Incentivos transplantados


Um médico cirurgião, Eduardo Barroso, recebeu durante o ano de 2007, cerca de 277 mil euros, provenientes de uma percentagem, de 21%, relativa a transportes hepáticos e renais, realizados num hospital público, e como prémio pago pelo Estado, como "incentivo" a este tipo de operações cirúrgicas.
Não obstante, essa importância, foi recebida pelo médico cirurgião, como benefício marginal, derivado da circunstância de continuar como médico dirigente, do hospital Curry Cabral, e não por qualquer intervenção prática ou teórica em operações efectuadas. Esteve alhures, durante esses transplantes, sem espiga alguma, no entanto, porque assim ficara definido.

Este sistema de "benefícios" relativos aos transplantes, foi instituido em meados dos anos oitenta e são obviamente uma mina para os médicos, a cargo do Estado. São "dados aos hospitais", explica Maria de Belém, a roseira socialista que foi ministra da saúde. No caso do Curry Cabral, o conselho de administração, generoso, entrega às equipas, 48% dos incentivos vindos do Orçamento do Estado. Que acrescem às generosas remunerações do trabalho prestado, mesmo em horas quase sempre extraordinárias.

Esta história foi contada na revista Visão de 7.2.2008. Assinada por J.Plácido Júnior e motivada por alguém que Eduardo Barroso, acaba de apelidar "badameco encomendado" ( uma espécie de mabeco, como é timbre dos insultos cor de rosa).

Eduardo Barroso até nem queria tanto. Chegou a dizer ao badameco da reportagem que os prémios, eram de facto, "exagerados". E era preciso rever a lei dos "incentivos" que a roseira tem deixado intocável, desde os tempos de Maldonado Gonelha.
Mesmo assim, na entrevista que deu hoje a uma televisão, Eduardo Barroso, emocionadamente indignado, comentou que se demitira das funções de presidente da Autoridade para os serviços de Sangue e Transplantações ( Irá ter coragem para assumir o cargo de direcção no Curry Cabral? ), apresentado um razão demasiado prosaica:
"Não estou disposto a ser enxovalhado por um qualquer badameco encomendado".
E teceu depois, considerações esparsas sobre as calúnias que o primeiro dos ministros anda a sofrer, coitado, e que nem sabe como aguenta. Ele, porém, é que não aguenta tal coisa- e deu um murro na mesa.

O cirurgião Manuel Antunes e a sua equipa de Coimbra, relativamente a "incentivos", para transplantes renais e de coração, nada recebem. Sente-se credor, no entanto, de 2,3 milhões de euros, pelos incentivos de cem transplantes de coração, realizados, desde 2003.

Publicado por josé 23:29:00  

3 Comments:

  1. Medico Explica said...
    Por favor não venham com o exemplo do Manuel Antunes. também come demais. Muito demais. Ele e a sua equipa estão sempre a ganhar horas extraordinárias, quer trabalhem ou não. Portanto não tem nada a haver. São duas formas de estar sempre presente para quando aparece um dador, a qualquer hora do dia e noite. E é também uma forma de os manter dentro do SNS. A ganhar 400 contos por mês, como ganham a maioria dos médicos, creio que já estariam bem longe...
    lusitânea said...
    Por acaso se a malta é piloto e militar basta uma lei que os impede de sair para a TAP ou outras companhias.Mas médicos ganham pelos vistos o que querem... uma igualdade perante a "lei" do caraças...
    Laoconte said...
    Não é por acaso que o "numerus clausus" para entrar na medicina é tão ridícula.

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