Por falar em Fernanda Câncio

Vamos recordar um clássico:

Luís Marques Guedes nomeou Gonçalo Santana Lopes, filho do antigo primeiro-ministro, para "técnico de apoio parlamentar de 1.ª do grupo parlamentar do PSD" (continua)

Publicado por Carlos 12:59:00  

36 Comments:

  1. Jorge Oliveira said...
    Parece que ninguém tem a coragem de abordar o que está verdadeiramente em causa com esta senhora.

    Não se trata aqui de verberar uma situação de nepotismo, como muitas outras que podem ser dadas como exemplo e em que todos os partidos são useiros e vezeiros.

    O que pode estar aqui em causa é a suspeita, apenas abordada em surdina, de que esta senhora se tenha prestado a um jogo de dissimulação, cumplicidade é o termo, com o objectivo de dissipar a dúvida em tempos lançada, acerca de uma eventual homossexualidade do então candidato a primeiro ministro.

    Porque, se assim foi, qualquer cargo de maior destaque que a senhora venha a desempenhar numa ou para uma entidade pública, enquanto se mantiver este primeiro ministro, por maior que seja o seu mérito profissional, pode sempre ser interpretado como um pagamento especial por conta.

    O problema do PSD é que não tem um pingo de organização e é incapaz de investigar o que quer que seja, quanto mais uma situação destas. Se isto se passasse com um primeiro ministro do PSD, e com a comunicação social maioritariamente nas mãos da esquerda, não tenho dúvidas de que já tudo se sabia ao pormenor.

    Mas como não se sabe, o melhor que o PSD tinha a fazer neste caso era meter a viola no saco.
    Tino said...
    Caro José

    Desculpe que lhe diga, mas não há a menor semelhança entre os dois casos.
    josé said...
    tino:

    foi o carlos que colocou o postal.

    Mas por mim, subscrevo integralmente o que escreve, aliás muito bem, o jorge oliveira.

    É esse o problema e apetece-me repescar o comentário e colocá-lo em postl, para se acabar de vez com certas hipocrisias.
    Tino said...
    Caro José

    Desculpe o meu lapso.

    Quanto aos rumores sobre o PM, seria gravíssimo que tivesse sido o dirigente de um partido a lançá-los.

    Mas como já o disse no meu humilde blogue há uns tempos, esse dito rumor circulava à muito quer através do ex-sogro de Sócrates que falava desbocadamente do tema, quer através da ex-mulher ainda antes da separação do casal, em conversas com colegas e amigas.

    Já por uma vez aludi a uma viagem a Londres do casal e das dúvidas da esposa. Não passei daí por decoro, ainda que a personagem da engenharia não mereça o meu pudor.

    Quando o rumor foi amplificado por Santana Lopes, já ela circulava há muito tempo.

    Como nada sei senão por interposta pessoa, continuo a presumir o senhor como um homem digno nessa matéria.

    Continuam alguns a atacar Santana Lopes, nalguns casos de certos blogues percebe-se porquê.

    Saudações
    all said...
    ...se formos por essa via a levantar a nomeação do Santana filho, há que lembrar a filha do Sampaio, o filho do Cravinho, a Vitorino, etc...
    Aceito completamente o comentário de Jorge Oliveira. A Câncio quando faz comentários na coluna, blogue, etc não se coíbe ao ataque viperino contra os não rosados.
    De facto a maioria da imprensa de hoje é muito servil ao poder, capciosa, de até desonesta.
    Já os dedos da mão são muitos para identificar aqueles que são isentos.
    O exemplo cretino mais novo é o Quadratura do Circulo, ao trabalhar descaradamente para uma candidatura a longo prazo, sem vergonha ou pudor ético algum!
    Alias como eleitor ao olhar para um lado ou outro a mim só apetece rasgar o registo eleitoral, por pura vergonha de tanta falta vergonha.
    Tino said...
    Já agora, suspeita por suspeita, lembremos um emprego que a ex-mulher de Sócrates arranjou:

    --------------

    http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=639941&main_id=

    Desde Janeiro
    Ex-mulher de José Sócrates contratada para consultora dos CTT
    2006/01/27 16:35Redacção / SAS


    A ex-mulher do primeiro-ministro foi contratada pelos CTT para exercer funções de consultora desta empresa pública. Sofia Fava foi casada com José Sócrates até 1999 e é engenheira geógrafa de profissão. No mês de Janeiro, a empresa pública presidida pelo socialista Luís Nazaré contratou-a como consultora externa no âmbito do projecto SIG ¿ Sistema de Informação Geográfica Postal.Segundo fonte oficial dos CTT, em declarações ao jornal «O Independente», trata-se de um projecto «que visa racionalizar a distribuição de correspondências, cartografando as ruas das cidades e desenhando os roteiros dos carteiros de maneira lógica e não arbitrária. O objectivo final é, obviamente, prestar um melhor serviço aos clientes dos correios, eliminando desperdícios».

    A nomeação para este projecto causou alguma surpresa dentro dos CTT, na medida em que já existe um sistema informático que permite racionalizar todo o esquema de distribuição da correspondência na capital.

    A ex-mulher de José Sócrates trabalhou no instituto Geográfico Português como técnica superior de 2ª classe do quadro de pessoal do ex-Centro Nacional de Informação Geográfica, mas pediu a sua exoneração no Verão de 2004.

    José Sócrates e Luís Nazaré também têm em comum o facto de serem confessos admiradores de António Guterres. O primeiro-ministro é amigo há décadas do actual comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Partilham as raízes beirãs. Foram companheiros de luta na tomada de poder no PS. Chegaram ao Governo juntas em 1995.


    Já o actual presidente do conselho de administração dos CTT é neófito nestas andanças, mas ascendeu rapidamente à nomenclatura guterrista com a sua participação nos Estados-Gerais para a Nova Maioria.

    Luís Nazaré, após a vitória de José Sócrates nas legislativas de 2005, foi nomeado presidente do conselho de administração dos CTT.
    musaranho-coxo said...
    Eu também concordo com o comentário do Jorge Oliveira e merecia post, pois. Porque este é que é para tapar com comparações ao lado.
    Carlos said...
    Peço desculpa por ser desmancha-prazeres, mas o comentário do jorge oliveira não merece post.

    Sinceramente, estou-me borrifando se o o primeiro é ou não gay e se a fernanda câncio alinhou num suposto esquema de encobrimento (conhecendo-a, acho que ela tem mais com que se entreter...adiante)

    Vamos lá ver uams coisinhas: a câncio foi contratada por um produtora, não directamente pela RTP. É uma jornalista qualificada para a questão dos bairros sociais? É.

    O PSD ataca-a por ser desqualificada? Não. Mas, mesmo que fosse, não me parece que os Gomes da Silva ou os Ribaus possuam qualificações necessárias para passar atestados de competência...

    Se a condução do programa em causa for "tendenciosa", "manipuladora", a RTP tem um provedor, não tem?

    Se não gostar do programa, posso mudar de canal não posso?

    Quanto ao facto de o PSD não ter organização para investigar, pergunto: investigar o quê? Meter uns paparazzis atrás do Sócrates e da Câncio? Arranjar umas fotos para provar (e não dizer no condicional) o relacionamento?

    Boa. Grande história!
    josé said...
    A história não é essa. É outra e ainda vou pensar no assunto.

    Vale a pena comentar, porque o tema é aliciante e toda a gente se corta a abordar o problema.

    Porque é um problema que se pode equacionar assim:

    A opção sexual de género de cada um é com cada qual. Isso, está assente e não se discute.
    O que se discute é apenas se essa opção, é alardeada de modo equívoco, para mostrar aquilo que não se é.
    E se os intervenientes forem pessoas com cargos públicos, o tema ganha dimensão pública, como acontece em todo o lado.
    O problema de Spitzer foi esse, exactamente. Assim como o de Clinton. E outros, na Inglaterra, nomeadamente.

    Como é extremamente delicado entrar no tema, vou pensar e voltar a pensar.

    Mas não vou desistir de pensar...
    Carlos said...
    Ó José,

    Neste debate há algum problema sexual?

    Não creio
    josé said...
    Não há, por enquanto...mas o verdadeiro problema acaba por ser esse mesmo.

    E não devia ser.
    Neo said...
    Os mais altos dirigentes de um Estado podem não revelar o que entendam ser penoso assumir públicamente,nomeadamente assuntos íntimos.
    Parece também claro que não têm o direito de enganar os cidadãos seja em que matéria for.
    Ainda para mais construindo cenários que são objectivamente uma descarada farsa.
    Só desvela o buraco em forma de caracter da ardilosa criatura.
    Não é só a Câncio que recebe a tença.A outra figura do trio também recebe a sua parte.
    Lembro o tempo em que estes mesmos personagens se afadigavam em perseguir o Santana por bares e festas estampando tudo em jornais e revistas com o fito de beliscar a imagem do dito.
    Jorge Oliveira said...
    Ó meu caro Carlos. Esteja descansado que eu também não acho que o meu comentário mereça um post. Mas a sua intervenção justifica uma resposta.

    Eu também me estou borrifando para o facto de o “primeiro” ser ou não ser gay. Cada um leva e dá onde gosta mais. Mas o que acontece é que ele negou veementemente a insinuação, dizendo até que era uma “infâmia”. Por sinal, a forma como ele se defendeu e o termo que empregou é que me suscitaram dúvidas, mas enfim, ele lá sabe.

    Mas se a senhora jornalista alinhou num esquema de encobrimento, tenha lá paciência meu caro Carlos, não pode desvalorizar uma tal cumplicidade de forma tão leviana. É que, a ser verdade, isto diz muito do carácter dos intervenientes.

    Convinha até que o caro Carlos, que diz conhecê-la, fosse um pouco mais explícito. Porque as suas palavras são um tanto sibilinas…

    As qualificações da senhora para o trabalho que lhe entregaram até já foram elogiadas por Marcelo Rebelo de Sousa. Acredito que sim. Mas o seu argumento de que, se não gostar do canal pode mudar, roça a brincadeira. Você muda de canal mas não é por isso que a senhora desaparece de cena. Faz-me lembrar aquele miúdo que pedia licença quando desligava o aparelho de TV para o locutor não ficar aborrecido com ele. E essa da avaliação do Provedor é também para rir?

    Quanto às qualificações dos Gomes da Silva e dos Ribaus tem toda a razão. Ainda estamos a rezar para que o PSD encontre uma direcção de jeito para ganhar as próximas eleições. Mas o que é que quer? O PSD é o partido mais português de Portugal. Tem lá de tudo. E de vez em quando saiem-nos ao caminho estes cromos da ferrugem. Não é como no PS, onde se encontra apenas a elite de colarinho branco.

    No que respeita à organização do PSD para investigar o caso, respondo-lhe facilmente. Por mim não investigava nada da vida privada de ninguém. Mas, como já disse antes, não tenho dúvidas de que numa situação recíproca haveria quem investigasse. Parece que não se recorda do que fizeram com Sá Carneiro e Snu Abecassis.

    Infelizmente, conheço há muito a forma de actuação dos socialistas. Nos serviços do Estado e sobretudo nas empresas públicas e semi-públicas em que os lugares de administração e direcção são muito cobiçados, passam o tempo a telefonar uns aos outros, a cruzar informações sobre os colegas que estão com eles e os que estão contra eles, para seleccionar quem querem promover e quem querem pôr na prateleira. Os que não são por eles são classificados em laranjas, alaranjados e vodkas com laranja, mas isso nem interessa muito porque pedem a cabeça de todos. Aquilo não é um partido. É uma seita.

    Termino da mesma forma : ou o PSD atacava o assunto a sério, caso dispusesse de informação completa, ou então era melhor ter metido a viola no saco. Deixem a senhora trabalhar. Vamos ver como se sai.
    josé said...
    "Aquilo não é um partido. É uma seita."

    E a explicação do caso Casa Pia, reside nisso. Tal e qual.
    kermit said...
    Em primeiro lugar a homo ou hetero sexualidade do PM, ou de qualquer outra pessoa, não pode ser assunto de debate.
    Em segundo lugar quem fala em cumplicidades ou pagamentos por conta sem se importar com o mérito da profissional da visada, não tem opinião válida sobre o assunto.
    Se a RTP comprasse mais um reality show a fazer crescer o monte do tele-lixo das generalistas, isso não era assunto.
    Tino said...
    A sr.ª Câncio pode ser a jornalista mais competente e honesta do mundo. Ainda bem que é.

    O que importa aqui é que sendo ela apresentada como namorada do engenheiro José de Sousa, que por acaso é Primeiro-Ministro do que resta de Portugal, a sua participação nesse programa como apresentadora beneficia OBJECTIVAMENTE a imagem do PM, que só por mero acaso descobriu agora que tem alma, rosto humano e preocupações sociais.
    São apenas coincidências.

    Eu se fosse a namorada ou o namorado do PM teria o pudor de não desenvolver uma actividade pública que estivesse OBJECTIVAMENTE a beneficiar o PM. É uma questão de pudor e de verticalidade.

    Quem quer ter uma vida pública sabe que tem de suportar certos ónus decorrentes dessas funções.

    O comentário do Jorge Oliveira toca num ponto fulcral da questão. Muito possivelmente dar-lhe-ei mais visibilidade no meu humílimo bloque.

    É possível que os paneleiros (sem ofensa para os verdadeiros fabricantes de panelas) tenham o direito de o ser.

    Mas também é direito dos que exacram tal conduta não quererem que o dirigente do seu país seja paneleiro.

    Além do mais há a questão de saber se Sócrates mentiu ou não, coisa que em Portugal é irrelevante, mas que nos outros países é motivo suficiente para levar à demissão de um político.

    Volto a dizer que não sei se ele é ou não o que dizem. Como Português ficaria mais reconfortado que não fosse.
    Está no meu direito querer que o meu País não seja governado pela imundice da paneleirada.

    Podem dizer-nos que tal comportamento é uma questão de orientação ou opção sexual. Não é isso que mostram os estudos científicos no campo da genética...
    josé said...
    Eu nem chego aí, tino.

    Se alguém é "paneleiro", mesmo sendo alta figura pública, é lá com ele. Não distingo, porque há alguns "paneleiros" que admiro e não me incomodam minimamente.

    Elton John, é um deles.

    Mas é aqui que bate o ponto. Elton John admitiu publicamente essa inclinação, em 1976 ou 77 numa entrevista à Rolling Stone.

    Alguns outros políticos recentes o fizeram também.

    O que critico, é o facto de alguém querer passar por aquilo que não é, porque tem medo de se apresentar como é.
    E se isso acontecer com um governantes de topo, ainda mais criticável se torna, porque é um espelho de mentira.

    Não sei se será o caso, mas como já se fala disso, o assunto já se tornou problema, a meu ver.
    E é essa a única questão, neste caso.

    Estou-me nas tintas para as capacidades de Câncio.
    Duvido que as tenha em elevado grau e como eu aprecio, mas mediocridades há-as em todos os lados, e não vai ser a Câncio que fará a diferença.

    Por mim, pode fazer o programa que entender. Não o verei certamente.
    Tino said...
    Caro José

    Acho perfeitamente legítima a sua opinião.

    Mas por mais que tente aproximar-me de Deus ou da ideia de que Ele exista, por mais cristão que tente ser, por mais misericóridia e piedade que tente praticar, não consigo deixar de sentir nojo pelos ditos cujos.

    Já nem consigo ouvir as canções de Elton Jones, por mais belas que elas sejam.

    Eles no canto deles e eu no meu.
    zazie said...
    Este comentário foi removido pelo autor.
    zazie said...
    "Aquilo não é um partido. É uma seita."

    Grande definição.

    E, quanto à Câncio ter andado em a fazer de "companheira" foi público, teve direito a filmagens e notícia nos media.

    Mais, até constava da biografia da mesma noa Wikipédia. E foi ela que apagou este detalhe aquando da bronca do canudo do "inginheiro".

    Se o corporativismo serve para umas coisas, então também devia servir para outras. Não tivessem andado a publicitar que ela era a namorada do primeiro ministro, nem a seguissem nas viagens lá fora com toda essa patranha montada.

    Quanto ao cargo, basta ler o que a maluca escreve, para se perceber que apenas vai servir para mais militância.

    Quando o Carlos disse, a certa altura, que a conhece e sabe que ela nunca se prestaria a "uma coisa dessas". Faltou-lhe explicar a quê.
    Porque ela prestou-se a deixarem-na tomar por namorada oficial do primeiro.

    Ou o Carlos está a dizer que o foi e então não se percebe porque é que ela apagou todos esses dados da wikipédia.

    Ou está a implicitamente a querer que se acredite que ela foi levada à força a fazer de namorada do primeiro. Já que livremente não se prestaria a tal.
    josé said...
    tino:

    há mais "paneleiros" na música e nas artes, do que em outro lado qualquer.

    E mesmo assim, não me incomodam e em alguns casos, até podem fazer a diferença de sensibilidades.

    Um dos "paneleiros" cuja saída de armário mais me custou a aceitar como normal, foi o caso particular de Jann Wenner.
    Americano do sul, fundador da minha revista preferida dos anos setenta, a Rolling Stone, só nos oitenta ou noventa é que vim a saber que era "paneleiro". Um tipo casado, com filhos e tudo, declarou-se homosexual.

    Para mim, foi um choque, porque o tinha como um exemplo de indivíduo intelectualmente interessante e capaz de fazer uma revista como aquela.
    Alguns podem dizer: e daí?
    Mas não é bem assim. Preferia continuar a ver o indivíduo como "straight".
    É um preconceito, sem dúvida. Mas cada um tem direito aos seus.
    E este é um dos vários que colecciono. Há pior....
    Neo said...
    A questão do preconceito não pode ser esgrimida pelos homosexuais,mesmo porque eles são tão preconceituosos quanto todas as outras pessoas,relativamente a tudo.
    O âmago da coisa é a desonestidade,a facilidade em mentir,em ludibriar os portugueses.
    Se isto não é relevante,o que é???
    Quanto à Câncio nem vale as linhas que se escrevem.
    Há mais quem a conheça bem...e há muitos anos,antes do falso concubinato.
    Carlos said...
    Bem...depois de tanta discussão, parece que ninguém questiona a cometência jornalística da Fernanda Câncio para fazer o tal programa. Que, se bem me recordo, nada terá a ver com questões sexuais, mas sim com bairros sociais.
    josé said...
    Não, de facto. Tem a ver com equívocos e mentiras. O costume, aliás.
    JM Coutinho Ribeiro said...
    1ª questão: a importância de ser figura pública e eventualmente gay:

    Não me parece que, por se ser figura pública, deve ser obrigado a confessar que é gay. E muito menos porque, em iguais circunstâncias, outros o fizeram.
    Também não me parece que, a haver encobrimento da situação através de recurso a uma putativa namorada, seja motivo para que alguém seja desmascarado por ser gay não assumido.
    A situação seria diferente se o presuntivo gay, sendo político, tivesse um comportamente público diferente do seu comportamento privado. Seria o caso de um deputado que, numa intervenção na AR, se manifestasse contra os gays e se verificasse que, privadamente, ele o era. Aí, sim, estaria em evidência a falta de carácter que deve ser denunciada, porque os eleitores têm direito a conhecer o carácter (ou falta dele) de quem os representa.

    2ª questão: a importância de fazer um programa na RTP:

    O que é grave não é que Fernanda Câncio vá fazer um programa na RTP, através de um produtora externa. Dizem-me que a senhora é expert na matéria em causa. E também não alinho no coro dos que gritam que ela vai fazer o programa porque é putativa namorada do primeiro.
    O que está mal é que a RTP tenha necessidade de recrutar produtoras externas para fazer este tipo de programas. Presumo que na sua redacção haverá muuitos emprateleirados que fariam o trabalho igualmente bem.

    3ª questão: a importância do assunto para o debate político:

    O PSD andou muito mal nesta questão. E ainda se arrisca a que o facto reverta contra si. Todos os partidos que passam pelo poder - seja local, seja nacional - dão milhares de exemplos de situações que, mesmo quando não o são, são susceptíveis de lançar dúvidas. Como é o caso.

    (Registo de interesses: não conheço Fernanda Câncio, não lhe aprecio as opiniões, embora reconheça que escreve bem. Sou militante do PSD)
    josé said...
    Coutinho Ribeiro:

    Não se trata de confessar seja o que for.

    Trata-se apenas de se saber se o propalado namoro, o é efectivamente.

    Pode dizer-se que ninguém tem nada com isso. Tem. Neste caso, tem, porque são os próprios que consentem na exposição desse pormenor da vida privada, tornando-o público, com intenção que nem descortino qual seja.

    E nesse caso, se um for gay, ( o que para o caso, tanto se me dá como se me deu), a questão muda efectivamente de figura.

    Porque será de interesse perguntar por que razão o fazem assim.
    josé said...
    No caso o problema é dos tais que "sibi imputet". Foram eles que o criaram.

    Desnecessariamente, volto a repetir.
    josé said...
    Seria a mesma coisa que um político de primeira água, casado, aparecesse em público com outra pessoa, sugerindo implicitamente ou até de modo explícito que a esposa seria a que aparece e não a legítima, escondida dos olhares públicos.

    Toda a gente estranharia um tal comportamento de um político que tem responsabilidades grandes e acrescidas.

    Não sejamos hipócritas e punhamos os pontos nos ii.
    josé said...
    Por outro lado, a vida privada de quem se estabelece na coisa pública, sofre um desbaste que é sabido de antemão.

    Não se pode ter a commoda e prescindir do incomoda.
    zazie said...
    Este comentário foi removido pelo autor.
    zazie said...
    Neste caso tem a pequena e ligeiríssima particularidade de Portugal ter uma segunda dama clandestina nuns dias e uma segunda dama oficiosa noutros.

    Só isso. Por acaso, ainda nem sabia da historieta (da C ser o pau de cabeleira) e cheguei a apanhar com provocações e peixeirices dela online. O que, diga-se, também não me parece muito recomendável para o dito cargo (que tem dias, quanto à legalidade).
    Em resposta à foleirice que ela fez, apenas sabendo que era jornalista, limitei-me a recomerdar-lhe a leitura do P.J O'Rourke em vez de fazer galinhices às tantas da matina.

    E só muito depois vim a saber que podia ter estado em comunicação com uma segunda-dama.
    Tivemos anedotas de bolo-rei e de Maria com galinheiro em Belém por menos.
    zazie said...
    Bom, mas nas viagens ele foi fotografada exclusivamente com a intenção de se mostrar a "namorada oficial do primeiro ministro".

    Ora estas coisas não acontecem por acaso. E, a ser mentira, diz mais do mesmo- que temos um mentiroso compulsivo como primeiro ministro.
    Acrescente-se que quem sabe de uma mentira e alinha nela, não fica numa situação invejável.

    A menos que tudo tenha um preço. Esperemos que, ao menos, seja bem paga e consiga fazer mais do que um mero trabalho sobre bairros sociais- Consiga vender agit prop que é o que ela faz à custa da profissão que ostenta.
    zazie said...
    E a historieta do gay é fácil de resolver. Substitua-se ter os amantes do sexo masculinos na cama, às escondidas e a namorada oficial para as aparências, por ter as marrequinhas e os fetiches por anãs ou mulheres barbudas às escondidas e a Câncio para as aparências.

    Se é que alguém acredita num disfarce tão mal amanhado...
    zazie said...
    Uma coisa é certa- os que ficam às escondidas, passam por marrequinhas e mulheres barbudas, de quem ele até se envergonha pela fraqueza.

    Essa é que é essa...
    zazie said...
    tirar a vírgula a seguir a escondidas

    (só a vírgula, não a peruca ou a barba)
    Neo said...
    Volto uma última vez ao assunto,devido às tentativas de branqueamento que vou vendo.
    Vamos falar claro: SÃO OS DOIS ALEGRES!!!
    Como pode um servir de disfarce ao outro?!
    Para que andam os compadres a enganar os portugueses?
    A história não tem pernas para andar e não se pode iludir toda a gente para sempre.
    O perfil do dito cujo é todo uma fraude à opinião pública.
    Quem pode confiar numa personagem assim?
    Não importam os valores morais para se ser líder de uma nação?
    E que nação aceita estas perfídias com tão bovina resignação e nalguns casos aprovação?
    Não lancem o fantasma da descriminação,porque simplesmente ainda não vi ninguém analisar o tema por esse ângulo.
    A questão central é mesmo a falsidade,a falta de princípios de alguém cujo cargo exige muito mais méritos e menos deméritos!

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