A Esquerda laboral

O novo Código do Trabalho é um código de Esquerda. Disse-o o ministro Vieira da Silva e proclamou-o, o arauto Vital Moreira.

Na lugar de expressão da sua causa, escreveu, para vincar este simbolismo politicamente correcto e comprometido ao leit-motiv ideológico:

"As propostas de revisão do Código do Trabalho visam claramente dois objectivos: por um lado, aumentar a capacidade de adaptação das empresas às mudanças temporais do ciclo produtivo (flexibilidade do tempo de de trabalho); por outro lado, apostar na estabilidade do emprego, combatendo eficazmente a precariedade, nomeadamente os contratos a prazo e os "recibos verdes".
Não é impossível favorecer simultaneamente as empresas e os trabalhadores.. [Publicado por Vital Moreira] [22.4.08] "


Desgraçadamente, muitos começam a duvidar seriamente dos propósitos desta esquerda de folclore, para eleitorado ver e eleições ganhar, e apontam efeitos perversos e inequívocos, contrários aos proclamados.

"Mais opções para despedir";"Aumento da precaridade do emprego"; "Maior possibilidade de despedimento de empregados mais velhos e mais caros", são títulos dos jornais de hoje que citam especialistas em direito laboral.

Ontem, na televisão, Bagão Félix, um dos vituperados autores do código de trabalho, em tempos crucificado por apresentar propostas de Direita, disse que a medida que permite o despedimento de trabalhadores por inadaptação ao posto de trabalho é inadmissível.

Bagão é de Direita. Vital e Vieira são de Esquerda. Não são?!

Publicado por josé 12:26:00  

8 Comments:

  1. rb said...
    Caro José,

    Leu o editorial do Paulo Ferreira hoje no Público? Aconselho.
    Mais do que saber se as alterações são de esquerda ou de direita, se favorecem o patronato ou a classe operária - e parece-me que de facto vão nos dois sentidos - importa analisar o mérito da proposta de Vieira da Silva. Despido de preconceitos ideológicos que naturalmente não são apanágio só de alguns.
    Qual é o interesse de termos leis laborais rígidas para proteger os trabalhadores se as empresas começarem a rumar aos países que têm legislação mais flexível. O mundo mudou e é preciso compreende-lo. Veja-se o bom exemplo da Autoeuropa, que "trocou despedimentos por horários e tempos de trabalho mais flexíveis", como bem lembra o dito editorialista. E diz, também, que não faz sentido que seja mais fácil em Portugal o despedimento colectivo de 100 trabalhadores do que o de 1 manifestamente incompetente para a função, a propósito do despedimento por inadaptação.
    Não adianta ter leis que protegem o trabalhador, se a realidade o desmente.
    josé said...
    E então, o Código é de Esquerda ou Direita?
    l said...
    tivesse o tal vital um pouco de vergonha e já se calava, mas não tem.
    a solução passa por não lhe dar crédito.
    rb said...
    "O Código é de Esquerda ou Direita?"
    Pode-se ler de várias maneiras. Qual o interesse dessa discussão?
    O Bagão não fez propriamente uma reforma, aquilo foi mais uma compilação. Se não estou em erro, acabou por ser revogada a única alteração de fundo que era a da caducidade das convenções colectivas se não houvesse acordo.
    As alterações que VS quer introduzir vão no sentido certo, como diz o editorial do PF. E também favorecem o trabalhador, como é o caso dos (farto de) recibos verdes.
    romeufrances said...
    O mundo mudou.
    Quem ainda não tem consciência deste facto é porque ainda não compreendeu as mudanças ocorridas nos últimos 10 anos.
    Olhe para a India, China, Russia. Qual o paradigma que está a fazer mudar a sua força de trabalho? Os trabalhadores do conhecimento que estão a emergir por todo o lado. Estes, a particularidade que são capazes de desenvolver é a facilidade de adaptação à mudança. Nenhum dos trabalhadores da nova força de trabalho vive agarrado ao paradigma do emprego para toda a vida.
    O ser humano vive de rotinas ok.
    Mas uma das suas principais caracteristicas é a criação e a nova realidade permite-nos isso.
    Queremos o quê?
    Continuar a servir nos restaurantes, mão de obra para a construcção civil, fazer roupa à mâo. Para esta realidade não existe versatilidade que aguente e o novo codigo do trabalho não tem sentido.
    O novo código do trabalho pisca o olho ao futuro não para o passado.
    Mas ainda é muito básico. Venha a flexisegurança. Não me importo de pagar por isso e sou funcionário publico...
    zazie said...
    ahahaha

    E é de esquerda ou de direita?

    Depende de quem o vender

    ":O))))
    Vasco said...
    Incrível! Até parece que o futuro vai ser exclusivo de técnicos/quadros superiores... Até parece que não vão continuar a existir operários fabris, empregados de mesa, pessoal de limpeza, empregados de caixa, etc... as leis laborais têm e devem proteger sempre o elo mais fraco. E não é essa a constante dos últimos anos. Estes socilistas de meia tigela, juntamente com sociais democratas de meia tigela estãoa conseguir juntar, e vão consegui-lo, duas palavras aparentemente incompatíveis para conceber o que vai ficar para a História (não só em Portugal) conhecido como Democrafia-Fascista. Pela mão da social-demoracia novas formas de fascismo (aparentemente sem ideologia, como o antigo) vão-nos bater à porta. Menos direitos, despedimentos mais fáceis, mais desemprego, maiis trabalho precário paralelamente a cada vez maiores lucros para quem despede sobre falsos argumentos...
    Felizmente que moro na Noruega... Vê-se bem que vocês não fazem a mínima ideia do que são direitos...
    Autoeuropa... A VW com lucros monstruosos precisa de chantagear os seus trabalhadores com despedimentos para conseguir o que pretendia: mais horas de trabalho pelo mesmo dinheiro... e maiores lucros... Esta sim, é a dinâmica actual e que não é nova. Olhe-se para a História dos últimos 150 anos...
    Infelizmente só quando a tragédia nos bate à porta, ou dos próximos, é que se abrem os olhos. A geração que agora entrou e começa a entrar no mercado de trabalho, a minha, vai brevemente sentir os efeitos de tais políticas (de esquerda ou de direita?). Enquanto os pais os puderem ajudar, menos mal. Quando isso não for possivel... acordam de repente para as lutas que continuam a ser tão urgentes como no passado, agora que a fase racional do Capitalismo está finalmente morta na maior parte dos paises desenvolvidos... e a cada momento que passa inverter a relação de forças é cada vez mais difícil. Esquerda... Direita... É uma pena que a memória seja tão curta e que, ao contrário do que à primeira vista se possa pensar, muito pouco passe de geração para geração.
    josé said...
    Acho piada ao contorcionismo dos oportunistas, tipo Vital Moreira ( não consigo arranjar melhor definição para um carácter político), a esforçar-se por conciliar o inconciliável. A defender o indefensável, sempre com uma caução: são de Esquerda. E por isso, estão autorizados a legislar como se fossem de extrema direita.
    Serão sempre de Esquerda, porque sim. São de Esquerda e acabou a discussão.

    A Direita, é o PSD e o CDS, por exemplo.

    Se não fosse trágico, seria simplesmente ridículo.

    Mas este ridículo, a eles, não os mata, porque descobriram o antídoto para o veneno: não pensar muito nisso.

Post a Comment