sim, não, antes pelo contrário...

Parece que ontem à noite António Borges, nas Noites à Direita, terá encantado a assistência com a sua análise sobre o estado da Pátria. Talvez, mas como não estive lá tenho que me recorrer da imprensa, e do que está no blog 'promotor', o Acidental, e é sobre isso que vou falar... Paulo Pinto Mascarenhas, embevecido, cita aqui, este resumo do Jornal de Negócios. Analise-se pois o mesmo...

O economista social-democrata António Borges considerou quarta-feira à noite que o Orçamento de Estado (OE) para 2006 do Governo PS tem «aspectos positivos», mas «não modifica a política económica fundamental», recusando comentar a sua rejeição pelo PSD, noticiou a Lusa.


"Tem aspectos positivos", "não modifica a política económica fundamental". Traduzindo - o que de substancial e estrutural estava mal continua mal.

«Se votaria a favor ou contra, não entro nessa polémica que é interna do PSD, por razões óbvias», afirmou Borges, que no último Congresso dos sociais-democratas apresentou uma moção de estratégia (a segunda mais votada, a seguir à de Marques Mendes). António Borges, que foi um dos oradores de uma conferência sobre «A Direita e a Economia», organizada pelas «Noites à Direita. Projecto liberal», recusou desta forma juntar-se à voz da ex-ministra das Finanças do PSD Manuela Ferreira Leite, que afirmou segunda-feira que, se estivesse no Parlamento, ter-se-ia abstido na votação da proposta orçamental do executivo.


Traduções possíveis

  • a) Está contra o voto contra. Defende a abstenção. Se estivesse a favor não tinha custado nada afirmá-lo inequivocamente.
  • b) Estando contra, não quer estar tão contra. Por outro lado é preciso fazer marcação cerrada à 'amiga'... Um pé dentro e outro fora.
  • c) Até é a favor do chumbo, mas como há tanta gente a dizer que a abstenção era uma boa hipótese, quis ficar bem com todos...

Pelo lado positivo, Borges destacou no OE a aposta na redução do défice e da despesa pública, mas disse duvidar do cumprimento da proposta. «A grande crítica que faço a este Orçamento é que vai ser muito difícil de cumprir porque é excessivamente optimista e não contém medidas concretas que permitam executá-lo», afirmou o ex-governador do Banco de Portugal, respondendo a uma pergunta da assistência.

É positivo enumerar boas intenções, não é positivo enumerá-las quando se sabe serem inexequiveis ou porque não existe intenção real de as cumprir ou porque não existe nem pulso nem vontade política de fazer com que sejam tomadas a sério. Há é claro o pequeno problema de que para além do 'optimismo' e da falta de vontade política não estão lá, no OE, nenhumas, nenhumas, reformas de fundo. Já agora, seria pertinente saber quais é que, para Borges, deveriam estar, em concreto, e por que ordem deveriam ser feitas, porque a ordem dos factores nunca é arbitrária...

Borges lamentou, contudo, que o Governo PS mantenha o que considera ser «o erro gravíssimo» da política económica portuguesa: «favorece o sector que está protegido da concorrência e não ajuda o sector que é competitivo com o estrangeiro».

Lugar comum, mas verdadeiro. A palavra chave é 'mantenha'. Mais uma vez alguns casos práticos vinham a calhar. Por exemplo o que acha Borges do que se está a passar no sector da Energia, ou sobre o monopólio da PT (mais do que sobre a golden-share)...


«Para se apostar na inovação e na mudança tem de se desistir de apoiar o que existe hoje. Isto implica necessariamente que há alguém que fica para trás», defendeu Borges, considerando que esta é «uma das principais clivagens entre direita e esquerda» em matéria económica.

Resumo - Borges não sabe o que é a esquerda, muito menos a direita...

Publicado por Manuel 15:39:00  

6 Comments:

  1. randomblog said...
    A ideologia do dinheiro!
    Pedro M said...
    Mais um bem falante.
    Mais um génio que nos querem vender, à semelhança de outros tantos no passado.
    Indefinição e estar bem com deus e o diabo: a marca do sabidola.

    É por isso que a falta de à-vontade de Cavaco me é tão sedutora.
    lapis rabugento said...
    antónio borges devia estar no PS, porque só o PS e o seu bloco social de apoio pode fazer as reformas de fundo defendidas por antónio borges.
    no PSD nunca conseguirá fazer nada se for governo, primeiro porque a malta do PSD só vai para o governo para fazer negociatas, segundo porque se fizer reformas de fundo haverá falta de apoio de um grande bloco social que só o PS tem e nesse caso haverá greves monstruosas e revolução.
    só os partidos de esquerda moderada, com grande bloco social de apoio podem fazer essas reformas, e mesmo assim com algum barulho na rua do lado esquerdo.
    o PS já lá tem um antónio borges, chama-se sócrates em versão teixeira dos santos.
    lapis rabugento said...
    «pode o governo sff colocar em linha os estudos sobre o aeroporto da ota para que na sociedade portuguesa se valorize mais a "busca de soluções" em detrimento da "especulação"?»

    Isto é o que se lê neste blog, ao alto, quando se quer colocar um comentário.

    senhores desta Grande Loja, os estudos sobre a Ota e Rio Frio estão disponíveis na Net, em www.naer.pt

    Para quê então esse cartaz ao alto do vosso blog?
    FORMIGA BARGANTE said...
    e não há, por ai, um afia-lápis disponivel para "afiar" até ao fim este rabugento ?

    P.S. - Grande Mestre Manuel, com a sua mania de tornar mais difícil a "postura" de comentários automáticos, a consequência é toda esta catrefa da "lápis rabugentos" que introduzem manualmente o que antes era automático.
    Ainda não ouviu que necessitamos de ajudar o governo a poupar "euricos" ?
    Vá lá, acabe com estas modernices e deixe os "rapazes" introduzirem automáticamente os comentários.
    Sempre sai mais barato !
    O Reformista said...
    Caro Manuel

    Eu estive lá a ouvir o António Borges. Aquilo que saiu nos jornais são os aspectos da chicana política diária.
    O importante foi o que ele disse e mostrou na sua intervenção. Julgo que teria gostado...
    Ideias e princípios claros, vontade reformista. Mais seduzido pelo modelo anglosaxónico do que pelo francês. Estado (e políticos) afastados da vida das empresas.

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