Ontem

Em Lisboa, um grande grupo financeiro promoveu uma "Master Class" com três economistas de craveira mundial, incluindo dois prémios Nobel. Até aqui tudo bem. E de saudar. Nada que tenha despertado interesse por aí além nos media tradicionais, mas isso é normal.

O problema foi na fase das perguntas. O nível de inglês apresentado pelos estudantes de economia das várias universidades (Lisboa, Algarve, Porto e Coimbra), supostamente escolhidos a dedo, era confrangedor ao ponto de não se perceber exactamente quais as questões colocadas. Uma triste e pálida imagem de um triste e pálido país.

Ainda assim, uma iniciativa onde se aprendeu alguma coisa. Menos mau. Nomeadamente, vejam lá o despautério, que aquela coisa do modelo finlandês de que o Primeio-Ministro andou a falar, e de que já se terá esquecido, até é capaz de fazer sentido. É que, questionado sobre como mudar o paradigma de desenvolvimento económico de Portugal, Michael Spence, Prémio Nobel da Economia em 2001, disse exactamente isso. Olhem para as experiências de países com média ou pequena dimensão como os do norte da Europa, nomeadamente a Finlândia, e aproveitem o que puderem. Uma ideia a reter.

De resto, imensa informação sobre o "problema" da China e sobre a "crise" petrolífera. Pelo meio Mundell, que todos os europeus deviam saber quem é, uma vez que esta embrulhada do Euro está sustentada teoricamente nos trabalhos dele, defendeu só isto: paridades fixas irrevogáveis entre Dólar, Euro e Iene, impedindo as flutuações cambiais (especulativas e oportunistas). Na prática, uma única moeda mundial. Food for thought.

Publicado por irreflexoes 10:22:00  

4 Comments:

  1. Anónimo said...
    Inglês nao faz parte do curriculo, ou é opcional nas universidades. Eu confesso que o meu inglês tb era horrivel quando estudei na holanda, a ponto de os outros alunos nao compreenderem muito do que eu dizia. JA para nao falar do como era degradado e previsivel...
    Entretanto valeram as muitas caneladas que Ela me deu, ou nao fosse doutoranda no dep. Ingles local.

    Uma pena o Spense nao se ter comprometido a dizer o que vale a pena aproveitar, isso tb eu diria.
    Anónimo said...
    Não sei como se passa nas universidades de hoje, mas qualquer comparação entre o nível de Inglês dos gestores portugueses e espanhóis é pura coincidência.

    Em duas audiênmcias de alto nível, uma em Madrid outra em Lisboa, com os mesmos oradores (ingleses/americanos), o resultado é automático: 90% dos espanhóis pegam nos auscultadores de tradução. Resultado: só se riem das piadas uns segundos depois de elas passarem... Confrangedor.

    Em Lisboa, se estivermos num dia mau, talvez 10% usem o tradutor.

    Quem diria, não?

    Na minha opinião isto não tem a ver com o sistema de ensino, mas sim com a disparatada mania da dobragem de filmes e séries em Espanha. Transformou mesmo os espanhóis mais influentes em analfabetos de outras línguas.
    Olindo Iglesias said...
    Lembro-me que no verão do ano passado, enquanto passeava de barcos pelos fiordes noruegueses, ter-me cruzado com um grupo de crianças de escola. Não teriam mais que sete anos, mas todas falavam um inglês fantástico.

    Perguntei ao professor deles como era possível. A resposta foi simples: começam a aprender desde a pré-primaria.

    Sem mais comentários...
    xatoo said...
    "moeda única mundial" = Império!
    que abrange os três polos capitalistas existentes sob a batuta dos States:
    qual será a novidade?
    que o resto do mundo vai ficar de fora?
    Shit!, falando inglês bem e depressa,,,

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