Eduardo Prado Coelho: o intelectual que vai ao Lidl só para não se irritar

De um modo sub-reptício, há pequenas contrariedades que fazem parte desse quotidiano e que nos irritam epidermicamente.(...) Vou ao supermercado, e em alguns (nem todos) dão-me sacos que eu tento abrir num combate vão. Experimento tudo, as unhas e os dentes, mas eles permanecem herméticos como um poema de Mallarmé. Exausto, peço auxílio à funcionária.

Termino com algo que regularmente me atenaza o juízo: o invólucro que amorosamente envolve o CD ou o DVD. Alguns têm uma tira que é suposto designar a linha de vulnerabilidade. Mas a verdade é que estou ali dez minutos em luta com as várias reentrâncias, até que se abre um universo novo que me dá acesso a Beethoven.

in Público

Publicado por Nino 22:44:00  

9 Comments:

  1. josé said...
    Este Eduardino está cada vez mais semântico.
    Agora, até compra cd´s com música de Beethoven nos supermercados!
    Que edição especial terá o semiótico professor-cronista-crítico-utente e consumidor descoberto?!
    O esquecido Furtwängler a cinco tostões?
    Se ainda fosse, talvez se justificasse a crónica...agora, escrever sobre as dificuldades em abrir sacos e saquinhos...pufff!
    Isto anda mal, mas qualquer dia ainda havemos de enfrentar uma crónica no Público, em que o intrépido impetrante, descreva a dificuldade em conseguir ver o próprio...umbigo!Já esteve mais longe.
    Pedro Soares Lourenço said...
    Oh Ninno você não está a ver bem a coisa, esto é pós-modernismo..., e do bom!!
    Queixinhas said...
    O José tem é inveja!!!A crónica é bem profyunda, até que se ajusta ao nosso mundinho.
    Eric Blair said...
    Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
    Eric Blair said...
    É o que dá ter a obrigação diária de escrever uma crónica: alterna o profundidade com a banalidade, o brilhantismo com a frivolidade, enfim...
    Queixinhas said...
    O Público não paga ao EPC? Então, o prof.tem obrigação de fazer sempre bem, ou não é?
    Anónimo said...
    Isso era se o Público fosse uma empresa privada, onde há exigências de qualidade, competência, competetividade, tudo que carateriza as empresas privadas. Mas o Público é do Estado porque é de quem manda no estado. Logo é empresa pública.Assim, o cronista pode mistura qualidade com banalidades dos supermercados Lidle, Continente, Jumbo e por aí fora.
    Anónimo said...
    Ele que treine com cuequinhas que ao princípio também custam a abrir.

    O truque é ser á dentada...
    Anónimo said...
    Ó caríssimos, cada um fala do que sabe e pode. Sacos, o amor aos Derridas,perfumes, o amor aos JCNeves, orgasmos verticais, títulos, o amor às AnaLuísas: a mioleira do Epc não dá para mais. O homenzinho quer ser Eco quando for grande mas não faz os TPCs...

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