Questão mal resolvida

Parece que o procurador-geral da República se transformou, por assim dizer, num tema "fracturante". A pusilanimidade, quer a do próprio, quer a do poder político, também ajudou. Souto Moura, convém recordar, foi escolhido para o cargo por um triunvirato político constituído pelo dr. António Costa, à altura ministro da Justiça, pelo engº Guterres, primeiro-ministro, e pelo dr. Sampaio, presidente da República. Passaram os tempos, os ministros e os primeiros-ministros e ficaram os drs. Souto Moura e Jorge Sampaio. A actual maioria, virtuosa respeitadora da moderação institucional, decidiu - presume-se que de acordo com o referido Jorge Sampaio - manter Souto Moura. Souto Moura, muito legitimamante, decidiu manter-se a ele mesmo. Joga-se agora, com a maior das hipocrisias - também "institucional" - para cima dos candidatos presidenciais o tema "Souto Moura". Até o moralista Louçã admitiu que se deve ajudar o PGR a terminar com dignidade o seu mandato. Existe - e o país não tem nada com isso - uma questão mal resolvida entre o PS e o dr. Souto Moura. Do seu exílio parisiense, Ferro Rodrigues manifestou-se interessado em prolongar a telenovela. A vingança continua a servir-se fria. Nestas peripécias altamente prestigiantes para a "justiça, ninguém sai bem. Haja o que houver, passou o "tempo" para "este" poder político ter actuado. Ou para Souto Moura se ter demitido. As coisas são o que são e o Ministério Público não tem forçosamente de ser melhor do que a generalidade do país. Estão, em certo sentido, muito bem uns para os outros.

Publicado por João Gonçalves 12:12:00  

5 Comments:

  1. Escriba Lacónico said...
    Está visto que Souto Moura incomoda mais gente do que seria de esperar.

    Como deixa saudades o Arquivador-Mor, onde todos os processos incómodos iam invarivelmente parar ao arquivo morto...

    Parece que a pusilanimidade de Souto Moura está em não ter a coragem de impedir todas as investigações e acusações icómodas...

    Será que ele também vai ser "pusilânime" em denunciar as escandalosas manipulações das suas declarações por certos grupos PoDEROSOS e FERREamente socialistas...
    Zé-da-Esquina said...
    Pusilanimidade, seria Souto Moura demitir-se. Exercer a função sob asa dos partidos, de tal maneira que todos ficassem felizes e contentes, não seria vantagem nenhuma. Seria arte de um habilidoso. E parece que as pessoas preferem um habilidoso. Sempre se divertem com as "reviangas" para a esquerda e para a direita, a esquiva a isto e a aquilo.
    Ora, vantagem é continuar, apesar de ter todos às canelas.

    É claro que há quem saiba que "o povo" tem em muito má conta a actuação de Souto Moura ou que diga que "toda a gente sabe" que ele não dá conta do recado. Só que não se sabe como se formaram tão sólidas opiniões.Ou melhor, sabe-se: as que vêm nos jornais, de fulanos conhecedores de tudo, que se indignam, virtuosamente - um Delgado que, a propósito do Juiz de Instrução do processo da Casa Pia se espantava por o Procurador não o ter demitido,em certo momento; um M. S. Tavares, que se indignava por o Ministério Público não mandar prender suspeitos em certo processo; um P. Pereira por responsabilizar o Procurador-Geral, pelas escutas que se faziam e deixavam de fazer no país; todos por terem por garantido que, no ano passado se tinham feito 40.000 escutas telefónicas... etc. etc. etc. (gente mais atenta poderia enunciar "milhentas" opiniões, necessariamente abalizadas sobre Souto Moura e, mais amplamente, sobre a justiça.
    Cavalo Marinho said...
    Quem conhece José Souto Moura, sabe das suas elevadas qualidades éticas, morais e cívicas.
    Humanista, culto, com senso de humor, grande conversador.
    Magistrado brilhante, rapidamente chegou ao topo da carreira do MP.
    Docente do CEJ prestigiado.
    Membro destacado do Conselho Consultivo da PGR.
    É este homem bom e magistrado brilhante que a mancha rosa quer, a todo o custo, afastar da PGR.
    E tudo serve de pretexto: esta semana, o PGR reconheceu que na investigação do caso "Casa Pia" houve falhas e foram sofridas pressões.
    Reconheceu o óbvio: há algum processo, da dimensão do que está em causa, com a complexidade investigatória e de recolha de prova conhecida, com litigância muita elevada, com o tipo de pessoas envolvidas, com o estilo de advocacia praticado, com a comunicação social metida "ao barulho", em que não se cometam erros, em que não sejam sentidas pressões (muitas das vezes difusas, vagas, de origem incerta e por isso as mais preocupantes...)?
    A resposta é negativa.
    Não há ninguém perfeito.
    Não há ninguém que não cometa erros, falhas, lapsos, por melhor que esteja preparado tecnicamente, por mais experiência que tenha.
    Ora, até o reconhecer do que é óbvio por parte do PGR - certamente solidário com a equipa de magistrados que dirigiu o processo - tem servido de arma de arremesso para a mancha rosa!
    Agora é o senhor embaixador de Portugal não sei onde - o mesmo que se estava "c. para o segredo de justiça" - que vem com o insólito pedido de "recusa" do PGR!
    Ao que isto chegou!
    Haja decência senhores.
    A bem de Portugal.
    lusitânea said...
    Eu na minha modesta opinião e sou analfabeto na área acho que o Sr PGR devia nesta recta final do mandato acusar os que se julgam (e estarão se o não fizer) acima da lei.Fala-se em corporações mas é ver a dos políticos e seus porta vozes comentadores quase em unísseno a clamar por tudo e por nada.Querem actuar à vontade que os contribuintes cá estão para pagar.Moeda fraca e sem gabarito à frente de Portugal sempre a eximir-se às responsabilidades!
    leonor alba said...
    Souto de Moura quer "provas"?

    Ainda mais?

    Leia o blog de um Magistrado perseguido pela PGR em

    www.vickbest.blogspot.com

    e tire as suas conclusões!

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