E tudo o vento levou...

Muito, mas mesmo muito se tem falado, sobre a verdadeira bomba que eclodiu no decorrer do Euro-2004. A princípio começou por ser um mero boato, desmentido convenientemente pelo próprio, mas com o passar do tempo, percebeu-se que não era apenas um boato e que tinha o seu que de fundamento. Durão Barroso primeiro-ministro de Portugal, futuro presidente da Comissão Europeia.

Se por um lado, percebo a alegria e o sentido de Estado de todo um certo PSD, por outro lado não posso deixar passar em claro, o facto de a ida de Durão para Bruxelas, trazer para Portugal consequências a montante e jusante. A começar pelo próprio governo, que nos diz respeito a todos, e ao PSD que diz respeito aos seus militantes.

Alguns quadrantes da nossa política, afirmam que tal será motivo de orgulho nacional, e que Portugal poderá beneficiar disso. Beneficiar como ? Um Presidente da Comissão Europeia, deverá manter a imparcialidade, de forma a gerir o equilíbrio nas discussões. O facto de termos um português à frente não é imediatamente garante de orgulho. Os franceses hoje não se orgulham de Jacques Santer à frente da Comissão Europeia. O facto de Durão ser PCE, apenas será prestigiante para o país se o seu trabalho à frente do mesmo o deixar com créditos suficientes para tal. Não é a pessoa que engrandece os actos mas sim os actos que engrandecem as pessoas e os cargos que elas representam. E isto ninguém sabe ainda. Mas se julgarmos os anos que Durão leva de primeiro-ministro, os problemas que teve em Portugal, rapidamente chegamos à conclusão que um mau primeiro-ministro poderá converter-se num indiferente presidente da comissão europeia. Polémico, porque alguma Europa não lhe perdoa a fotografia dos Açores. Pouco rigoroso, porque os países pequenos não lhe perdoam o seu aparente desvio na questão do PEC, e do seu cumprimento, ao defender os incumpridores. Tudo isto joga contra Durão Barroso no dia que assumir o cargo. Tudo isto e mais o facto de ter sempre defendido (?) Vitorino como o seu candidato.

A verdade é que por exemplo a Espanha, com Javier Solana bem colocado na corrida, rapidamente preferiu ter um comissário com peso do que este como candidato a Presidente da Comissão. E conseguiu hoje que o mesmo Solana fosse reconduzido na pasta.

O problema é mais grave ainda porque abandonando Durão o governo, ainda que por razões diferentes de Guterres, é um facto que abandonou, fica em Portugal um governo para formar.

E a agora a pergunta mais difícil de todas - Que legitimidade tem o PSD para escolher o governo? Bom todos sabemos que os governos não são sufragados, mas sim escolhidos por entre o partido mais votado. Mas com um resultado eleitoral fraco nas últimas eleições, uma mudança de executivo deveria ou não conduzir a eleições antecipadas?

Por um lado, sim. Legitimava-se nos portugueses a escolha de quem queriam como governo. Colocava-se nos partidos, em todos, a noção que os portugueses nas urnas poderiam ser mais exigentes que nunca. Eu por exemplo jamais votaria no PSD, sendo do PSD, com Santana Lopes como cabeça de lista. E as razões são simples, pois de Pedro Santana Lopes, não se lhe conhece uma obra que tenha começado e a tenha concluído. De finanças pouco ou nada percebe e tem um claro défice democrático na forma de fazer as coisas. Pode até dar um bom entertainer nos congressos do PSD, mas o país precisa de alguém que fale pouco e faça mais. E Santana Lopes, basta ver por Lisboa, pouco ou nada tem feito.

Por outro lado, não. E este não entenda-se resume-se à estabilidade política que o país precisa.

Mas, a verdadeira questão é se a situação da passagem administrativa de Santana Lopes para primeiro-ministro causa menos instabilidade do que a convocação de eleições antecipadas.

A mesma passagem de Santana Lopes a Primeiro-Ministro faz-me lembrar quando os alunos passam a uma cadeira na faculdade...

... as chamadas passagens administrativas; passam mas não percebem nada da matéria, e assim se contribui para o baixo nível educacional da política portuguesa.

Publicado por António Duarte 13:17:00  

4 Comments:

  1. Pedro Barata said...
    O Jacques Santer nao era frances, era luxemburgues. Nao admira que os franceses nao sentissem orgulho nele...
    António Duarte said...
    Caro Pedro Barata

    De facto nasceu em Wasserbilig ( luxemburgo ). As minhas desculpas. O facto de os franceses não gostarem dele não se deve a esse facto, mas sim a sua postura perante a PAC.
    João said...
    Que país complicado.
    O governo tem um n.º 2.
    O governo tem um programa que foi referendado.
    Porquê tanta “instabilidade”?
    Luís Bonifácio said...
    Cheira-me que a classe política portuguesa está cheia de caramelos que na universidade recorreram a este expediente

Post a Comment