As co(n)tas do TGV...

Foram divulgados hoje na edição do Jornal de Negócios, os pressupostos inerentes ao projecto TGV. O custo das duas ligações Lisboa - Madrid e Lisboa – Porto será de 7,1 mil milhões de euros. Assim, sendo e face ao exposto, importa referir o seguinte :

1. O governo assume que não consegue cativar privados, dado que não existe rentabilidade económica capaz de cativar investidores privados nem muito menos taxas de retorno de investimento suficientemente atractivas. Por outras palavras, vamos investir 7,1 mil milhões de euros num projecto que nunca será rentável.

2. O financiamento do projecto será garantido pelo BEI em cerca de 70 % do projecto. Assim 2,1 mil milhões de euros serão dados como investimento e 5 mil milhões em forma de financiamento. Segundo contas que elaborei e considerando um prazo de amortização de 10 anos, uma taxa de 4,00 % imutável no período do empréstimo – algo que não acontecerá - , o impacto anual será de 630 Milhões de Euros no período entre 2013 e 2023, dado que o governo irá pedir carência de capital e juros até o TGV estar operacional.

3. A Ligação Lisboa – Porto e Lisboa – Madrid, assume o governo não são rentáveis do ponto de vista operacional e colocam um problema que na economia se chama custo de oportunidade. Com a estratégia espanhola de alterar as suas ferrovias transpondo-as para bitola europeia em velocidade elevada – note-se que a velocidade elevada atinge os 220 kms/h com custo bastante inferior por km de construção - , e sem qualquer estratégia portuguesa nesse sentido, coloca-se um problema grave uma vez a permanência da bitola ibérica em Portugal nas principais vias irá induzir clara perda de competitividade no transporte ferroviário de carga, bem como o desvio de investimento e de emprego para Espanha.

4. Parece óbvio que se somarmos os custos das scuts ao custo do TGV, temos de encargos futuros por ano mais de 1,2 mil milhões de euros. Insustentável.

Publicado por António Duarte 16:06:00  

3 Comments:

  1. Tino said...
    Raramente vejo exposto quais os custos da não existência do TGV. Ou Acham que a existência ou não do TGV, em termos de competitividade do país, é irelevante?!
    Illdependent said...
    Tino

    Com o TGV aparentemente chega-se ao Porto em metade do tempo que agora se demora ou seja hora e meia contra três.

    Acha que isso tem alguma importância para Portugal?
    lapis rabugento said...
    Portugal é um país periférico. Deve pois ter transportes que diminuam essa perificidade. Por outro lado, deve desenvolver transportes que diminuam a emissão de CO2.
    Devemos ter uma visão europeia do país, e não apenas nacional. Se a Espanha vai ter uma rede de TGV até às nossas fronteiras, mal será os comboios pararem na fronteira para se mudar de comboio. E como temos de mudar de bitola ibérica para bitola europeia, então que se faça já coisa para o futuro, e não remendos que ainda ficam mais caros porque a linha Lisboa-Porto já está saturada de comboios perto de Lisboa e Porto e é praticamente impossível aumentar o número de vias nessa linha antiga.
    Isto é uma coisa complicada e não deve ser motivo de leviandade em blogs irresponsáveis.

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