiados, foram o que reduziram tudo a uma questão 'clubística', e não ao interesse nacional. Cegos, e surdos ignoraram e continuam a ignorar a realidade na premissa da sua (alegada) superioridade intrinseca. Alguns à direita, quase todos à esquerda.


Uma última nota para Vital Moreira. Tem alguém que escreve o que escreve de um Presidente da República eleito, ao arrepio das mais elementares regras de convivência democrática, e num absoluto desprezo pela decisão popular, condições para presidir a uma comissão comemorativa do centenário da implementação dessa mesma República, cujo representante máximo é esse mesmo PR ? Obviamente, não tem. Mas já se percebeu que com Vital, a ética fica sempre para os outros...

Publicado por Manuel 18:45:00  

13 Comments:

  1. Cavalo Marinho said...
    A vitória de Cavaco - sem passado anti-facista conhecido - deverá ter como efeito o acabar com a arrogância típica de uma certa esquerda de que só ela é democrata, só ela é culta, só ela sabe.

    Ora, isto é um salto qualitativo na nossa democracia.
    Isabel Magalhães said...
    Subscrevo na íntegra o comentário anterior.

    E digo mais... acabar com o conceito elitista de certos socialistas, ainda para mais professores universitários 'armados' em 'mete nojo'.
    colombo said...
    Temos uma classe de anti-fascistas que se convenceram de que tudo, mesmo tudo, incluindo asneira da grossa, servida com muita arrogância,lhes é permitido em nome do seu passado anti-fascista. Alguns estiveram presos alguns dias ou até somente horas e é quanto basta para invocarem esse seu glorioso passado. O país há muito que não lhes deve nada. Estão agora cheios de "tachos" ou reformas de políticos. Acumularam riquezas e vivem à grande. O país deve mais a quem lutou anos, forçado, numa guerra injusta, nas antigas colónias e lá morreu ou de lá regressou com sequelas para toda a vida. A minha sorte, se não tivesse havido o 25 de Abril de 1974, obra de militares, não da grande maioria dos anti-fascistas que sobram nos corredores do poder,teria sido partir para lutar nas antigas colónias, por falta dos padrinhos que muitos desses anti-fascistas tiveram. Cavaco esteve no ultramar. Onde estavam na mesma altura os anti-fascistas que o criticam?
    Fernando Martins said...
    É por causa destas (e doutras...) éticas republicanas que eu sou cada vez mais monárquico...
    AM said...
    Já? Em menos de 24H? Já não se pode discordar? Lá porque o homem ganhou as eleições é algum Deus? Em que medida é que a afirmação de VM é uma ofensa "das mais elementares regras de convivência democrática" e um "desprezo pela decisão popular". VM limitou-se a emitir uma opinião sobre o Novo PR quando comparado com outros. Não pode? Mas é claro que o objectivo da posta é outro... os boys aguçam os dentes!
    Blogger said...
    Alguém diga a esse prof que a Direita Política nunca terá "inigmas".

    O que é um verdadeiro enigma é o português indigente de alguns dos que se dizem aristocratas, ou que julgam saber avaliar a aristocracia dos outros.
    Miguel M. Ferreira said...
    O meu comentário ao post de VM está expresso no http://virtualidades.blogspot.com/...mas desde já deixo escapar que este meu ex - professor sempre revelou a sua tendência "democrática popular". No fundo ele lá terá as suas razões...mas é engraçado que um presidente eleito por maioria absoluta, à primeira volta, em condições sem paralelo na história presidencial Portuguesa, seja atacado por uma pretensa "falta de legitimidade". Legitimidade deve ter o "Pai da democracia Portuguesa" que obteve uma dúzia percentual..ou então o rebelde Alegre que se quedou pela vintena...
    Sofia Aparicio said...
    A principal questão não é se o Vital Moreira tem ética ou deixa de ter. Os partidos já não têm ética, os principios e os ideais foram vendidos há muito. Não há partidos mais à direita ou esquerda, há usurpadores de ideais e principios que dão má reputação a quem ainda (pobres inocentes) acha que as ideias contam. A arrogância da "intelectualidade" é geralmente da cor da maioria governativa, independentemente se serve os interesses do país ou não. E a memória dos eleitores é sempre muito curta e selectiva.
    chuta po tecto said...
    Está tudo dito!

    PS: am

    o problema não é discordar, o problema é de educação.
    zazie said...
    assino por baixo, por cima pelos lados ":O))
    Olindo Iglesias said...
    Como alguém disse antes e com razão o problema do VM é de educação, mas naquilo que eu chamo de carácter, porque a educação que os pais lhe deram foi outra.

    Foi o mesmo VM que aquando do 25 de Abril se virou para o pai, homem sério e trabalhador, insuando que não sabia onde este tinha ganhado a fortuna!
    ÓSCAR ALHINHOS said...
    Seria bom apurar-se as regalias que VM recebe do Estado...Talvez assim se compreendessem as asneiras que diz...
    Aliás, grande parte dos papagaios que por aí pululam, sob a capa de intelectuais ou anti-fascistas, não são mais do que leitões que se alimentam a mamar do Estado, do dinheiro de todos nós...
    FORMIGA BARGANTE said...
    Meu caro Manuel

    Não foi o próprio Cavaco que afirmou que a última vez que tinha ido ao cinema, tinha ido vêr um filme com os netos, e nada mais acrescentou ?

    Num mundo cada vez mais globalizado, não acha que nos era mais útil um presidente com uma cultura mais global e menos especializada em economia ?

    E quanto a práticas culturais de esquerda e de direita, compare-se o que os governos de esquerda e de direita realizaram enquanto poder.

    Só lhe peço o favor de excluir a actual Ministra da Cultura desta comparação. Esta não vale.

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