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Portugal disse aos EUA que não se oporia à invasão de Timor-Leste

Em Março de 1975, Portugal já tinha informado os Estados Unidos não ser sua intenção resistir a uma possível invasão de Timor-Leste pela Indonésia, revelam documentos secretos divulgados ontem em Washingon. Isto apesar de uma análise militar norte-americana ter concluído que Portugal, com o mínimo de preparativos, tinha a capacidade de "encurralar" os indonésios em Díli, devido à falta de apoio dos timorenses a uma invasão Indonésia e às dificuldades do terreno. (Lusa) [continua aqui...]


Enfim, Timor - uma ilha indonésia que não tem grande coisa a ver com Portugal.

Mário Soares, 'Portugal Amordaçado', 1973 (pág. 457)

Publicado por Manuel 11:58:00  

10 Comments:

  1. josé said...
    Bem, isto de escrever Portugal em Março de 1975 já tinha informado, tem que se lhe diga...

    Eu sou português e não me sinto lá por isso representado por governantes provisórios que nunca me concultaram nem a mais ninguém em geral sobre estas coisas.

    Assim, é de toda a justiça que se saiba quem foram os portugueses de Portugal que assim agiram em nome geral.

    E como a política externa era da competência do governo até prova em contrário talvez seja útil saber quem eram os governantes até Março de 1975...

    O III Governo Provisório tomou posse a 30 de Setembro de 1974. Terminou o seu mandato a 26 de Março de 1975.
    Primeiro-Ministro
    Vasco Gonçalves
    Ministro sem Pasta
    Vítor Alves
    Ministro sem Pasta
    Ernesto Melo Antunes
    Ministro sem Pasta
    Joaquim Magalhães Mota
    Ministro da Defesa Nacional
    Silvano Ribeiro
    Ministro da Coordenação Interterritorial
    António de Almeida Santos
    Ministro da Administração Interna
    Manuel da Costa Brás
    Ministro da Justiça
    Francisco Salgado Zenha
    Ministro das Finanças
    José da Silva Lopes
    Ministro da Economia
    Emílio Rui Vilar
    Ministro dos Negócios Estrangeiros
    Mário Soares
    Ministro do Equipamento Social e Ambiente
    José Augusto Fernandes
    Ministro da Educação e Cultura
    Manuel Rodrigues de Carvalho
    Ministro do Trabalho
    José Costa Martins
    Ministro dos Assuntos Sociais
    Maria de Lurdes Pintasilgo
    Ministro da Comunicação Social
    Jorge Correia Jesuíno

    Acho por bem que se peça explicações públicas aos senhores Almeida Santos e Mário Soares sobre estes assuntos, porque eram eles os ministros das áreas respectivas. E porque Vasco Gonçalves já morreu.
    Para que fique arrumado de uma vez por todas quem é (foi)quem.

    Reparo também que aparece no governo como ministro das Finanças José Silva Lopes...o tal que agora aconselha a apertar o cinto aos privilegiados.
    Aposto que foi arrastado para o governo para salvar a pátria da bancarrota...
    Isto é só desgraças.
    JAC said...
    Portugal tem o direito de saber… … quais foram as posição assumidas, pelo Dr. António de Almeida Santos (Ministro da Coordenação Interterritorial) e o Dr. Mário Soares (Ministro dos Negócios Estrangeiros), perante esta monstruosidade inqualificável.

    http://sal-portugal.blogspot.com/2005/11/portugal-tem-o-direito-de-saber.html

    Sal de Portugal
    (Diário do adeus aos Cigarros)

    http://www.sal-portugal.blogspot.com/
    Luís Bonifácio said...
    Os documentos americanos revelam aquilo que toda a gente desconfiava.
    O Ministro dos Negócios Estrangeiros Indonésio da altura (Adam Malik) afirou numa entrevista há cerca de 10 anos atrás que em 1975 num encontro com Mário Soares este lhe propôs a entrega pura e simples de Timor-Leste. Adam Malik confidenciou ao jornalista ter ficado surpreendido pois o governo da Indonésia ter manifestado o interesse na continuação da soberania portuguesa em Timor, uma vez que as relações tinham sido sempre excelentes e não havia em Timor, até ao 25 de Abril qualquer alteração da ordem. O Território vivia sob paz social, o que os documentos americanos também o confirmam.
    josé said...
    A argumentação para papalvo ver,v ai ser esta:

    "Portugal, em 1975, atravessava uma crise enorme,nacional e internacional.
    A confusão entre nós era demasiado grande para se poder agora dizer quem foi que deu a informação aos americanos.
    É preciso não esquecer que havia um Conselho da Revolução e a política de descolonização foi uma grande obra que se fez para solucionar problemas e reparar os erros do fassismo."

    Vai ser assim, mais ou menos...e quem o vai dizer vai ser o Almeida Santos não tarda muito.

    Isto é, se lhe perguntarem...
    O DN não pergunta. O Público também não. As tv´s então é o moita carrasco habitual.
    A TSF fica-se em copas e lá vamos mais falar outra vez do Souto Moura e das fugas ao segredo de justiça.
    AH! Malandro de SOuto Moura! Não tens o MP na mão e depois é disto...
    Teófilo M. said...
    Algum dos comentadores anteriores tinham idade para ir em 75 defender Timor? Ou tinham pais que o pudessem fazer? Ou filhos que desejavam ter enviado? Ou familiares?

    Se sim, porque carga de água é que não foram?

    Ficaram à espera de quê?
    Mário Rodrigues said...
    Nem me dou ao trabalho de ler a notícia na íntegra. Bastou-me ouvir a TSF para concluir que todas estas informações não têm nada de novo. É o habitual: requentam-se informações conhecidas há décadas e já publicadas em variados livros.

    Quanto à declaração de que Portugal «tinha a capacidade de "encurralar" os indonésios em Díli» só quem não conhecia a estrutura militar portuguesa em timor e ignorava a situação política existente em Lisboa e em Díli poderia dizer essa alarvidade... ou tinha lido a história da Padeira de Aljubarrota e acreditou que os portugueses do século XX são como os "heróicos" combatentes medievais que "venciam" inimigos "sete" vezes mais numerosos...

    Ingenuidade...

    http://mario-rodrigues.blogspot.com/
    Luís Bonifácio said...
    Ao Papagaio Teófilo

    A minha Família vivia em Dili!
    josé said...
    cheque-mate
    Teófilo M. said...
    Caro Luís Bonifácio,

    se calhar foi a sua família em Dili que lhe contou que por lá os papagaios sabiam escrever, nomeadamente em blogs, e a partir daí você acredita em tudo que lhe interessa, o resto, o que não lhe interessa, é obra dos papagaios.

    Também não percebi, o que é que a sua família em Dili, tem a ver com o assunto, a não ser que tenha pegado em armas contra os Indonésios e lutado valentemente contra o seu exército, acabando por ganhar, como se verificou ainda há pouco tempo.

    Quanto ao jose, não deve sequer saber o que é um cheque-mate, a não ser que seja cliente de algum banco que tenha utilizado o mate nas cores dos ditos.

    P.S.: Só para o bonifácio. Recomendo-lhe melhor argumentação para a próxima e ao mesmo tempo mais tempero no que escreve.
    Pedro M said...
    http://www.forumdefesa.com/forum/viewtopic.php?t=2597


    A ideia de que não tinhamos forças, é cada vez mais absurda.

    À medida que o tempo passa, torna-se óbvio que Portugal tinha de facto uma capacidade militar que muitos países do mundo nao tinham. Não estou a dizer que era uma coisa boa, porque não era, e essa capacidade custou-nos muito sangue, suor, lágrimas e recursos, que deveriam ter sido aplicados noutros lugares, mas, avancemos.

    A Invasão de 1975, nomeadamente a tomada de Dili pelos paraquedistas indonésios, poderia ter sido parada sim.

    Citação:

    "Abeam Atauro, the planes reached 5,000 feet. Because the radar was tuned to the weather, Suakadirul was shocked to see two Portuguese frigates Joao Roby and Alfonso de Alburquerque anchored offshore Atauro. "There was no information on the two ships equipped with radar and sonar anchored at Atauro," protested Suakadirul. Strange. Even though KRI Ratulangi has passed Joao Roby at Timor territorial waters, October 23. What was more surprising, the existence of the ship, which has 3 100-mm guns, has already been known since October 1. "That's what I didn't understand," answer Suakadirul.
    http://www.angkasa-online.com/09/05/english/english1.htm"

    Há relatos australianos, que acusam claramente Portugal. Os australianos afirmam algumas vezes, que os portugueses dispunham dos mais modernos navios de guerra de todo o hemisfério sul e não dispararam um único tiro.

    Como podemos ver pelos relatos do site indonésio acima, os indonesios nem avisaram as suas tropas da presença das fragatas, porque sabiam que não haveria reacção. (de notar que o relato refere um navio chamado Afonso de Albuquerque, o que está incorrecto. Acho que estava lá a corveta F-488, NRP Afonso Cerqueira) .

    A peça de 100mm Creusot-Loire, junto com a peça de 40mm, seria sempre uma arma temível, tudo dependendo das munições disponíveis.
    (não sabemos qual a disponibilidade de munições, mas se não havia vontade de lutar, também não havia razões para que os navios estivessem suficientemente municiados) e a falta de munições é sempre um bom argumento para não agir.


    Ou seja: Se Portugal se opusesse, a Indonésia não teria forças para tomar Timor. Esta é a realidade. Timor ficavba demasiado longe para os C-130 e outros aviões de transporte actuarem com protecção de aeronaves de ataque, e os canhões anti-aéreos dos barcos de guerra portugueses, tornavam impossível o dominio aéreo.

    A Indonésia nunca se atrevería a defrontar navios de guerra portugueses, e sem dominio do mar e do ar, pouco poderiam fazer.

    Timor ficaria demasiado caro de invadir.

    Este é mais um daqueles casos, em que a retórica daqueles que dizem que "Não havia nada a fazer" cai por terra perante os numeros e as evidências da história.

    As tropas portuguesas, deixaram de lutar, mas não foi porque se recusaram. Deixaram de lutar, porque receberam ordens para o fazer. Timor-Leste, é apenas um dos casos em que isso se torna evidente.

    Todas estas noticias eram conhecidas, e agora vêm apenas sendo confirmadas porque o tempo altera a classificação de segurança dos documentos americanos.
    (...)

    O que acho é que quem diz que não havia nada a fazer, e que não tinha sido possível fazer nada, está a mentir, ou pelo menos a distorcer a realidade."

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