Os subversivos

A visita do primeiro-ministro José Sócrates, a uma escola secundária, na Covilhã, já deu que falar, hoje, daquilo que o mesmo não gosta: críticas certeiras a atitudes erradas.
A CGTP, agregada de vários sindicatos de professores, como o sindicato dos Professores da Região Centro, planearam uma acção de eventual protesto contra o governo deste primeiro-ministro, à semelhança do que tem ocorrido noutros locais do país.
Para o primeiro-ministro, de riso amarelo afivelado, estas acções são promovidas pelo partido comunista que ainda não se adaptou à democracia e só sabe protestar através de insultos.
Até aqui, tudo normal, se não quisermos analisar mais além , a subtileza da noção de democracia de José Sócrates que o leva a execrar seja que manifestação for que não traga sorrioso e aplausos para as suas políticas excelsas que nos puseram com mais de 8% de desempregados.
Os manifestantes que aplaudem, são ordeiros, pacíficos e em nada perturbam a ordem pública. Mesmo não avisando com antecedência, são sempre bem vindos.
Os demais, como os dos sindicatos, são uma corja antiga, sempre a mesma e que se compõem dos maledicentes do costume, associados aos derrotistas que nunca vêem a luminosidade das medidas deste governo ou doutros. Como tal, bastão para cima deles e processos crimes por injúrias à autoridade e por se manifestarem ilegalmente- porque não avisam antes. Os outros já são avisados por naturez, porque são educados e de bom tom e só não trazem bandeirinhas para acenar, porque ainda ninguém se lembrou disso.

Soube-se agora que uns agentes voluntariosos da PSP da localidade, visitaram a sede daquele sindicato, para se inteirarem sobra a natureza dos “protestos”, perante um simples funcionário que os atendeu e passou a novidade, contada em única e primeira mão.
A atitude, no contexto daqueloutras, sumamente inteligentes, do primeiro-ministro, assumiu logo foro de escândalo maior, com direito a forum na TSF e rasganço de vestes variadas, do BE ao CDS, incluindo o próprio PS.
A atitude dos esbirros foi imediata e livremente assimilada às acções da antiga polícia política, que andava sempre à cata de subversivos.
Para o PCP, o gesto é simplesmente pavloviano: mais uma oportunidade de ouro para se falar na PIDE e no regime de ditadura feroz que capava as liberdades democráticas, como se o regime que sempre defenderam fosse capaz de agir de modo diverso.
Os apaniguados, Vital, Magalhães e associados, desta vez, clamam pela estupidez da análise que os incrimina. Seriam lá capazes de mandar fazer uma coisa destas! Como se viu no caso Charrua, o respeitinho, tem que havê-lo, mas não se castiga ninguém pelo zelo. Seria excessivo.
Palpita-me que desta vez, alguém na PSP da Covilhã, não vai ter a sorte da professora Margarida. O zelo também tem dias.

Publicado por josé 15:53:00  

1 Comment:

  1. Há do que said...
    «Palpita-me que desta vez, alguém na PSP da Covilhã, não vai ter a sorte da professora Margarida.»

    Mmm...talvez algum soldado da polícia seja despedido... e promovido a capitão igloo, na PescaNova...

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