uma questão de nível


A razão invocada pela Ministra da Cultura para não dar cavaco ao presidente do conselho de administração do Centro Cultural de Belém, Fraústo da Silva, sobre o acolhimento da colecção Joe Berardo pelo CCB, foi que “a tutela entendeu que devia desenvolver estas negociações ao mais alto nível, incluindo o primeiro-ministro, o coleccionador e o Ministério da Cultura” (Público, 24/11). Aparte da desconsideração a alguém que, à partida, tem idade, currículo e estatuto para não ser publicamente tratado como um qualquer chefe de secção de um estaminé do ministério e do facto de a ministra ter metido a viola ao saco depois de ter, tal como em relação à Casa da Música, andado a empatar e a remar em sentido contrário, estas declarações reforçam uma constatação há muito verificada e que apontam no sentido de, sempre que o Primeiro-Ministro não intervém, as decisões serem tomadas no Ministério da Cultura ao mais baixo nível.

Publicado por contra-baixo 19:41:00  

7 Comments:

  1. zezepovinho said...
    Muito bem sra. ministra da cultura!

    Depois de andarem anos no empata, finalmente houve uma ministra e um governo que resolveram e decidiram sobre a colecção Berardo. E decidiram bem.

    ufff!!!!!..., já não era sem tempo. OTA, TGV, Resort de Troia, nova refinaria de Sines, barragem no Sabor, centrais solares e eólicas, tudo o que esteve parado passou a andar. Assim é que é.

    Finalmente temos um governo e um rumo para Portugal.
    zuca said...
    Agora só falta o túnel de Ceuta no Porto...

    Porque é que esta senhora não vai brincar à cultura para a rua dela?
    FORMIGA BARGANTE said...
    Meu caro contra-baixo:

    Só mais uma pequena achega sobre o nível (muito baixo), a que chegou o ministério da cultura:

    "O Ministério da Cultura refuta, assim, todas as referidas acusações, CUJA BAIXEZA DE TEOR E FALTA DE SENTIDO ÉTICO não merecem mais comentários"

    Nota:último parágrafo da resposta da ministra da cultura Isabel Pires de Lima a Augusto M.Seabra no jornal Público de 21.12.2005.

    Quando uma Ministra da Cultura responde desta maneira a um artigo que lhe é, justamente, desfavorável, fica tudo mais claro, certo ?
    Tonibler said...
    Esses funcionários públicos são pagos para fazerem aquilo que lhe manda o público. E aquilo que lhe manda o público é aquilo que o governo democraticamente eleito decide. Querem? Porreiro. Não querem? Vão para a rua.

    Agora, funcionários de merda armados em engraçadinhos, o lugar deles é no desemprego de onde nunca deveriam ter saído.
    Pedro M said...
    O Tonibler coloca uma questão interessante:

    - Deve o funcionário público defender a decisão do decisor político eleito se tal implique gestão danosa / crime?

    Uma das obrigações de um funcionário público é a da "lealdade". E eu pergunto:
    Lealdade a quem?
    Ao eleito?
    Ou ao público?
    Tonibler said...
    Há funcionários públicos pagos para decidirem o que é e o que não é danoso, de acordo com a vontade expressa do povo . Infelizmente, não são, também eles, eleitos, mas isso é outra história .

    Os outros? Trabalhem e deixem-se de destruir valor.
    Pedro M said...
    Não respondeu à minha pergunta, Tonibler. Pergunta que aliás deixo a todos os que lêem estes comentários...

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