Aparentemente, a Volkswagen admite deslocalizar para a fábrica de Palmela a produção do novo utilitário desportivo (SUV), "por ser mais barato do que na unidade alemã". Tal a concretizar-se é uma excelente notícia para as exportações portuguesas e, em especial, para os trabalhadores da Autoeuropa, para os desempregados na região e para as empresas que produzem para o segmento da indústria automóvel. Até agora não vi ninguém do governo a embandeirar em arco com a oportunidade. Faço também votos para que, no caso de a expectativa se concretizar, não se regozije por aí além com o feito, pois tal ainda fica a dever-se ao facto de Portugal continuar a ser a china da UE, sendo que este não é um modelo de desenvolvimento pelo qual se deva aspirar. Os discursos frívolos e demagógicos sobre o “sucesso” português e de estarmos no “pelotão da frente” também contribuiram, e muito, para o que hoje somos. Por mim digo “never again”.

Publicado por contra-baixo 09:35:00  

13 Comments:

  1. Vítor Peliteiro said...
    Eis uma boa noticia para Portugal.
    Para além do orgulho patriota, é sempre importante para um País como o nosso incrementar alguns indicadores importantes para a nossa economia, como é o caso das exportações e do PIB (15% no primeiro e perto de 1.5% no segundo).
    Gostei do blog
    http://www.footbicancas.blogspot.com
    Fernando said...
    Não consegui acompanhar.

    Então não nos devemos regozijar por continuar uma fábrica que é praticamente o único exemplo de competitividade externa que temos?

    Então não é este o "modelo de desenvolvimento" que queremos, baseado em mão-de-obra fortemente especializada, produzindo produtos de alto valor acrescentado, com salários de mais do dobro de qualquer função assemelhável nas indústrias "tradicionais"?

    Competindo com as melhores fábricas europeias (não chinesas) do ramo, e ficando nos tops de produtividade?

    Não é este o "modelo de desenvolvimento" que queremos?

    Então é qual?

    Explique por favor, pois fiquei curiosíssimo.

    E vou-me preparando pois a tese deve ser caso para Nobel.
    contra-baixo said...
    Fernando,

    Preste, sff, atenção ao que foi escrito "por se mais barato que na unidade alemã". Este tem sido o argumento utilizado para justificar a deslocalização das empresas para a RPC e outros países.
    Por acaso, o Fernando defende que devemos enaltecer a nossa capacidade competitiva por estar baseada em "baixos salários"???
    contra-baixo said...
    Corrijo: estando esta baseada em "baixos salários" ???
    Fernando said...
    Contra-baixo,

    "Ser mais barato" para uma empresa não quer necessariamente dizer que os salários são mais baixos.
    Quer dizer que a soma dos factores produtivos resulta num preço final mais baixo.
    Como se consegue isto? Por exemplo, com maior produtividade (normalmente associada a skills apropriados, imaginação, método, etc), com menores desperdícios, com mais eficiência, melhor Estado, cumprimento de contratos, etc etc etc.

    É nisto (o somatório dos factores produtivos) que a fábrica de Palmela é muito boa (e já agora todo o cluster que lhe está associado).

    Nenhuma empresa de automóveis decide a produção de um novo modelo (que representa 6-10 anos pelo menos) com base numa conjuntura qualquer.
    O que está em causa é estrutural: eles acreditam (serão burros ou não, mas à sua própria custa...) que vão ter, a longo prazo, possibilidades de produzir em Portugal um automóvel mais competitivo que em diversas outras localizações alternativas (e não, Portugal não é o país com mais baixos salários da Europa).
    O mito de que os salários são o único factor competitivo é completamente errado.
    Se andasse sequer perto da verdade não conseguiria explicar nada da economia pelo menos dos últimos 100 anos.
    Por isso é mesmo caso para nos regozijarmos e caso para mostrar como exemplo, cá dentro (aos Velhos do Restelo) e lá fora (aos outros investidores).

    Mas continuei sem perceber o que entende ser o "modelo de desenvolvimento" alternativo que preconiza.
    contra-baixo said...
    Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
    contra-baixo said...
    O "ser mais barato" é um argumento invocado no contexto de negociação com os trabalhadores alemães, que aparentemente são menos competitivos que os trabalhadores portugueses por ganharem mais e não por os portugueses trabalharem melhor ou por estarem melhor qualificados ou serem menos absentistas.

    Sobre o modelo de desenvolvimento, creio que o meu não será diferente do seu. Acredito que devemos basear-nos numa indústria forte com produtos de grande valor acrescentado que se imponham no segmento de mercado do topo de gama e não do “low coast” e em que o factor “trabalho” não seja apenas valorizado como um custo, mas sim como um activo intangível da empresa.
    António Duarte said...
    A decisão de colocar a produção do novo modelo em Palmela, deve-se única e exclusivamente ao facto de na Alemanha nao ser possível a concertação social com os sindicatos.
    C. Indico said...
    Não entendo.Se ganhamos menos e somos menos produtivos, não fica tudo na mesma?
    contra-baixo said...
    É verdade.
    Mas parece que a administração da fábrica, em particular o presidente, não se anda a dar lá muito ao respeito, condição para que a CS seja possível, parece-me.
    Aliás, nada que por cá não aconteça também, pelo menos na AP.
    Teófilo M. said...
    A Auto-Europa é a fábrica mais produtiva do grupo.

    Produtividade não é sinónimo de trabalhadores preguiçosos, mas apenas fruto de deficiente organização/gestão do equipamento.
    Anónimo said...
    Percebo o que quer dizer no seu post mas não lhe dou razão.

    Portugal ainda não tem um Silicon Valley nem universidades do nível de Harvard ou Berkeley.

    A produção automóvel é um estado de desenvolvimento compatível com o desenvolvimento de alguns países, não com todos.

    É evidente que o custo da mão de obra pesa na decisão da VW, mas não só. Também é preciso mão de obra qualificada e a da Auto-Europa está num nível médio acima do nível médio nacional e satisfaz os requisitos da Auto-Europa.

    Portanto é um investimento muito útil a Portugal, na fase de desenvolvimento em que Portugal está.

    Os ingleses não se importam nada de ter fábricas de automóveis cujos patrões e tecnologia de ponta são japoneses ou alemães. Idem, os espanhois (SEAT-VW), etc.

    Se tivéssemos cinco Auto-Europas o nosso défice comercial estaria resolvido. O problema é que não conseguimos captar mais fábricas como essa e com essa dimensão para o nosso país. Mais devido à nossa situação geográfica do que à falta de qualificação dos nossos trabalhadores.

    Venham muitas Auto-Europas!
    Anónimo said...
    O somatório dos custos gerais da viatura, aliado aos niveis de produção e a uma maleabilidade de
    acudir às encomendas e a experiencia, acumulada na Auto Europa, em que a média de idade è
    baixa, tudo isso leva a Wolf a uma eventual decisão. A distancia neste produto não conta, o embarque em Setubal è facil e a distancia do centro da Europa!
    Alem de que temos neste momento
    produtores de componentes em condi
    ções de negociar preço e entrega fácil!
    Isto Será apenas um local para os imbecis dos politicos, irem aprender como se faz a gestão de pessoal e dos meios produtivos!

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