Reclamos da Pública

Hoje, na revista Pública, dirigida por JMF e editada por Ana Gomes Ferreira, entre outros, aparece na página 28 de quem folheia, a imagem seguinte:


Depois de ler o texto de quatro páginas, assinado e superiormente ilustrado e informado, nestas matérias, por Carlos Pessoa, o leitor, até aí desprevenido de todo, depara com estas duas páginas finais:





















O que é que isto significa? Para mim, um desrespeito pelos leitores ( e não só) . O texto que se lê muito bem, como sempre se lêem os de Carlos Pessoa, acaba por funcionar, apenas como um acrescento à publicidade, neste caso a uma marca de relógios, em apêndice. Numa pequena caixa, inserida na última página do texto, a explicação vem assinada por A.G.F. onde se aprimora o evento publicitário da Swatch, com indicação do preço do objecto relojoeiro. O texto, no entanto, nada tem a ver com o evento, aparentemente e aparece como um enquadramento a pedido. Foi? Por quem?
O texto de Carlos Pessoa, um pequeno resumo da saga de Corto, fala em Pratt, autor do personagem mítico, como dizendo: " Corto Maltese desaparecerá porque num mundo onde tudo é electrónico, onde tudo é calculado e industrializado, não há lugar para uma criatura como Corto Maltese".
Suprema ironia, não é? O que pensará disto o Provedor do leitor do jornal?

Publicado por josé 14:58:00  

9 Comments:

  1. A.Teixeira said...
    Pensa que, "por opção pessoal", resolveu antecipar de um mês o fim da sua colaboração (Rui Araújo chama-lhe mandato...) como provedor do leitor.

    EStá no fim da sua crónica de hoje.
    Cosmo said...
    Isto é vender gato por lebre!
    Nos EUA este tipo de "publicidade disfarçada" é proibida, e de tal modo perseguida que os editores das publicações chegam a exagerar, no receio de que "passe" alguma coisa, às vezes involuntariamente.
    Em Portugal... nisto, com em muitas coisas, o Zé que se lixe.
    "Ninguém o obriga a ler", "Ninguém o obriga a comprar", etc.

    Já agora também lhe conto outra história de pasmar:

    Encontrei há dias na caixa do correio um "pacote" publicitário, em tudo semelhante aos habituais:

    "Receba grátis este maravilhoso leitor de DVD"!!!
    "receba ainda este espectacular telemóvel" etc etc
    RECEBA GRÁTIS RECEBA GRÁTIS RECEBA GRÁTIS

    Já a caminho do caixote do lixo, ainda li:

    Se assinar esta revistazinha PROTESTE... da DECO!!!

    Assim vai a defesa do consumidor...
    luis said...
    Mas qual é o problema, da Swatch fazer publicidade a um produto seu, se esse produto é duplamente interessante (Swatch + Corto Maltese) e ainda por cima a publicidade é feita de forma requintada e inteligente? Se a Swatch não fizesse publicidade nenhuma ao relógio, ele iria de certeza vender menos, o que seria mau para a Swatch e para os apreciadores de relógios Swatch. Se fizesse publicidade de forma vulgar, venderia provávelmente o mesmo, mas não teríamos o prazer de ler o excelente texto associado, já que, provávelmente, seria publicado outro artigo, sobre outro herói da BD.
    Eu até percebia esta celeuma, se a publicidade fosse rasca e o relógio tivesse no mostrador...a carantonha do "Orelhas". Assim, e vindo os pruridos de alguém que é de direita, logo, bastante liberal em relação a estas questões de empresas e negócios, não compreendo. Isto é quase mecenato.
    josé said...
    Há de facto um problema, para quem não entende isto, como um caso a merecer atenção.

    A publicidade nos jornais tem regras. Há casos de publicidade encapotada e outros de manifesta confusão entre o objecto publicitado, o autor e o interesse público no assunto.
    O exemplo flagrante e recente, são os livros de Sousa Tavares e José Rodrigues dos Santos.

    Neste caso, torna-se evidente que o interesse da Swatch em promover o reloginho com Corto Maltese, provocou o artigo, assinado por um especialista de bd.
    A questão que coloquei é simples: Carlos Pessoa, quando escreveu, sabia que estava a fazer um frete à Swatch?
    Sim, porque tal pergunta nem sequer a coloco à editora da Pública. O frete é evidente, nesse caso. E deplorável.

    Quanto ao facto de ser de direita, fico um pouco a ver navios. Alguns chegam da direita; outros da esquerda. Continuo sempre no mesmo lugar.
    Será que a tal direita mítica não tem valores para ajuizar este tipo de comportamentos. Será que a esquerda já os tem? E o Público, ou a Pública, então, é de direita?

    balhamedeus.
    aviador said...
    Está de partida.
    De qualquer modo não lhe ligavam nenhuma.
    Do Publico já não podemos esperar grande coisa.
    Mas dos outros nem falar!
    Provavelemnte nem assumem que os jornalistas viajem a convite da empresa X.
    Já agora, na mesma revista, um artigo a propósito do estilista ROberto Cavalli, é pura publicidade à H&M.
    È assim....
    Emplastro said...
    Não há em Portugal uma lei que obriga a afixar a palavra "PUBLICIDADE" naquilo que é publicidade?

    E não há por aí uma Autoridade Alta para a Comunicação Social, ou esses são assuntos demasiado baixos?

    Também digo:
    Balhanosdeus.
    zazie said...
    Uma boa cretinice.
    rb said...
    Observação pertinente e que subscrevo, pois, também me chocou o aproveitamento publicitário da reportagem.
    MJ said...
    Convido o José a procurar nas caixas de texto palavras-chave para as imagens publicitárias que aparecem na mesma página, é capaz de ficar surpreendido. Quando olhamos para uma página do jornal vemo-la como uma colagem (acredita-se que desta forma o cérebro poupe muita energia, poupando-nos à necessidade de dedicar atenção ao mesmo tempo a cada objecto isolado de uma imagem) de seguida canalizamos a atenção para tal ou tal parte que nos interessa, e a publicidade regra geral não interessa, ora bem se numa caixa de texto duma notícia ou artigo vier por exemplo a palavra relógio, a imagem de um relógio que lá estiver e que vimos “colada” por não lhe prestar atenção é “descolada” no cérebro…

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