O poder corrompe?

No anúncio da candidatura de António Costa à Câmara Municipal de Lisboa, apareceram agora duas pessoas conhecidas: o advogado José Miguel Júdice, como mandatário de António Costa e o jurista José Luís Saldanha Sanches, marido de Maria José Morgado, como um dos responsáveis pelas finanças da campanha..

Saldanha Sanches acaba de dizer na SIC-Notícias que “A política deve ser limpa e pode ser limpa” e ainda “Não estamos condenados aos dinheiros sujos da política”.
Pronto! Está dito.

Agora, permitam-me que diga algo a propósito de transparência na política, pelas palavras emprestadas de um deputado do PS, António Galamba.
Transcrevo do próprio site do grupo parlamentar do PS e julgo que será do interesse de todos os leitores, perguntarem ao mandatário do candidato o que se passou com este caso estranho e nunca publicamente esclarecido.
Pergunte-se ainda se o mesmo deputado, faria o mesmo tipo de intervenção na Assembleia da República, como então fez e se já sabe o que se passou, entretanto…

O requerimento é este que segue, já tem três anos em cima e ainda lá está, à vista de toda a gente…por enquanto.

Segundo o jornal Público , “ A Parpública está a pagar ao escritório de advogados de José Miguel Júdice um milhão de euros de honorários por cada duas semanas de serviços prestados à "holding" estatal nesta fase de intermediação da venda de, pelo menos, 33,34 por cento do capital da Galpenergia. Este não é, no entanto, o único custo de consultoria para o erário público para fazer com que a Galpenergia volte para as mãos de accionistas privados. Nos últimos quatro anos, segundo cálculos recolhidos pelo PÚBLICO, o Estado despendeu cerca de 160 milhões de euros para, em primeiro lugar, manter um núcleo privado de referência na Galpenergia, com decisões algumas delas controversas e, agora, para o transferir para outras mãos privadas. O valor contratado com o Estado para a assessoria jurídica pelo escritório liderado pelo actual bastonário da Ordem dos Advogados (cuja designação é A. M. Pereira, Saragga Leal, Oliveira Martins, Júdice e Associados) é um dos últimos a serem conhecidos. As últimas semanas de negociações com os dois concorrentes que passaram à fase final do concurso, a Petrocer e o grupo Mello, têm incluído a participação activa de uma representante deste escritório nas reuniões que decorrem na Parpública. A "holding" está instalada no novo edifício do Ministério da Economia, em Lisboa. Embora os honorários de um milhão de euros por cada 15 dias sejam os actualmente vigentes, não foi possível confirmar desde quando estão a ser aplicados. O escritório de José Miguel Júdice presta assessoria jurídica ao Governo para este processo de venda da Galpenergia há mais de um ano, embora o tipo de serviço tenha variado ao longo dos meses, havendo agora, por exemplo, uma intervenção activa num momento decisivo do processo - fase final de negociações -, o que não acontecia, por exemplo, há um ano. Para os especialistas, um cálculo que pecará por defeito e não por excesso será considerar que esta "tabela" de honorários se refere apenas a esta fase negocial e que se prolonga por dois meses, para o que são, assim, contabilizados quatro milhões de euros. A este montante há ainda a adicionar mais 56 milhões de euros de serviços prestados por outras áreas de consultoria associados à entrada da ENI na Galp e à sua saída, desde que o Governo decidiu, no final de 2002, reestruturar o sector da energia em Portugal. O Crédit Suisse foi, há quatro anos, a instituição financeira contratada para assessorar a entrada da ENI na Galpenergia, um trabalho que, a valores de mercado, terá rondado os seis milhões de euros. Por sua vez, o trabalho dos advogados para a entrada dos italianos foi orçada em seis milhões de euros. A McKinsey foi chamada para assessorar a reestruturação do sector energético, enquanto consultor estratégico, trabalho que é calculado em três milhões de euros. Quanto à Goldman Sachs, que o Governo contratou, pelo menos, desde Março passado, como consultor técnico para a área da energia e que coordenou várias fases do processo da Galp, até à sua passagem para o comité de sábios, tem uma prestação de serviços que o mercado avalia em 40 milhões de euros. A este montante há ainda a somar os históricos 100 milhões de euros de mais-valias que o Estado prescindiu de receber, ao isentar do respectivo pagamento os privados reunidos na Petrocontrol que venderam, em 2000, a sua participação à ENI. Face ao exposto, considerando a conjuntura económica de particular dificuldade para as famílias portuguesas que estamos a atravessar, nos termos regimentais e constitucionais, requere-se ao PRIMEIRO MINISTRO as seguintes informações:1)está o XV Governo Constitucional em condições de confirmar que a Parpública está a pagar ao escritório de advogados de José Miguel Júdice um milhão de euros de honorários por cada duas semanas de serviços prestados à "holding" estatal nesta fase de intermediação da venda de, pelo menos, 33,34 por cento do capital da Galpenergia ?2)em caso afirmativo, desde quando está o Estado a pagar esses honorários ?3)está o Governo em condições de confirmar já ter gasto 160 milhões de euros em consultadoria para privatizar a Galp, conforme noticia a comunicação social?António Galamba- 24.6.2004

Publicado por josé 23:08:00  

10 Comments:

  1. lusitânea said...
    O Estado e Portugal na banca rota, a nossa nacionalidade abastardada, mas muita gentalha podre de rica... e a aplicar o velho ditado "quem está com o poder come , quem não está cheira"
    Desculpem mas não vejo políticos sérios.Pois que se o fossem já tinham denunciado e combatido este pantano mafioso que vai desboroando a mais velha nação da europa.Eu julgo que eles andam a arranjar lenha para se queimarem pois vendo a nossa história de vez em quando esses verdadeiros traidores sofreram perdas e alguns a própria vida.
    A merda dum sistema político que inventaram em que 2 dirigentes partidários governam tudo e dividem tudo e os outros até se calam com migalhas.
    A supremacia PS está assegurada nas universidades ,jornais , televisões, institutos e por aí fora donde tirá-los do poleiro por maiores asneiras que façam vai ser muito difícil.
    Daí e reconhecendo isso é que a dita"direita" se tem vindo a "converter" como o Freitas , agora este e haverá outros como aliáso Filipe II fez com os nobres em portugal que os comprou todos.Só batendo no fundo , só com revolução é que estas sanguessugas serão desagarradas do cadáver que já é portugal.FDP
    Dr. Assur said...
    Este comentário foi removido pelo autor.
    Dr. Assur said...
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    Dr. Assur said...
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    Dr. Assur said...
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    Dr. Assur said...
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    Dr. Assur said...
    Durante o caso Casa Pia, Costa telefonou a várias personalidades iniciando o caso da cabala contra o PS. Uma dessas personalidades era Bastonário da Ordem dos Advogados José Júdice, que no seguimento da acção apareceu na televisão a afirmar que as provas contra determinado arguido eram fracas. Isso apesar de o processo ainda estar em segredo de justiça. Mais. Durante a entrevista de ontem, Júdice afirmou que sempre foi uma figura menor no PSD e por isso nunca foi convidado para nenhum cargo.
    JPRibeiro said...
    Está explicado o "mistério".
    mewmewmew said...
    lindo, mas mesmo lindo, é o saldanha sanches ser sempre o marido da gaja.
    josé said...
    Cá por mim, é mesmo isso: Saldanha Sanches é marido da Maria José Morgado.

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