tomem nota

há uns anos ocorreu um célebre debate nos EUA. Foi entre Nixon e Kennedy. Para quem o ouviu apenas na rádio - Nixon teria ganho sem apelo. Mas aqueles que o viram na TV - que estava a dar os primeiros passos - acharam que a vitória afinal era de Kennedy. Kennedy ganhou (Nixon só chegou ao poleiro uns anos depois). Hoje passou-se em Portugal algo de semelhante. Quem não lê jornais, não vai à net, e só hoje tomou conhecimento do caso que 'afecta' aquele que ainda é Primeiro-Ministro, admito que tenha ficado convencido, com o monólogo travestido de entrevista. Só que o mundo mundou. Portugal não é Coreia do Norte, (já) não há canais únicos, muito menos verdades à la carte. Tal como, com Kennedy, a TV matou a rádio, hoje a Internet emancipou-se. Tomem nota.

Publicado por Manuel 23:15:00  

3 Comments:

  1. Ruvasa said...
    Viva, Manuel!

    Absolutamente de acordo.

    Mas há visível neste processo muita árvore e pouca floresta, porque o que na verdade interessa no caso é saber quem é que, pelas informações que terá prestado a algumas instâncias, ao mais alto nível, designadamente a todos os Órgãos de Soberania, ou seja, a Presidência da República, a Assembleia da República e o Governo, informações que levaram a que documentos oficiais do Estado Português, deles emanados, se mostrassem, e mostrem ainda, feridos de evidente e inescamoteável falsidade.

    É o caso do DECRETO PRESIDENCIAL que dá publicidade à tomada de posse do Governo, será por certo também o caso da própria ACTA da tomada de posse do primeiro-ministro, é o caso da conteúdo do PORTAL DO GOVERNO na Web, que se manteve com indicações falsas por cerca de dois anos, é o caso da brochura "Biografia dos Deputados - VI Legislatura", referente ao ano de 1993, EDIÇÃO OFICIAL DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA.

    O que interessa saber é se quem pratica actos de tal gravidade, seja lá quem for, pode sair incólume e seráfico como se nada tivesse acontecido.

    Isto é o que verdadeiramente interessa em todo o caso, constituindo a raiz do problema, a questão fundamental, por, além de poder revestir uma questão de carácter a que há que estar especialmente atento em casos que envolvam titulares de altos cargos públicos e políticos, poder ainda constituir ilícito criminal suficientemente tipificado e penalizado, na previsão da lei penal portuguesa.

    O resto são meros instrumentos para a esta conclusão se chegar.

    Acontece que o que temos visto é uma abordagem apenas virada para os instrumentos e pura e simplesmente ignorando o essencial, o que realmente é prejudicial para a credibilidade do Estado Português.

    Por isso, a minha extrema surpresa. E desânimo também, confesso.

    António Balbino Caldeira, em Do Portugal Profundo, trouxe tudo isto à superfície. No entanto, mais ninguém pegou no assunto como me parece que deveria ter sido feito.

    Tratei-o no meu blog. Fui manifestamente insuficiente.

    Talvez por isso, após a entrevista desta noite, tenha vislumbrado sorrisos onde não haveria razão alguma para que eles se mostrassem.

    Resta a esperança de que o assunto não fique por aqui. Para bem do Estado Português, para bem do país que temos, para bem do Povo que somos.

    Cumprimentos

    Ruben Valle Santos
    José M. Barbosa said...
    Passo diáriamente pela "loja" sem nunca ter "comentado".
    Parabéns pela vossa - no contexto especialmente sua - inteligência e carácter.
    Punctum Contra Punctum said...
    Concordo! Mas... para ser inteiramente verdadeiro era preciso que o acesso à Internet fosse universal. E não é.

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